===== TEORIA DO CONHECIMENTO ===== Em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] lato, a [[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]] (1), [[lexico:e:epistemologia:start|epistemologia]] ou gnoseolo-gia compreende tanto as investigações psicológicas sobre a produção e [[lexico:e:essencia-do-conhecimento:start|essência do conhecimento]] [[lexico:h:humano:start|humano]] quanto as investigações crítico-cognitivas acerca da [[lexico:v:validade:start|validade]] do mesmo; podemos até atribuir-lhe a [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]], que estuda o conhecer humano no contexto global do [[lexico:e:ente:start|ente]]. Como tal, é, de [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:g:geral:start|geral]], a [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] filosófica da validade objetiva de nosso conhecimento. Em [[lexico:c:contraposicao:start|contraposição]] à [[lexico:l:logica:start|lógica]], [[lexico:n:nao:start|não]] considera apenas as condições de validade fundamentadas nas [[lexico:r:relacoes:start|relações]] mútuas dos conteúdos do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], mas põe a [[lexico:q:questao:start|questão]] última e decisiva acerca da validade "objetiva" de ditos conteúdos, isto é, de sua validade relativamente ao [[lexico:o:objeto:start|objeto]]; ou, no caso de só o pensamento válido se denominar "conhecimento", a questão da [[lexico:p:possibilidade-do-conhecimento:start|possibilidade do conhecimento]] em geral. [[lexico:d:dado:start|dado]] que o [[lexico:d:desejo-de-saber:start|desejo de saber]] do [[lexico:h:homem:start|homem]], cuja [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] não tenha sido deformada, naturalmente se dirige ao ente, como objeto principal do conhecimento, e como, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, a validade do conhecimento do ente constitui a [[lexico:v:verdade:start|verdade]], e o [[lexico:s:saber:start|saber]] que versa sobre a verdade constitui a [[lexico:c:certeza:start|certeza]], o [[lexico:p:problema:start|problema]] pode antecipadamente [[lexico:s:ser:start|ser]] posto, de modo mais determinado, como problema da verdade e da certeza de nosso conhecimento. Sendo assim, a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] do conhecimento é a investigação filosófica da [[lexico:a:aptidao:start|aptidão]] de nossa [[lexico:r:razao:start|razão]] para a verdade e, ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]], dos limites do conhecimento: podemos nós, em geral, [[lexico:e:estar:start|estar]] certos da verdade de nosso pensamento ? e até que [[lexico:p:ponto:start|ponto]] se estende essa [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] ? Na [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] histórica da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], tais problemas não foram postos desde o [[lexico:p:principio:start|princípio]], mas a inquirição filosófica, ingenuamente confiante na [[lexico:f:forca:start|força]] da razão, voltou as atenções para o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] ente, e, só quando a confusa [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] de opiniões tornou patente a dificuldade da empresa, surgiu no [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] cognoscente a [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] sobre as condições da verdade e da certeza. Não faltaram na [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]] e na Idade Média investigações isoladas desta [[lexico:n:natureza:start|natureza]]; baste recordar a doutrina aristotélica da [[lexico:a:abstracao:start|abstração]], a [[lexico:r:refutacao:start|refutação]] que S. [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]], apelando para a [[lexico:a:autoconsciencia:start|autoconsciência]], faz do [[lexico:c:ceticismo:start|ceticismo]], e a controvérsia medieval sobre os [[lexico:u:universais:start|universais]]. Mas só na Idade [[lexico:m:moderna:start|moderna]], nomeadamente desde [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], se vem tratando, de modo coerente, da [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] dos problemas [[lexico:r:relativos:start|relativos]] a este assunto. Nos séculos XVII e XVIII, estas investigações são dominadas pela oposição entre [[lexico:r:racionalismo:start|racionalismo]] e [[lexico:e:empirismo:start|empirismo]]. O [[lexico:c:criticismo:start|criticismo]] de [[lexico:k:kant:start|Kant]] procura conciliar numa [[lexico:u:unidade:start|unidade]] interna tais opiniões antitéticas, mas abandonando