===== ZENÃO ===== Zenão de Cicio (c.334-262 a.C.) [[lexico:f:filosofo:start|Filósofo]] [[lexico:g:grego:start|grego]], fundador do "[[lexico:e:estoicismo:start|estoicismo]]; originário de Chipre, estudou em Atenas, onde por volta do ano 300 a.C. fundou a [[lexico:e:escola:start|escola]] estoica. Suas obras se perderam e seu [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] é conhecido sobretudo através de seu discípulo Crisipo. ZENÃO DE ELÉIA, filósofo grego (nascido em Eleia entre 490 e 485 a.C). Membro da escola de Eleia e discípulo de [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]], negou a [[lexico:r:realidade:start|realidade]] do [[lexico:m:movimento:start|movimento]]: pretendeu provar seu [[lexico:c:carater:start|caráter]] ilusório e suas contradições nos argumentos da "[[lexico:f:flecha:start|flecha]]" ou de "[[lexico:a:aquiles-e-a-tartaruga:start|Aquiles e a tartaruga]]", que se tornaram célebres. (V. [[lexico:a:argumento:start|argumento]] de [[lexico:a:aquiles:start|Aquiles]], [[lexico:h:historico:start|histórico]].) As teorias de Parmênides devem [[lexico:t:ter:start|ter]] causado grande estupor e suscitado vivas polêmicas. Mas como, partindo do [[lexico:p:principio:start|princípio]] já exposto, as consequências se impõem necessariamente e, portanto, suas teorias tornam-se irrefutáveis, os adversários preferiam adotar [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:c:caminho:start|caminho]], isto é, mostrar no [[lexico:c:concreto:start|concreto]], com exemplos [[lexico:b:bem:start|Bem]] evidentes, que o movimento e a [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]] são inegáveis. E [[lexico:q:quem:start|quem]] procurou responder a essas tentativas foi Zenão, nascido em Eleia entre o [[lexico:f:fim:start|fim]] do século VI e o princípio do século V a.C. Zenão foi um [[lexico:h:homem:start|homem]] de [[lexico:n:natureza:start|natureza]] [[lexico:s:singular:start|singular]], tanto na doutrina como na [[lexico:v:vida:start|vida]]. Lutando pela [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] contra um tirano, foi aprisionado. Submetido à tortura para confessar os nomes dos companheiros com os quais havia tramado o complô, cortou a [[lexico:l:lingua:start|língua]] com os próprios dentes e a cuspiu na face do tirano. Já uma variante da [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] diz que ele denunciou os mais fiéis partidários do tirano e, desse [[lexico:m:modo:start|modo]], fez com que fossem eliminados pela própria mão do tirano, que, assim, se auto-isolou e se auto-derrotou. Essa narração reflete maravilhosamente o procedimento dialético que Zenão seguiu em [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]]. Infelizmente, de seu livro só nos chegaram alguns fragmentos e testemunhos. Assim, Zenão enfrentou de peito [[lexico:a:aberto:start|aberto]] as refutações dos adversários e as tentativas de colocar Parmênides no ridículo. O procedimento por ele adotado consistiu em fazer [[lexico:v:ver:start|ver]] que as consequências derivadas dos argumentos apresentados para refutar Parmênides eram ainda mais contraditórias e ridículas do que as teses que visavam refutar. Ou seja, Zenão descobriu a [[lexico:r:refutacao:start|refutação]] da refutação, isto é, a [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]] por [[lexico:a:absurdo:start|absurdo]]: mostrando o absurdo em que caíam as teses opostas ao [[lexico:e:eleatismo:start|eleatismo]], estava defendendo o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] eleatismo. Desse modo, Zenão fundou o [[lexico:m:metodo:start|método]] da [[lexico:d:dialetica:start|dialética]], usando-o com tal habilidade que maravilhou os antigos. Os seus argumentos mais conhecidos são os que refutam o movimento e a multiplicidade. Comecemos pelos primeiros. Pretende-se (contra Parmênides) que, movendo-se de um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida, um [[lexico:c:corpo:start|corpo]] pode alcançar uma meta estabelecida. No, entanto, isso [[lexico:n:nao:start|não]] é [[lexico:p:possivel:start|possível]]. