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SENTIDOS INTERNOS

Os sentidos externos atingem apenas os sensíveis próprios ou comuns, e somente em sua presença. Ora, a experiência manifesta que nossa atividade de conhecimento sensível estende-se além desta percepção imediata dos objetos. Conservamos nossas sensações e podemos espontaneamente reproduzi-las; por outra parte, podemos compará-las, associá-las ou referi-las às necessidades práticas do sujeito. O conjunto destas atividades requer evidentemente outros poderes além dos simples sentidos externos: são os sentidos internos.

Conforme seu costume, Tomás de Aquino esforçou-se por dar uma justificação a priori da existência destes sentidos (cf. Ia Pa, q. 78, a. 4). Duas razões principais parecem motivá-lo. O animal perfeito, antes de tudo, devendo deslocar-se para atender às suas necessidades, deve ser capaz de representar a si mesmo os objetos sensíveis, mesmo quando não estão presentes. Por outra parte, para que possa discernir o que lhe convém e o que não lhe convém, é necessário que tenha um certo sentido do útil e do nocivo, sentido este que não pode ser reduzido à percepção externa do objeto. É assim que, retomando o exemplo antigo, a ovelha foge vendo o lobo, não porque a cor ou a forma deste animal desagrade seu olhar, mas porque vê que é seu inimigo. Tais arrazoados merecem consideração. Na realidade, o discernimento dos sentidos internos origina-se antes da análise do dado do conhecimento sensível, o qual manifesta “razões objetivas” que não são redutíveis às razões dos sentidos externos. Como em todos os casos semelhantes, convém reconhecer tantas potências especiais quantos objetos novos especificamente distintos. O peripatetismo enumera Quatro, aos quais correspondem os quatro sentidos internos: “sensus communis”, imaginação, estimativa e memória.

Aristóteles estudou esta questão dos sentidos internos no De anima (III, c. 1-3) e no De Memoria et Reminiscentia. Tomás de Aquino comentou estes textos e deu uma visão sintética de seu conteúdo na Summa Theologica ( Ia Pa, q. 78, a. 4) e nas Quaest. Disp. De anima (a, 13) . Em todas as elaborações destas exposições, de aparência um tanto convencional e rígida, esconde-se uma grande riqueza de observações e uma verdadeira fineza de discernimento psicológico. (Cf. texto III, Sentidos internos e sentidos externos, pág. 193) .

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