bhakti

sânscrito, substantivo feminino = FERVOR DEVOCIONAL

Excertos comentados de “Les Notions philosophiques. PUF, 1990
Derivado da raiz verbal BHAJ-, a qual se dará na forma ativa por “distribuir, dar em partilha”; na forma média, por “receber em partilha, tomar parte”. A mesma raiz deu o vocábulo bhaga, a boa parte, a felicidade; donde a denominação Bhagavad para designar a Deidade suprema, bem-aventurada, fonte de graça liberadora e beatificante (título do poema sagrado Bhagavad Gita, Canto do Bem-aventurado). A bahkti é a aceitação amante deste dom divino, a participação no Deus amante. O adepto desta via se denomina bhakta.

A tradição bramânica reconhece na prática da BHAKTI um dos quatro caminhos de liberação, ao lado dos caminhos do conhecimento, da ação esclarecida e desinteressada, da disciplina psicossomática do yoga.


VEDANTA
Henri le Saux

BHAKTI: esse termo designa a devoção de amor para com o Senhor, considerado ao menos de certo modo, ou então provisoriamente, como “outro que não si mesmo” ou o “outro”. Essa devoção se expandiu particularmente no Krishnaísmo e no Shivaísmo dravidiano. Está raramente ausente da alma hindu, pois os jnanin exclusivos são raros. O perfeito jnanin e advaítino que era Sri Ramana Maharshi derramava lágrimas de alegria quando cantava ou ouvia cantar os louvores do Senhor (Cf. p. ex. S. S. Cohen, Guru Ramana, pp. 6, 79, etc). O livro sagrado por excelência da BHAKTI é a Bhagavad Gita. A BHAKTI hindu reveste-se de muitas formas, desde a devoção emotiva e sentimental de um Chaitanya (prema-BHAKTI), ou a BHAKTI, tocando às raias (?) do erotismo, dos discípulos de Vallabha, até a BHAKTI “sabedoria de amor” de Râmânudja e seus grandes discípulos. Para Râmânudja, a BHAKTI, que é a sabedoria suprema, “culmina numa intuição da essência de Brahman, que é participação ao mesmo tempo intelectual e afetiva de seu objeto; é um conhecimento amante, intuitivo, experimental, do “Bem-aventurado” (Bhagavan) em sua suprema e íntima personalidadade”. Çri Nivâsa acrescenta a prapatti, a entrega de si mesmo ao Senhor, na humildade. “Essa participação de amor, forma suprema de conhecimento (jnãna) não exclui nem a graça nem a personalidade divina, nem a realidade eterna das almas enquanto metafisicamente distintas, mas ao contrário depende delas e as supõe essencialmente” (O. Lacombe, L’ABSOLU SELON LE VÊDÂNTA, p. 363 ss). É evidente que, para Sankara, o termo BHAKTI está longe de ter uma ressonância semelhante e não inclui normalmente aspectos de conhecimento (jnana), como no sistema rival. Na escola çivaíta çankariana, a mais seguida, talvez, na índia atual, essa devoção de amor a um Deus pessoal e “outro” é considerada como um simples grau da vida espiritual; é praticada com resultado até o dia em que a alma descobre enfim a indistinção não qualificada entre si mesma e o Brahman; seu conhecimento, seu amor, sua felicidade, funde-se então naquilo que o homem chama um “vazio”, çunya, incapaz de perceber a insondável Plenitude, puma, da Vida do Saccidânanda.


PERENIALISTAS
René Guénon: LAS TRES VÍAS Y LAS FORMAS INICIÁTICAS
En lo que concierne a Bhakti, el caso es bastante diferente, y aquí los errores provienen sobre todo de una confusión del sentido iniciático de este término con su sentido exotérico, que por lo demás, a los ojos de los occidentales, toma casi forzosamente un aspecto específicamente religioso y más o menos «místico» que no puede tener en las tradiciones orientales: ciertamente, eso no tiene nada que ver con la iniciación, y, si no se tratara realmente de nada más, es evidente que no podría haber «Bhakti-Yoga»; pero esto nos lleva una vez más a la cuestión del misticismo y de sus diferencias esenciales con la iniciación.