parcialmente a concepção realista fundamental. Desde então a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] da teoria do conhecimento tem sido determinada, acima de tudo, pelo contraste entre [[lexico:r:realismo-e-idealismo:start|realismo e idealismo]]. O [[lexico:m:metodo:start|método]] empregado na investigação epistemológica significa já frequentemente uma [[lexico:d:decisao:start|decisão]] prévia em favor de determinada direção. Se, p. ex., se escolhe o método puramente [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]], isso significa, as mais das vezes, que a validade do conhecimento se faz depender, em última [[lexico:i:instancia:start|instância]], da [[lexico:n:normal:start|normal]] decorrência dos processos cognoscitivos; quer dizer, somos caídos no [[lexico:p:psicologismo:start|psicologismo]] e, consequentemente, no [[lexico:r:relativismo:start|relativismo]]. Pelo contrário, um método puramente [[lexico:l:logico:start|lógico]] (ou "[[lexico:t:transcendental:start|transcendental]]") que se propõe chegar a uma solução, mediante a [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:s:separacao:start|separação]] do [[lexico:n:necessario:start|necessário]] e do acidental nos conteúdos conscienciais, coincide intimamente com uma concepção idealista do conhecimento. Se a verdade pode ser captada no sentido realista em geral, então compete à teoria do conhecimento empenhar-se em encontrar um caso em que a concordância de [[lexico:p:pensar:start|pensar]] e ser seja vivida de modo [[lexico:i:imediato:start|imediato]], em que, por conseguinte, o próprio ente se manifeste diretamente. Muito antes de Descartes, já S. Agostinho viu que este caso [[lexico:s:singular:start|singular]] se verificava em nosso conhecimento do próprio ser, pensar e amar ( [[lexico:c:consciencia:start|Consciência]]). Nesta circunstância repousa a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] absoluta do "método introspectivo" para a teoria do conhecimento, ou seja, o método da [[lexico:o:observacao:start|observação]] interna. A teoria do conhecimento é fundamental para todas as ciências e também para as demais partes da filosofia, porque investiga as condições de validade de todas elas. Não [[lexico:d:disputa:start|disputa]] à metafísica seu posto de [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] fundamental, uma vez que, ao menos em seus setores principais, outra [[lexico:c:coisa:start|coisa]] não é senão a metafísica fundamental levada à [[lexico:e:esfera:start|esfera]] da consciência reflexa. A teoria do conhecimento recebe igualmente os nomes de: [[lexico:g:gnoseologia:start|gnoseologia]] ( = doutrina do conhecimento), [[lexico:n:noetica:start|noética]] (= doutrina do pensamento), epistemologia (= doutrina do saber) e [[lexico:c:criteriologia:start|criteriologia]] (= doutrina dos critérios, isto é, dos sinais característicos da verdade). — De Vries. A teoria do conhecimento é uma [[lexico:p:parte:start|parte]] da [[lexico:t:teoria-da-ciencia:start|Teoria da Ciência]]. Podemos defini-la como teoria material da ciência ou como teoria dos [[lexico:p:principios:start|princípios]] materiais do conhecimento humano. Enquanto a lógica investiga os princípios formais do conhecimento, as formas e leis gerais do pensamento humano, a teoria do conhecimento dirige-se aos pressupostos materiais mais gerais do [[lexico:c:conhecimento-cientifico:start|conhecimento científico]]. Enquanto a primeira prescinde da [[lexico:r:referencia:start|referência]] do pensamento aos objetos e considera o pensamento puramente em si, a segunda tem os olhos fixos justamente na referência objetiva do pensamento, na sua [[lexico:r:relacao:start|relação]] com os objetos. Enquanto a lógica [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] da correção [[lexico:f:formal:start|formal]] do pensamento, sobre sua concordância consigo mesmo, com suas próprias formas e leis, a teoria do conhecimento pergunta sobre a verdade do pensamento, sobre sua concordância com o objeto. Também podemos, por isso, definir a teoria do conhecimento como a teoria do pensamento [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]], por oposição à lógica, definida como a teoria do pensamento correto. Torna-se claro, assim, o [[lexico:s:significado:start|significado]] fundamental da teoria do conhecimento para [[lexico:t:todo:start|todo]] o [[lexico:c:campo:start|campo]] da filosofia. É com todo o [[lexico:d:direito:start|direito]] que ela será chamada de [[lexico:p:philosophia:start|philosophia]] fundamentalis, ciência filosófica fundamental. Costuma-se dividir a teoria