gr. φάντασμα (phantasma)
A nossa vida corresponde a uma posição meramente passiva, permitindo apenas, à partida, um acolhimento dos fantasmas das coisas, um acesso de «terceira geração» à natureza essencial (φύσις ) de cada uma delas e de todas elas no seu todo. É verdade que essas aparições de alguma forma nos fazem lembrar a própria natureza delas, mas nós corremos o perigo de substituirmos cada coisa na sua autenticidade pelo modo inautêntico como ela nos surge, sem de fato a vermos face a face . Deste modo, a nossa vida assenta sobre uma perspectiva idêntica à dos pintores, uma vez que de cada coisa só temos o seu aspecto exterior. Uma coisa é sempre reproduzida procede do mesmo modo para todas as coisas. Ela não vai imitar com relação ao ser, tal como ele é, mas relativamente ao φαινόμενον , como φαίνεται (Rep., 598b1). Ela é uma imitação de um φάντασμα e não da ἀλήθεια . A técnica de desenho retrata o que nós mesmos vemos. Ela tem em vista uma apresentação não da verdade de um determinado objecto, mas antes da aparição: do phantasma, daquilo que surge ao olhar sem ser o seu próprio ser. Ela mesma não é uma imitação, uma apresentação da verdade, mas antes da aparição, daquilo que nos surge ao olhar.] e nunca dada a ver na sua verdadeira natureza, permanecendo a aparição [φάντασμα ou εἴδωλον (eidolon)] e a verdade (ἀλήθεια) de cada coisa [Nós podíamos estar numa perspectiva de tal forma imbecil e não conseguiríamos produzir a «síntese» entre o fantasma e aquilo que ele de alguma forma reproduz.] numa indistinção fundamental. [CaeiroArete:62-63]