Frithjof Schuon: O ESOTERISMO COMO PRINCÍPIO E COMO VIA
*A BHAKTI ou o amor da Divindade pessoal é, para o vedânti shankariano, uma etapa necessária para a Liberação — moksha — e até mesmo uma concomitância quase indispensável e bem natural do conhecimento supremo, o jnâna. Por um lado, o culto segundo o qual a transcendência encaminha o espírito para a consciência da imanência e, portanto, da identidade, por conseguinte, para a superação da dualidade e da separatividade; por outro lado, a consciência da transcendência e a BHAKTI que dela resulta estão intimamente ligadas à própria alma do homem. Quem diz “homem” diz bhakta e quem diz “espírito” diz jnani. A natureza humana é, por assim dizer, composta por essas duas dimensões semelhantes, mas incomensuráveis. Por certo, há uma BHAKTI sem jnana, mas não existe jnana sem BHAKTI.

François Chenique: O IOGA ESPIRITUAL DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

No caminho do amor ou da bondade, a alma ia das criaturas para o Criador e as aparências deste mundo eram, ao mesmo tempo, utilizadas como um pressentimento da Beatitude divina, e rejeitadas por causa de seus limites (v. Vias). No caminho do conhecimento, essa diligência continua, mas se completa por uma diligência que vai do Criador às criaturas, e na qual o mundo criado, exterior e interior, torna-se uma “ilustração” do Conhecimento principal e imutável. Trata-se, para a alma contemplativa, de reconhecer e não de rebuscar, de mostrar e não de demonstrar, de despertar em outrem o mesmo conhecimento e não de discutir (v. Boaventura). O exemplar divino é reconhecido em toda parte, amado e proclamado, como “causa do ser, razão do conhecimento e regra de vida” (causa essendi, ratio intelligendi, ordo vivendi)(fórmula de Santo Agostinho (Cité de Dieu, VIII, 4), citada no Itinerarium I, 14). Entretanto, as condições do caminho do conhecimento são severas:
“O que quer subir para Deus deve evitar o pecado que deforma a natureza e submeter seus poderes naturais à graça reformadora, pela prece (oratio), pela justiça purificadora, através da ascese (conversatio), pela ciência iluminadora, através da meditação, pela sabedoria aperfeiçoadora, através da contemplação. Como ninguém chega à sabedoria a não ser pela graça, a justiça e a ciência, também não se chega à contemplação a não ser através de intensa meditação, de uma ascese santa, uma oração fervorosa. Como a graça é o fundamento de uma vontade reta e de uma razão esclarecida, precisamos, antes de mais nada, orar, depois viver santamente, e, por fim, voltar nossa atenção para as imagens da verdade e elevar-nos assim, aos poucos, até a montanha suprema onde, no Sião, o Deus dos deuses se revela (Itinerarium, I, 8. O fim da passagem é uma citação do Salmo 84, segundo a Septuaginta e a Vulgata).


According to a rather common error found in certain circles, people think they are dealing only with BHAKTI wherever they meet an emotional element and with jnana where they find intellectual dissertations; in reality, the valid criteria are as follows: where there is “ontologism” and “dualism” in a fundamental sense, it is a question of BHAKTI, but where there is “superontologism” and “non-dualism” jnana is to be found. (GTUFS: LSelf, A View of Yoga)


Interlocutor: ¿Tiene la devoción (bhakti) algún lugar en su enseñanza? Maharaj: Cuando usted no está bien, va a un médico que le dice lo que anda mal y cuál es el remedio. Si tiene confianza en él, esa confianza simplifica las cosas: usted toma la medicina, sigue las restricciones de la dieta y se pone bien. ¡Pero si no confía en él, todavía puede tener una posibilidad, o bien puede estudiar medicina usted mismo! En todos los casos es su deseo de recuperarse el que le mueve, no el médico. Sin confianza no hay ninguna paz. Usted siempre confía en una persona u otra – puede ser su madre o su esposa. De todas las gentes, el conocedor del sí mismo, el hombre liberado, es el más digno de confianza. Pero no basta con confiar sólo. Usted debe desear también. Sin deseo de liberación, ¿de qué utilidad es la confianza de que usted puede adquirir la liberación? Deseo y confianza deben ir juntos. Cuanto más fuerte es el deseo, tanto más fácilmente viene la ayuda. El Gurú más grande es impotente mientras el discípulo no está deseoso de aprender. El anhelo y la seriedad son importantísimos. La confianza vendrá con la experiencia. Sea devoto de su meta – la devoción hacia aquél que puede guiarle vendrá por sí sola. Si su deseo y su confianza son fuertes, actuarán y le llevarán a usted a su meta, pues usted no causará retrasos por vacilaciones ni compromisos. El Gurú más grande es su sí mismo interior. Verdaderamente, él es el maestro supremo. Solo él puede llevarle a su meta, y solo él le recibe al final del camino. Confíe en él y no necesitará ningún Gurú exterior. Pero, nuevamente, usted debe tener el fuerte deseo de encontrarle y no hacer nada que cree obstáculos y retrasos. Y no malgaste energía y tiempo en lamentos. Aprenda de sus errores y no los repita. El Gurú Más Grande es su Sí mismo Interior