do conhecimento em geral e especial. A primeira investiga a relação do pensamento com o objeto em geral. A segunda toma como objeto de uma investigação [[lexico:c:critica:start|crítica]] os axiomas e [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] fundamentais em que se exprime a referência de nosso pensamento aos objetos. Começaremos, naturalmente, com a [[lexico:a:apresentacao:start|apresentação]] da teoria geral do conhecimento. Antes, detenhamos brevemente nosso olhar sobre a [[lexico:h:historia:start|história]] da teoria do conhecimento. Como [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] filosófica [[lexico:i:independente:start|independente]], não se pode [[lexico:f:falar:start|falar]] de uma teoria do conhecimento nem na Antiguidade nem na Idade Média. Certamente, encontraremos numerosas reflexões epistemológicas na filosofia antiga, especialmente em [[lexico:p:platao:start|Platão]] e em [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]]. São, porém, investigações epistemológicas que ainda estão completamente embutidas em contextos psicológicos e metafísicos. É só na Idade Moderna que a teoria do conhecimento aparece como disciplina independente. O [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] inglês John [[lexico:l:locke:start|Locke]] deve ser considerado seu fundador. Sua principal [[lexico:o:obra:start|obra]], An Essay concerning Human Understanding, publicada em 1690, trata de modo [[lexico:s:sistematico:start|sistemático]] as questões referentes à [[lexico:o:origem:start|origem]], à [[lexico:e:essencia:start|essência]] e à certeza do conhecimento humano. No livro Nouveaux essais sur l’entendement humain, publicado postumamente em 1765, [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] tentou refutar o ponto de vista epistemológico de Locke. Na Inglaterra, George [[lexico:b:berkeley:start|Berkeley]], em sua obra A Treatise concerning the Principles of Human Knowledge (1710), e David [[lexico:h:hume:start|Hume]], em sua obra principal, A Treatise on Human Nature (1739/40) e em outra de menor [[lexico:d:dimensao:start|dimensão]], o Enquiry concerning Human Understanding (1748), continuaram edificando sobre a base dos resultados obtidos por Locke. Na filosofia continental, Immanuel Kant aparece como o verdadeiro fundador da teoria do conhecimento. Em sua principal obra epistemológica, a [[lexico:c:critica-da-razao-pura:start|Crítica da razão pura]] (1781), tentou fornecer uma fundamentação crítica ao conhecimento das ciências naturais. O método que usou foi [[lexico:c:chamado:start|chamado]] por ele próprio de "método transcendental". [[lexico:e:esse:start|esse]] método não investiga a [[lexico:g:genese:start|gênese]] psicológica do conhecimento, mas sua validade lógica. Não pergunta, à maneira do método psicológico, como surge o conhecimento, mas sim como é [[lexico:p:possivel:start|possível]] o conhecimento, sobre quais fundamentos, sobre quais pressupostos ele repousa. Em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] desse método, a filosofia de Kant também é chamada abreviadamente de [[lexico:t:transcendentalismo:start|transcendentalismo]] ou, ainda, de criticismo. Em [[lexico:f:fichte:start|Fichte]], o sucessor imediato de Kant, a teoria do conhecimento aparece pela primeira vez intitulada "teoria da ciência". Mas já apresenta aquele amálgama de teoria do conhecimento e metafísica que ganhará livre curso em [[lexico:s:schelling:start|Schelling]] e [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] e que também estará inconfundivelmente presente em [[lexico:s:schopenhauer:start|Schopenhauer]] e em [[lexico:h:hartmann:start|Hartmann]]. Em contraposição a esses tratamentos metafísicos da teoria do conhecimento, o [[lexico:n:neokantismo:start|neokantismo]], surgido na década de 1860, esforça-se por separar nitidamente o [[lexico:q:questionamento:start|questionamento]] metafísico do epistemológico. No entanto, o problema epistemológico foi tão vigorosamente empurrado para o primeiro [[lexico:p:plano:start|plano]] que a filosofia corria o perigo de reduzir-se à teoria do conhecimento. O neokantismo desenvolveu a teoria kantiana do conhecimento numa direção muito [[lexico:b:bem:start|Bem]] determinada. A unilateralidade de questionamento que isso provocou fez logo surgirem numerosas correntes epistemológicas contrárias. Vem daí estarmos hoje ante uma enorme [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] de direcionamentos epistemológicos, de que os mais importantes serão apresentados a seguir em conexão [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}