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FILOSOFIA PATRÍSTICA

Entende-se por filosofia patrística o conjunto de ideias filosóficas da época patrística, isto é, dos Padres da Igreja e da antiguidade cristã. A Filosofia patrística não possui unidade sistemática nem histórico-evolutiva, mas assume importância histórico-filosófica, como preparação da escolástica. As ideias filosóficas estão entranhadas na vida cristã e na penetração teológica do patrimônio da , no qual encontram sua norma. Só em poucos autores, nomeadamente em S. Agostinho, adquirem ampla elaboração autônoma.

O cristianismo, a princípio, não tinha necessidade alguma de atuação filosófica, no que respeita à fé na revelação divina feita por Cristo. A situação variou, quando se fez sentir a necessidade de defender (apologistas) a doutrina cristã perante os que lhe eram estranhos, e de modo peculiar perante as pessoas cultas. Na polêmica travada contra o politeísmo, utilizaram-se ideias da filosofia antiga, ideias porém que eram, ao mesmo tempo, rejeitadas como fundamento suficiente da vida. Novo contacto com a filosofia, ofereceu-o a polêmica da Igreja com a balbuciante especulação religiosa do gnosticismo. Este não se satisfazia com a simples crença dos cultos religiosos (dos judeus, dos pagãos, dos cristãos), mas pretendia ascender, por sobre eles, à gnose, ao saber especulativo. Ao sincretismo e simbolismo (símbolo) fantasioso da “falsa” gnose opôs Clemente de Alexandria a gnose “verdadeira”, uma combinação da filosofia grega com a tradição cristã, que, apropriando-se os recursos conceptuais filosóficos e transformando-os, se propõe chegar a uma dogmática especulativa e sistemática. Foi Orígenes quem pela primeira vez a elaborou. Embora repelida em muitos pontos pela consciência eclesiástica, continuou ela sendo o princípio dominante da união de teologia e filosofia, que, através de S. Agostinho, passou para a escolástica.

0 cristianismo repudiou sempre o epicurismo e o ceticismo. Aristóteles, cuja escola se entregou de preferência a atividades literárias eruditas, exerceu também pouca influência sobre a filosofia patrística. As fontes desta são principalmente o estoicismo, o platonismo, a filosofia religiosa de Fílon e, mais que tudo, o neoplatonismo, as doutrinas do qual não foram entanto aceitas sem prévia seleção eprofunda remodelação. Historicamente eficaz foi a filosofia patrística principalmente na forma que S. Agostinho lhe deu (augustinismo). — Brugger.

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