FISIONOMIA

Igualmente perturbadora é a aplicação da razão na compreensão da fisionomia: pois também esta tem de se dar imediatamente pelo entendimento: diz-se que a expressão do rosto, o significado das feições, deixa-se apenas sentir, vale dizer, é refratária aos conceitos abstratos. Cada pessoa tem a sua imediata e intuitiva fisiognomonia e patognomonia: embora uns possam conhecer mais claramente que outros essa signatura rerum . Não está ao nosso alcance ensinar e aprender in abstracto uma fisiognomonia porque as nuances são aqui tão sutis que conceito algum tem flexibilidade para lhes corresponder. Consequentemente, o saber abstrato está para tais nuances como uma imagem de mosaico está para um quadro de Van der Werf ou Denner: assim como, por mais Bem executado e primoroso que seja um mosaico, sempre permanecem espaços entre as suas pedras, impossibilitando a transição contínua de uma cor a outra, assim também os conceitos, com sua fixidez e limites acurados, por mais detalhados que sejam em sua determinação, mostram-se incapazes de alcançar as modificações sutis do que é intuível – que é justamente o ponto de que se trata quando tomamos a fisiognomonia como exemplo. [Schopenhauer, MVR1:107]