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HIPÓCRATES

Hipócrates é o “herói fundador” da medicina científica. Infelizmente, estamos muito mal informados sobre a sua vida. Parece que ele viveu na segunda metade do século V e nas primeiras décadas do século IV a.C. (conjecturalmente, alguns propõem as datas de 460-370 a.C, mas são datas aleatórias). Hipócrates foi o chefe da escola de Cós e ensinou medicina em Atenas, onde Platão e Aristóteles o consideraram como o paradigma do grande médico. Ele ficou tão famoso que a antiguidade nos legou sob o seu nome não apenas as suas obras, mas também todas as obras de sua escola e, melhor dizendo, todas as obras de medicina dos séculos V e TV. E assim nasceu aquilo que é designado como corpus Hippocraticum, constituído por mais de cinquenta tratados, que representa a mais imponente documentação antiga de caráter científico que chegou até nossas mãos.

Os livros que podem ser atribuídos com uma certa margem de probabilidade a Hipócrates ou que podem ser considerados reflexos de seu pensamento, são: A medicina antiga, que é uma espécie de manifesto que proclama a autonomia da arte médica; O mal sagrado, que é uma polêmica contra a mentalidade da medicina mágico-religiosa; O prognóstico, que constitui a descoberta da dimensão essencial da ciência médica; Sobre as águas, os ventos e os lugares, na qual são evidenciados os laços entre doenças e meio ambiente; as Epidemias, que são uma formidável coletânea de casos clínicos; os famosos Aforismos e o célebre Juramento, do qual falaremos adiante.

Como a criação da medicina hipocrática marca o ingresso de uma nova ciência na área do saber científico e como Sócrates e Platão foram amplamente influenciados pela medicina, que, nascida da mentalidade filosófica, estimulou a especulação filosófica, por seu turno, devemos falar mais em pormenores sobre as maiores obras do Corpus Hippocraticum. A esse respeito, é ainda Jaeger quem escreve: “Não se está exagerando quando se diz que a ciência ética de Sócrates, que ocupa o centro da disputa nos diálogos platônicos, não teria sido possível ser pensada sem o modelo da medicina, à qual Sócrates se remete tão frequentemente. A medicina lhe era mais afim do que qualquer outro ramo do conhecimento humano então conhecido, inclusive a matemática e as ciências naturais.”

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