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ADMIRAÇÃO

(gr. thaumazein; lat. Admiratio; in. Wonder; fr. Admiration; al. Bewunderung, Staunen; it. Ammirazionè).

Segundo os antigos, a admiração é o princípio da Filosofia. Diz Platão: “Essa emoção, essa admiração é própria do filósofo; nem tem a filosofia outro princípio além desse; e quem afirmou que íris é filha de Taumas a meu ver não errou na genealogia” (Teet., 11,155 d). E Aristóteles: “Devido à admiração os homens começaram a filosofar e ainda agora filosofam: de início começaram a admirar as coisas que mais facilmente suscitavam dúvida, depois continuaram pouco a pouco a duvidar até das coisas maiores, como, p. ex., das modificações da lua e do que se refere ao sol, às estrelas e à geração do universo. Aquele que duvida e admira sabe que ignora; por isso, o filósofo é também amante do mito, pois o mito consiste em “coisas admiráveis” (Met., I, 2, 982 b 12 ss.). No princípio da Idade moderna, Descartes exprimiu o mesmo conceito: “Quando se nos depara algum objeto insólito, que julgamos novo ou diferente do que conhecíamos antes ou supúnhamos que fosse, admiramos esse objeto e ficamos surpresos; e como isso ocorre antes que saibamos se o objeto nos será ou não útil, a admiração me parece a primeira de todas as paixões; e não tem oposto porque, se o objeto que se apresenta não tem em si nada que nos surpreenda, não somos afetados por ele e o consideramos sem paixão” (Pass. de l’âme, II, 53). Nesse ponto, a diferença entre Descartes e Spinoza é grande: Spinoza considerou a admiração apenas como a imaginação de algo a que a mente permanece atenta por ser algo desprovido de conexão com outras coisas (Et, III, 52 e escol.) e recusou-se a considerá-la como uma emoção primária e fundamental, e muito menos como uma emoção filosófica que esteja na origem da filosofia. A única atitude filosófica, para ele, é o amor intelectual a Deus, a contemplação imperturbável e bem-aventurada da conexão necessária de todas as coisas na Substância Divina. Para Aristóteles e para Descartes, a admiração é, ao contrário, a atitude que está na raiz da dúvida e da investigação: é tomar consciência de não compreender o que se tem à frente, que, mesmo sendo familiar, sob outros aspectos revela-se, a certa altura, inexplicável e maravilhoso. Kant falava da admiração a propósito da finalidade da natureza, porquanto esta é inexplicável com os conceitos do intelecto (Crtt. do Juízo, § 62). Por sua vez, Kierkegaard definia a admiração como “o sentimento apaixonado pelo devir” e a reputava própria do filósofo que considera o passado, como um sinal da não-necessidade do passado. “Se o filósofo não admira nada (e como poderia, sem contradição, admirar uma construção necessária?), é por isso mesmo estranho à história, já que, onde quer que entre em jogo o devir (que certamente é no passado), a incerteza do que seguramente se transformou (a incerteza do devir) só pode exprimir-se por meio dessa emoção necessária ao filósofo e própria dele” (Philosophische Brocken, p. IV, § 4). Whitehead disse: “A filosofia nasce da admiração” (Nature and Life, 1934, 1).

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