Interlocutor: Continuamos con el mantra que nos dio el Gurú. También hicimos alguna meditación. No había mucho que pensar ni que estudiar; solo intentábamos mantenernos serenos. Nosotros estamos en la vía de bhakti y somos más bien pobres en filosofía. No tenemos mucho en lo que pensar – solo confiar en nuestro Gurú y vivir nuestras vidas. Maharaj: La mayoría de los bhaktas confían en su Gurú solo mientras todo les va bien. Cuando vienen los problemas, se sienten abandonados y se van en busca de otro Gurú. La Noción de Ser un Hacedor es Esclavitud

Interlocutor: ¿Se puede llamar a la vía del control y de la disciplina raja yoga, y a la vía del no apego jnana yoga? ¿Y a la adoración de un ideal – bhakti yoga? Maharaj: Si le place. Las palabras indican, pero no explican. Lo que yo enseño es la vía antigua y simple de la liberación a través de la comprensión. Comprenda su propia mente y su dominio sobre usted se quebrará. La mente no comprende, la no comprensión es su naturaleza misma. La comprensión correcta es el único remedio, cualquiera que sea el nombre que le dé usted. Es lo más antiguo y también lo más reciente, pues trata la mente como es. Nada de lo que haga le cambiará, pues usted no necesita ningún cambio. Puede cambiar su mente o su cuerpo, pero es siempre algo externo a usted lo que ha cambiado, no usted mismo. ¿Por qué preocuparme en absoluto de cambiar? Dése cuenta de una vez por todas de que ni su cuerpo ni su mente, ni tampoco su consciencia es usted mismo y permanezca en paz en su naturaleza verdadera más allá de la consciencia y de la no consciencia. Ningún esfuerzo puede llevarle ahí, solo la claridad de la comprensión. Rastree sus incomprensiones y abandónelas, eso es todo. No hay nada que buscar ni nada que encontrar, pues no hay nada perdido. Relájese y observe el «yo soy». La realidad está justo detrás de él. Manténgase tranquilo, manténgase silente; ella emergerá, o más bien, le tomará en ella. Lo Percibido no puede ser el Perceptor


La Bhagavad-Gîtâ, que es, como ya se sabe, un episodio sacado del Mahâbhârata (NA: Recordaremos que los dos Itihâsas, es decir el Râmâyana y el Mahâbhârata, pues que forman parte de la Smriti, y pues que en su consecuencia tienen el carácter de escritos tradicionales, son enteramente otra cosa que los simples «poemas épicos», en el sentido profano y «literario», que ven de ordinario en ellos los occidentales.), ha sido ya tantas veces traducida a las lenguas occidentales que la misma debería ser bien conocida de todo el mundo; pero esto no es de ningún modo así, ya que, a decir verdad, ninguna de esas traducciones testimonia una verdadera comprensión. El título mismo es generalmente traducido de una manera un poco inexacta, por «Canto del Bienaventurado», pues que, en realidad, el sentido principal de Bhagavad es el de «glorioso» y de «venerable»; el sentido de «bienaventurado» existe también, pero de una manera muy secundaria, y que por lo demás convendría muy mal en el caso en cuestión aquí (NA: Hay un cierto parentesco, que puede prestarse a confusión, entre las raíces bhaj y bhuj; esta última, cuyo sentido primitivo es el de «comer», expresa sobre todas las ideas de disfrute, de posesión, de felicidad o fortuna; por el contrario, la primera y sus derivados, como bhaga y BHAKTI sobre todo, las ideas que expresan son las de veneración, las de respeto, y las de devoción o sometimiento.). En efecto, Bhagavad es un epíteto que se aplica a todos los aspectos divinos, y también a los seres que son considerados como particularmente dignos de veneración (NA: Los budistas dan naturalmente ese título a Buddha, y los jainas lo dan de igual modo a sus Tirthankaras.); la idea de felicidad, idea que es por lo demás, en el fondo, de orden enteramente individual y humano, no se halla contenida en punto ninguno en el término en cuestión, ello al menos, necesariamente. No hay nada de sorprendente en aquello de que este epíteto sea dado precisamente a Krishna, quien no es solamente un personaje venerable, sino que, en tanto que octavo avatâra de Vishnu, corresponde realmente a un aspecto divino. Pero hay aquí todavía algo más. 2550 EH ÂTMÂ-GÎTÂ (Publicado en V.J., en marzo de 1930)