Quanto à relação entre a roda de seis raios e a cruz de três dimensões, ela se estabelece de modo imediato: o eixo vertical permanece sem mudança e os dois outros diâmetros oblíquos são projeção, no plano da figura, dos dois eixos que formam a cruz horizontal. Esta última consideração, ainda que necessária para o entendimento completo do símbolo, não se inclui entre as que fazem dele uma representação da analogia; quando isso ocorre, basta tomá-lo sob a forma em que se encontra, sem que haja necessidade de compará-lo a outros símbolos com os quais se assemelha sob diferentes aspectos de sua complexa significação.
No simbolismo cristão, essa figura é denominada CRISMA simples. Considera-se então que seja formada pelas letras I e X (iota e khi), ou seja, as iniciais gregas das palavras Iesous Khristos, e é este um dos sentidos que parece ter recebido desde os primeiros tempos do cristianismo. Não é necessário insistir, contudo, que esse símbolo, em si, é muito anterior e, de fato, está entre aqueles que se encontram difundidos por toda parte e em todas as épocas. O CRISMA de Constantino, formado pela união das letras gregas X e P, as duas primeiras do nome Khristos, parece à primeira vista derivada diretamente do CRISMA simples, do qual conserva a exata disposição fundamental, distinguindo-se apenas pelo acréscimo, na parte superior do diâmetro vertical, de uma alça destinada a transformar o I em P. Essa alça, por ter naturalmente uma forma mais ou menos circular, pode ser considerada, nessa posição, como correspondente à figuração do disco solar que aparece no topo do eixo vertical ou da “Árvore do Mundo”. Esta observação reveste-se de particular importância quando em conexão com o que diremos a propósito do símbolo da árvore”. (Guénon)
Distingue-se o CRISMA simples do CRISMA dito “constantiniano”: o primeiro é composto de seis raios opostos dois a dois a partir de um centro, ou seja, de três diâmetros, um dos quais vertical e os outros dois oblíquos, e que, enquanto “Crisma”, é tido como formado pela união de duas letras gregas, I e X; o segundo, também considerado como a reunião de duas letras, X e P, deriva-se imediatamente do anterior pelo acréscimo, na parte superior do diâmetro vertical, de uma alça destinada a transformar o I em P, mas que tem ainda outras significações e se apresenta além disso sob muitas formas diversas, o que torna ainda menos surpreendente sua substituição pelo “quatro de cifra”, que afinal é só uma variante a mais. Tudo isso, aliás, fica esclarecido desde que se observe que a linha vertical, tanto no CRISMA quanto no “quatro de cifra”, é na realidade uma figura do “Eixo do Mundo”; em sua extremidade superior, a alça do P é, da mesma maneira que o “olho” da agulha, um símbolo da “porta estreita”. E, no que diz respeito ao “quatro de cifra”, basta lembrar sua relação com a cruz e o caráter de igual modo “axial” desta última, e considerar, por outro lado, que a junção da linha oblíqua que completa a figura, unindo as extremidades do topo e de um dos braços da cruz, fechando assim um dos ângulos, combina engenhosamente a significação quaternária com o simbolismo da “porta estreita”, inexistente no caso do CRISMA. E devemos reconhecer que existe nisso algo perfeitamente apropriado para uma marca do grau de mestre. (Guénon)
Charbonneau-Lassay assinalou a associação da rosa com o CRISMA, numa figura que reproduziu de um ladrilho merovíngio, em que a rosa central tem seis pétalas orientadas segundo os braços do CRISMA; além disso, ela está encerrada num circulo, o que transparece do modo mais claro possível sua identidade com a roda de seis raios. (Guénon)
O CRISMA de Constantino, no qual o P está invertido, levou alguns a pensarem que deveria ser então considerado como o signo do Anti-Cristo. Tal intenção pode ter existido de fato em alguns casos, mas existem outros em que isso é evidentemente impossível de ser admitido (nas catacumbas, por exemplo). De igual modo, o “quatro de cifra” corporativo, que é, aliás, uma modificação desse mesmo P do CRISMA, está voltado indiferentemente em um sentido ou outro, sem que se possa atribuir esse fato a uma rivalidade entre as diferentes corporações ou ao desejo de se distinguirem entre si, pois são encontradas as duas formas nas marcas pertencentes a uma mesma corporação. (Guénon)
CRISMA,
Roberto Pla: Evangelho de Tomé – Logion 2
A unção sagrada com o óleo significa, enquanto à realização espiritual do homem, o pôr em marcha da ação de descida na consciência da sabedoria própria do filho, idêntica a das línguas de fogo que segundo os Atos apareceram aos apóstolos reunidos para celebração da páscoa de Pentecostes (Atos 2,1). Jesus lhes havia pedido que aguardassem a Promessa do Pai, pois lhes disse: “João batizou com água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo”. Chegado, com efeito, o dia de Pentecostes, “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como que de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. E lhes apareceram umas línguas como que de fogo, que se distribuíam, e sobre cada um deles pousou uma. E todos ficaram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.” (Atos 2:1-4)
Por céu há que entender o Alto, não enquanto lugar, mas como referência a mais pura e elevada consciência, a do Filho no homem. Vento significa também, o espírito e sopro, e é neste último sentido de alento espiritual, ou de percepção de sabedoria como se deve entender a inspiração ou aparição repentina de “um vento impetuoso que preenchia toda a casa”. Essa, a casa, como se dissesse sob o teto, na tenda, na morada, é o interior da consciência, como na frase do centurião: “Senhor, não sou digno de que entres sob meu teto”.