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], antes de alcançar a meta, tal corpo deveria percorrer a metade do caminho que deve percorrer e, antes disso, a metade da metade e, antes, a metade da metade da metade e assim por diante, ao [[lexico:i:infinito:start|infinito]] (a metade da metade da metade... nunca chega ao [[lexico:z:zero:start|zero]]). [[lexico:e:esse:start|esse]] é o primeiro argumento, [[lexico:c:chamado:start|chamado]] da "[[lexico:d:dicotomia:start|dicotomia]]". Não menos famoso é o de "Aquiles", o qual demonstra que Aquiles, conhecido por [[lexico:s:ser:start|ser]] "o pé veloz", nunca poderá alcançar a tartaruga, conhecida por ser muito lenta. Com efeito, se se admitisse o oposto, se apresentariam as mesmas dificuldades vistas no argumento anterior, só que de modo [[lexico:d:dinamico:start|dinâmico]], ao invés de [[lexico:e:estatico:start|estático]]. Um [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] argumento, chamado "da flecha", demonstrava que uma flecha atirada por um arco, que a [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] comum crê [[lexico:e:estar:start|estar]] em movimento, na realidade está parada. Com efeito, em cada um dos instantes em que o [[lexico:t:tempo:start|tempo]] de vôo é divisível a flecha ocupa um [[lexico:e:espaco:start|espaço]] [[lexico:i:identico:start|idêntico]]; mas aquilo que ocupa um espaço idêntico está em repouso; então, se a flecha está em repouso em cada um dos instantes, deve estar também na [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] (na [[lexico:s:soma:start|soma]]) de todos os instantes. Um quarto argumento tendia a demonstrar que a velocidade, considerada como uma das propriedades essenciais do movimento, não é algo [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]], mas sim [[lexico:r:relativo:start|relativo]] e, que, portanto, o movimento de que é a [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] também é relativo e não objetivo. Não menos famosos foram os seus argumentos contra a multiplicidade, que levaram ao primeiro [[lexico:p:plano:start|plano]] a dupla de [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] múltiplos, que em Parmênides estava mais implícita do que explícita. Na maior [[lexico:p:parte:start|parte]] dos casos, esses argumentos visavam demonstrar que, para haver a multiplicidade, deveria haver muitas unidades ([[lexico:d:dado:start|dado]] que a multiplicidade é precisamente multiplicidade de unidades). Mas o [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]] (contra a [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] e os dados fenomênicos) demonstra que tais unidades são impensáveis, porque comportam insuperáveis contradições, sendo portanto absurdas e, por isso, não podem [[lexico:e:existir:start|existir]]. Eis, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], um dos argumentos que demonstra em que [[lexico:s:sentido:start|sentido]] são absurdas essas unidades que deveriam constituir o [[lexico:m:multiplo:start|múltiplo]]: "Se os seres são múltiplos, é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] que eles sejam tantos quantos são, nem de mais, nem de menos; ora, se eles são tantos quantos são, devem ser finitos; mas, se são múltiplos, os seres também são infinitos; com efeito, entre um e outro desses seres, haverá sempre outros seres pelo [[lexico:m:meio:start|meio]] e entre um e outro destes haverá outros ainda (porque qualquer [[lexico:c:coisa:start|coisa]] que esteja entre uma coisa e outra é sempre divisível ao infinito); assim, os seres são infinitos." Um outro argumento [[lexico:i:interessante:start|interessante]] negava a multiplicidade baseando-se sobre o [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] contraditório que muitas [[lexico:c:coisas:start|coisas]] juntas têm em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a cada uma delas (ou parte de cada um). Por exemplo: caindo, muitos grãos fazem barulho, ao passo que um grão só (ou parte dele) não faz. Mas, se o [[lexico:t:testemunho:start|testemunho]] da experiência fosse veraz, tais contradições não poderiam [[lexico:s:subsistir:start|subsistir]] e um grão deveria fazer barulho (na devida proporção) como fazem muitos grãos. Longe de serem [[lexico:s:sofismas:start|sofismas]] vazios, esses argumentos constituem poderosos empinos do [[lexico:l:logos:start|Logos]], que procura contestar a própria experiência, proclamando a [[lexico:o:onipotencia:start|onipotência]] de sua [[lexico:l:lei:start|lei]]. E logo teremos oportunidade de verificar quais foram os benéficos efeitos desses empinos do logos. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}