===== TEORIA PLATÔNICA DAS IDEIAS ===== Esta [[lexico:c:conviccao:start|convicção]] [[lexico:m:moral:start|moral]] e profunda e esta [[lexico:i:ideia:start|ideia]] do [[lexico:c:conceito:start|conceito]], [[lexico:p:platao:start|Platão]] as toma de [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]]. Mas imediatamente estende, amplifica o [[lexico:u:uso:start|uso]] do conceito, já [[lexico:n:nao:start|não]] somente para a [[lexico:g:geometria:start|geometria]], não somente para as [[lexico:v:virtudes:start|virtudes]], como Sócrates, mas, em [[lexico:g:geral:start|geral]], para a [[lexico:c:coisa:start|coisa]] em geral. Converte, pois, Platão, o conceito no [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] para a [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] do qualquer coisa em geral, e imediatamente põe em [[lexico:r:relacao:start|relação]] essa contribuição socrática com os ensinamentos recebidos de [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]]; une a ideia de conceito, de [[lexico:l:logos:start|Logos]], com a ideia de "[[lexico:s:ser:start|ser]]" e com os atributos do ser parmenídico, e daí resulta exatamente a solução peculiar de Platão ao [[lexico:p:problema:start|problema]] metafísico, sua [[lexico:t:teoria:start|teoria]] das [[lexico:i:ideias:start|ideias]]. Veja-se uma passagem de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] em que explica como Platão chegou à sua [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], como Platão chegou ao seu [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:s:sistema:start|sistema]]. Diz Aristóteles: "A ocupação de Sócrates com os objetos éticos e não com a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] em geral, procurando naqueles objetos éticos o que tem de geral e encaminhando sua [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] principalmente às definições, induziu a Platão, que o seguia, a opinar que a [[lexico:d:definicao:start|definição]] tinha como [[lexico:o:objeto:start|objeto]] algo distinto do [[lexico:s:sensivel:start|sensível]]." Eis aqui a [[lexico:u:uniao:start|união]] entre o [[lexico:m:metodo:start|método]] [[lexico:s:socratico:start|socrático]] de buscar o logos, com a ideia parmenídica de que o ser não é o sensível; e esta união dá por resultado a [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] de Platão, que culmina na sua famosa teoria das ideias, que vou expor [[lexico:a:agora:start|agora]] em poucas [[lexico:p:palavras:start|palavras]]. Também Platão, como Parmênides e como [[lexico:t:todo:start|todo]] metafísico em geral, de Qualquer [[lexico:e:epoca:start|época]] que for, [[lexico:p:parte:start|parte]] da [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]]: [[lexico:q:quem:start|quem]] existe? quem é o ser? Mas Platão já está de sobreaviso. Já descobriu o [[lexico:e:erro:start|erro]] que tinha cometido Parmênides ao confundir o "que existe?" com aquilo que o que existe é, ao confundir a [[lexico:e:existencia:start|existência]] com a [[lexico:e:essencia:start|essência]]. E como está de sobreaviso, não comete o mesmo erro, mas antes, pelo contrário, distingue já claramente entre a metafísica como teoria da existência e a metafísica como teoria da [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]] em geral. Já existe em Platão, por conseguinte, embora muito Intimamente unidas e não fáceis de separar — uma teoria da existência e uma teoria da objetividade, uma [[lexico:t:teoria-do-objeto:start|teoria do objeto]], uma verdadeira [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]], [[lexico:a:alem:start|além]] da metafísica. A ontologia de Platão está muito clara. Relembremos o logos de Sócrates, a definição do conceito que abrange uma porção da [[lexico:r:realidade:start|realidade]], da mesma [[lexico:f:forma:start|forma]] que a [[lexico:f:figura:start|figura]] "[[lexico:t:triangulo:start|triângulo]]" abrange uma porção de formas que se dão na realidade visível e [[lexico:t:tangivel:start|tangível]]. Que é, pois, este logos? Platão o analisa e encontra que [[lexico:e:esse:start|esse]] logos é uma [[lexico:u:unidade:start|unidade]] sintética, uma união na qual estão reunidos, atados, formando uma [[lexico:s:sintese:start|síntese]] indissolúvel, uma porção de entes ou de [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]]. Pois [[lexico:b:bem:start|Bem]]: essa união, essa unidade dos caracteres que definem um objeto recortado na realidade, a essência desse objeto, ou, se se quiser, a [[lexico:c:consistencia:start|consistência]], unida numa unidade indissolúvel, se a contemplamos agora com uma [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] direta do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] e logo conferimos a essa unidade a realidade [[lexico:e:existencial:start|existencial]], essa é a ideia, segundo Platão. Agora vamos [[lexico:e:explicar:start|explicar]], um por um, os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] dessa ideia. Em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]] a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] "ideia" é