ORGANON
(gr. organon; lat. organum).
esse foi o título dado pelos comentadores gregos ao conjunto das obras lógicas de Aristóteles: categorias, Sobre a interpretação, Analíticos primeiros (dois livros), Analíticos segundos (dois livros); Tópicos (oito livros) e Reputações sofísticas. Duas outras vezes o nome órganon aparece como título de livro: Novum Organum (1620), de Francis Bacon, que contrapôs explicitamente sua lógica à lógica aristotélica, e Neues organon (1764) de J. H. Lambert, filósofo iluminista alemão com quem Kant manteve importante correspondência. O uso desse título, porém, não tem relação exata com a tarefa atribuída à lógica.
O Organon de Aristóteles compreende toda uma série de livros consagrados ao raciocínio, dividindo-se esses livros segundo consideram essa operação do espírito sob o ponto de vista da matéria.
Os Primeiros Analíticos tratam ex professo do raciocínio formal. Esse raciocínio é para Aristóteles essencialmente o silogismo ou dedução. Porém em várias passagens ele apresenta um outro tipo de raciocínio, a indução, estudado muito rapidamente mas sobre o qual os modernos se deterão, com interesse. Uma exposição completa da lógica formal do raciocínio deve, portanto, comportar duas secções que tratem respectivamente do silogismo e da indução.
Os Segundos Analíticos, os Tópicos, a Refutação dos sofismas e, analogicamente, a Retórica, tratam das condições materiais do raciocínio. O primeiro destes livros estuda a demonstração científica, aquela que, partindo de premissas certas, chega a uma conclusão certa; o segundo trata da demonstração provável, a qual, não repousando senão em premissas prováveis, não pode conduzir senão a uma conclusão igualmente provável. A Refutação dos sofismas considera especialmente os raciocínios que, tendo a aparência da verdade, são entretanto falsos, seja em razão de vícios de forma, seja por defeitos devidos à matéria. S. Tomás resume tudo isso neste texto dos Segundos Analíticos (I, 1. I, n. 5)
“Há, com efeito, um processo da razão que conduz ao necessário, no qual não é possível que haja falsificação da verdade: é por esse processo que se atinge a certeza da ciência. Há um outro, cuja conclusão é verdadeira na maioria dos casos, sem que, todavia, haja necessidade. Há, finalmente, um terceiro em que a razão se afasta da verdade por haver negligenciado algum princípio que seria necessário levar em conta.”
