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NATURALISMO E CONVENCIONALISMO

Com Demócrito é tematizada a oposição entre naturalismo (a significação na linguagem é natural) e convencionalismo (a significação na linguagem é convencional). Essa oposição se tornou clássica no Crátilo de Platão, em que Hermógenes defende a tese convencionalista, e Crátilo a do naturalismo. Proclo declara: “Pitágoras e Epicuro compartilham a tese de Crátilo, Demócrito e Aristóteles a de Hermógenes.” Para Pitágoras, os nomes existem por natureza, porque, segundo ele, é a alma, derivando do intelecto, que impõe os nomes às diversas realidades. A alma daria os nomes segundo as representações que ela tem das coisas. Pitágoras é, provavelmente, influenciado nesse ponto pelo paralelo das cifras e dos números ideais. Demócrito, defendendo a tese convencionalista, é levado a discernir várias relações e fenômenos semânticos importantes: a homonímia, a polinímia, a mudança de nomes (ou metonimia, segundo Demócrito), a falta de derivado (ou anonimía, sempre segundo Demócrito). Todos esses fenômenos põem em xeque, evidentemente, a correspondência biunívoca entre coisas e nomes que o naturalismo defende, mas mais importante talvez seja o fato de que se trata de um dos mais antigos atestados de uma teoria das relações semânticas. Se Górgias defendia uma tese sobre a verdade — a impossibilidade de um discurso verdadeiro — Demócrito defende uma tese sobre a referência: a variedade das relações semânticas não deixa pensar a linguagem como um duplo do real.

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