um neologismo de Platão. A [[lexico:s:situacao:start|situação]] dos filósofos, que começavam a filosofar há vinte e cinco séculos, era difícil, porque não tinham a seu dispor [[lexico:t:terminologia:start|terminologia]] nenhuma. Para nós é muito [[lexico:s:simples:start|simples]]: puxamos a gaveta da [[lexico:h:historia:start|história]], e desde Platão até aqui temos uma enormidade de termos para dizer o que queremos dizer. Mas então não havia mais que os termos do idioma usual. Daí, os filósofos lançarem mão de dois recursos: um, tomar do idioma usual um [[lexico:t:termo:start|termo]] e dar-lhe [[lexico:s:sentido:start|sentido]] filosófico; o [[lexico:o:outro:start|outro]] recurso consiste em forjar um termo novo. Isto fez Platão ao forjar a palavra "ideia": formou-a com uma [[lexico:r:raiz:start|raiz]] de um [[lexico:v:verbo:start|verbo]] [[lexico:g:grego:start|grego]] que significa "[[lexico:v:ver:start|ver]]". De [[lexico:m:modo:start|modo]] que "ideia", realmente, significa [[lexico:v:visao:start|visão]], [[lexico:i:intuicao-intelectual:start|intuição intelectual]]. Isso é exatamente o que significa ideia. Mas a ideia é uma intuição intelectual do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] que a intui. Deixemos agora o sujeito que a intui e tomemos a ideia em si mesma, ela, a intuída nessa visão, o objeto da visão, e então a ideia é duas [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. Em primeiro lugar, unidade, reunião indissolúvel, amálgama de todos os caracteres de uma coisa, definição dos seus caracteres, a essência deles, o que [[lexico:e:eu:start|eu]] denomino a consistência. E em segundo lugar Platão confere a isto existência [[lexico:r:real:start|real]]. De modo que as ideias são as [[lexico:e:essencias:start|essências]] existentes das coisas do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] sensível. Cada coisa no mundo sensível tem sua ideia no mundo [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]], e então aplica Platão sem rodeios a cada uma dessas unidades que chama "ideia" os caracteres que Parmênides aplica ao ser em geral. Quer dizer: uma ideia é sempre uma. Há muitas ideias. O mundo das ideias está cheio de ideias, porém cada ideia é uma unidade absolutamente indestrutível, imóvel, imutável, intemporal, eterna. Essa ideia é, ademais, o [[lexico:p:paradigma:start|paradigma]] (é palavra platônica), o [[lexico:m:modelo:start|modelo]] [[lexico:e:exemplar:start|exemplar]] ao qual as coisas que vemos, ouvimos e tocamos, se ajustam imperfeitamente. A melhor maneira de explicar essa relação de [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] imperfeita entre as coisas e as ideias consiste em relembrar que uma das [[lexico:o:origens:start|origens]] de tudo isto está na geometria. As coisas forçosamente têm que [[lexico:t:ter:start|ter]] uma figura geométrica, mas a têm imperfeita. As coisas são quadrados, quadriláteros. Mas é um quadrilátero [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]] esta lousa? De modo algum. Não é preciso mais que aproximar-se para ver que os lados não são retos; está muito torto. Se está muito bem feito e à primeira vista não parece torto, aproxime-se mais e se verão os defeitos. Não há nenhuma coisa que seja na sua figura perfeitamente ajustada à figura geométrica que pensa o geômetra. Pois, do mesmo modo, não há nenhum [[lexico:h:homem:start|homem]] realmente que seja absolutamente ajustado à ideia do homem. Não há nenhuma [[lexico:e:estatua:start|estátua]] realmente que seja absolutamente ajustada à ideia de [[lexico:b:beleza:start|beleza]]. Não há nenhum ser na natureza que seja absolutamente ajustado à sua ideia no mundo [[lexico:s:supra-sensivel:start|supra-sensível]]. A relação entre as coisas e as ideias é uma relação em que as coisas participam das essências ideais; porém não são mais que uma sombra, uma imperfeição dessas essências ideais. Num de seus [[lexico:d:dialogos:start|diálogos]], em A [[lexico:r:republica:start|República]], Platão compara os dois [[lexico:m:mundos:start|mundos]]: o mundo sensível e o mundo inteligível, ou, como ele o chama, o [[lexico:c:ceu:start|céu]], [[lexico:t:topos:start|topos]] uranos, o lugar celeste; compara-os às sombras que se projetariam no fundo de uma caverna escura se por diante da entrada dessa caverna passassem objetos iluminados pelo [[lexico:s:sol:start|sol]]. Do mesmo modo que entre as sombras projetadas por esses objetos e os objetos mesmos há um [[lexico:a:abismo:start|abismo]] de [[lexico:d:diferenca:start|diferença]], e, sem embargo, as sombras são em certo modo partícipes da realidade dos objetos que passam, desse mesmo modo os seres que contemplamos na nossa existência sensível, no mundo sensível, não são mais que sombras efêmeras, transitórias, imperfeitas, passageiras, reproduções ínfimas, inferiores, dessas ideias puras, perfeitas, eternas, imperecíveis, indissolúveis, imutáveis, sempre iguais a si mesmas, cujo conjunto forma o mundo das ideias. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}