HAGIASMOS — SANTIDADE, SANTIFICAÇÃO
Evangelho de Jesus: santificado seja vosso nome; Rom 6:19-22; 1Co 1:30; 1Tess 4:3-7; 2Tess 2:13; 1Tim 2:15; Heb 12:14; 1Pe 1:2
Segundo Pierre Chantraine, para o entendimento desta noção é preciso tomar um grupo de palavras: azomai, hagios, agnos, etc. Começando pelo verbo azomai, temos aí uma arcaica noção, ainda presente nas Tragédias Gregas, de “experienciar um temor respeitoso”. Hagios, por sua vez, não é atestado nem em Homero, nem em Hesíodo, nem nas Tragédias. Com o sentido de “santo”, “consagrado”, a palavra exprime a interdição religiosa que se respeita, geralmente referida a lugares e coisas. Por sua vez, agnos é um adjetivo concorrente de hagios, que figura em Homero com o sentido de “santo”.
Dicionário Teológico do Novo Testamento, Coenen, Beyreuther, Bietenhard
hagios = santo, sagrado; hagiazo = tornar santo, consagrar, santificar; hagiasmos = santidade, consagração, santificação; hagiotes = santidade; hagiosyne = santidade; hagiasma = santuário; hagiasterion = santuário.
No âmbito do NT Deus raramente é descrito como “Santo” e só uma vez Cristo é chamado “Santo” no mesmo sentido que Deus. A santidade é determinada doravante de conformidade com o Espírito Santo, a dádiva na nova era.
A esfera apropriada do que é santo no NT não é o ritual mas a profecia. O sagrado já não pertence a coisas, lugares ou ritos, mas às manifestações da vida que o Espírito produz (Nascer do Alto).
A santidade é um sonho do ego e a vigília (nepsis) da alma imortal, do ego nutrido de impressões sensoriais e cheio de desejos (thymikon), e da alma (psyche) livre, cristalizada em Deus. A superfície móvel de nosso ser deve dormir e, por conseguinte, retirar-se das imagens e dos instintos, enquanto que o fundo de nosso ser deve velar na consciência do Divino e iluminar assim, como uma chama imóvel, o silêncio (hesychia) do santo sonho.
A santidade é essencialmente a contemplatividade (theoria); é a intuição da natureza espiritual das coisas; intuição profunda que determina a toda alma, logo a todo o ser do homem.
(Frithjof Schuon: Pérolas de um Peregrino)
Esse termo de santidade é em si mesmo obscuro, diversamente colorido, segundo as épocas e as religiões. Às vezes designa — e é esse, sem dúvida, o seu sentido arcaico — o aspecto proibido do sagrado, sua carga de “numinoso”[[Cf. R. Otto, Le Sacré. O numinoso é, em si, fascinante e repulsivo, mortificante e vivificador.]], sua ambiguidade; outras vezes — em sentido conexo — o aspecto de separação do quotidiano, do profano. Esse afastamento, se é pensado explicitamente e até o fim, e não apenas sentido, guia o espírito para a transcendência, o Absoluto. O Santo é o único e o incomunicável. E porque esse Um é “não predicável”, é também o inefável.
Em seguida a santidade se identificou com o Bem — esse1 de Platão, situado “para além da essência”, sol inteligível que amadurece os seres e os ilumina. Esse Bem, identificado pelos neoplatônicos ao Um do “Parmênides” (ele próprio depuração dialética do ser sem fissura, sem não-ser, sem “outro”, de Parmênides), será chamado “difusivo de si mesmo”: bondade incoercível que, por emanação e como que inconscientemente[[Ou por criação, contingente segundo a essência, necessária segundo a existência em Avicena, em quem o Corão inclina para a criação a pseudo Teologia de Aristóteles: Cf. L. Gardet, La pensée religieuse d’Avicenne.]] transborda — por degradações ontológicas hierarquizadas — em hipóstases, em universos, em almas distintas…
(Henri le Saux: Eremitas de Saccidananda)
Traduzimos santo conforme o uso da palavra árabe wali, plural awliya, da raiz WLY. De um ponto estritamente etimológico, os verdadeiros equivalentes dos termos santo ou santidade deveriam ser formados pela raiz árabe QDS, que expressa a ideia de pureza, inviolabilidade e assim corresponde ao grego hagios e ao latim sanctus (e hebreu qadosh); ou ainda à raiz HRM, que exprime uma noção distinta em princípio (aquela de «sacralização», que traduz o hieros grego e o sacer latino) mas que na prática não distingue tanto de santidade. O sentido primeiro da raiz WLY é aquele de proximidade, de contiguidade; de onde derivam duas famílias de significação: «ser amigo», por um lado, «governar, dirigir, assumir» por outro. O wali é portanto o «amigo», aquele que está próximo mas também «aquele que assiste», aquele que rege. ( Michel Chodkiewicz: Selo dos Santos )
Já te disse mais de uma vez, que pelo Comando Todo Mui Gracioso de Nossa Infinitude Pai Comum Oniamante, Nossos Cósmicos Altíssimos Indivíduos Muito Mais Santificados por vezes atualizam dentro da presença de alguns entes tricerebrais terrestres, uma concepção definitiva de um Indivíduo sagrado a fim de ele, tendo se tornado um ente terrestre com tal presença, possa aí in loco orientar-se e dar ao processo da existência-esseral ordinária deles uma tal direção nova correspondente, graças a qual, as consequências já cristalizadas das propriedades do órgão Kundabuffer, assim como as predisposições de tais novas cristalizações, possam talvez ser removidas das presenças deles. (GURDJIEFF: Ashiata Shiemash)
El «hombre sagrado» no posee una mente propia y fija. Hace de las mentes de los demás su propia mente”. ( A este principio se refiere el aforismo: ) «Trato como buenos a quienes lo son, pero trato de igual manera a quienes no lo son. ( Adopto esta actitud ) porque la naturaleza original del hombre es la bondad. Trato como leales a quienes son leales, pero trato de igual manera a quienes no lo son. ( Adopto esta actitud ) porque la naturaleza original del hombre es la lealtad.
Así, el «hombre sagrado», mientras vive en este mundo, mantiene su mente bien abierta y «caotiza» su propia mente respecto a todas las cosas.
La gente se esfuerza en ver y oír ( para distinguir entre las cosas ). El «hombre sagrado», en cambio, mantiene sus ojos y oídos ( libres ) como los de un recién nacido. ( Lao Tzu, Tao Te Ching 49 )
Roberto Pla: Evangelho de Tomé – Logion 48 (“Consagrados” significa separados para Deus, santificados.)
Adin Steinsaltz (Adin Even Yisrael): Steinsaltz Santidade
agathon|tò agathón