===== TECHNE ===== téchnê: ofício, habilidade, [[lexico:a:arte:start|arte]], [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] aplicada 1. Falando de um [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:g:geral:start|geral]], [[lexico:p:platao:start|Platão]] [[lexico:n:nao:start|não]] tem nenhuma [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da techne. Como sucede frequentemente, uma [[lexico:p:palavra:start|palavra]] que finaliza em [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] como um [[lexico:t:termo:start|termo]] técnico cuidadosamente definido e delimitado ainda é empregada por Platão de um modo popular e não técnico. O [[lexico:u:uso:start|uso]] contemporâneo de techne era descrever qualquer habilidade no fazer e, mais especificamente, uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de competência profissional oposta à [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] instintiva ([[lexico:p:physis:start|physis]]) ou ao mero [[lexico:a:acaso:start|acaso]] ([[lexico:t:tyche:start|tyche]]). E é exatamente com estes sentidos que Platão usa o termo (Republica 381c; Prot. 312b, 317c); em [[lexico:p:parte:start|parte]] alguma ele se preocupa com dar uma [[lexico:d:definicao:start|definição]] exata ou [[lexico:t:tecnica:start|técnica]] desta palavra cuja acepção comum lhe servia perfeitamente. 2. Onde a techne entra de [[lexico:f:fato:start|fato]] no [[lexico:d:discurso:start|discurso]] filosófico e técnico é no [[lexico:s:sofista:start|sofista]] e no [[lexico:p:politico:start|Político]]. Aqui Platão está preocupado em chegar à [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] do sofista e do estadista por [[lexico:m:meio:start|meio]] do [[lexico:m:metodo:start|método]] dialético (dtalektike) que consiste nos processos da coleção ([[lexico:s:synagoge:start|synagoge]]) e da [[lexico:d:divisao:start|divisão]] ([[lexico:d:diairesis:start|diairesis]]). Há aqui escassa [[lexico:e:evidencia:start|evidência]] de qualquer coleção, mas as divisões são elaboradas e, em certa [[lexico:m:medida:start|medida]], justapostas. Em ambos os casos começam cora a techne e, se [[lexico:b:bem:start|Bem]] que no Pol. 258b ele chame ao [[lexico:g:genero:start|gênero]] «[[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]» ([[lexico:e:episteme:start|episteme]]) subdividido, é evidente do contexto que se não refere ao uso técnico daquele termo tal como ele aparece, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], na [[lexico:a:analogia:start|analogia]] da Linha ([[lexico:v:ver:start|ver]] episteme), mas antes àquilo que ele previamente chamara techne. 3. Pelo cotejo dos dois [[lexico:d:dialogos:start|diálogos]] parece que Platão divide as «artes» em aquisitivas (Soph. 219c-d), separativas (das quais a arte catártica de [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]] é um exemplo; ibid. 226a-231b), e produtivas (poetike). As «artes aquisitivas» incluem a aquisição de conhecimento que pode por seu turno [[lexico:s:ser:start|ser]] usado para fins quer práticos ([[lexico:p:praktike:start|praktike]], v. g., construção; em geral as ciências aplicadas correspondem à techne aristotélica: Pol. 258 d-e; contrastar com o uso aristotélico de praktike) quer teoréticos (gnostike, Pol, loc. cit.; ver a [[lexico:t:theoria:start|theoria]] aristotélica). Aqui Platão distingue ainda as «artes teoréticas» em «directivas» (epitaktike, v. g., arte [[lexico:p:politica:start|política]]) e «críticas» (kritike, Pol. 260b). O seu [[lexico:u:unico:start|único]] exemplo destas últimas é o «[[lexico:c:calculo:start|cálculo]]» (logistike; Pol. 259e), mas presumivelmente esta é a divisão que abrangeria o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] ou, como Platão preferiria chamar-lhe, da [[lexico:d:dialetica:start|dialética]]. 4. As «artes práticas» do Político sobrepõem-se provavelmente às «artes produtivas» ([[lexico:p:poietike:start|poietike]]; definidas no Soph. 219b, 265b). Estas podem dividir-se em produtos do [[lexico:a:artesanato:start|artesanato]] [[lexico:d:divino:start|divino]] (alguns desejam dizer que são produzidas pela [[lexico:n:natureza:start|natureza]], physis, mas Platão prefere a [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] teísta, visto a [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] ser um concomitante de toda a techne; Soph. 265d) e do artesanato [[lexico:h:humano:start|humano]] (ibid. 265e). O primeiro produz objetos naturais, v. g., os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] e os corpos mais complexos que deles derivam; o [[lexico:u:ultimo:start|último]], objetos manufaturados (a praktike episteme do Político). 5. Mas há uma outra [[lexico:d:distincao:start|distinção]] extremamente importante a fazer aqui (Soph. 266a-d). Tanto a [[lexico:p:produtividade:start|produtividade]] humana como a divina são passíveis de [[lexico:c:criar:start|criar]] tanto originais como imagens (eikones), e é o correlato epistemológico desta produção-imagem que aparece como o segmento inferior da Linha na Republica 509e. O [[lexico:n:nome:start|nome]] genérico de Platão para a produtividade de imagens é a [[lexico:i:imitacao:start|imitação]] ([[lexico:m:mimesis:start|mimesis]]), e enquanto a sua [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] divina, v. g. sombras, sonhos, miragens, é de pouco ou nenhum [[lexico:i:interesse:start|interesse]] neste contexto, a mimesis humana é a base de toda a [[lexico:e:estetica:start|estética]] platônica. Ver mimesis. 6. Tal como foi definida por Aristóteles ([[lexico:e:ethica-nichomacos:start|Ethica Nichomacos]] VI, 1140a) a techne é uma [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] ([[lexico:h:hexis:start|hexis]]) mais dirigida à produção (poietike) do que à [[lexico:a:acao:start|ação]] (praktike). Emerge da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] ([[lexico:e:empeiria:start|empeiria]]) de casos individuais e passa da experiência à techne quando as experiências individuais são generalizadas (ver [[lexico:k:katholou:start|katholou]]) num conhecimento de [[lexico:c:causas:start|causas]]: o [[lexico:h:homem:start|homem]] experimentado sabe como mas não porquê ([[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]] 981a). Assim, é um [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de conhecimento e pode ser ensinado (ibid. 981b). Também operou racionalmente, com [[lexico:l:logos:start|Logos]] (Ethica Nichomacos, loc. cit.), e o seu [[lexico:f:fim:start|fim]] é a [[lexico:g:genesis:start|genesis]], que o distingue do conhecimento puramente [[lexico:t:teoretico:start|teorético]] (theoria) que tem a ver com o ser (on) e não com o [[lexico:d:devir:start|devir]]. O seu [[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:r:racional:start|racional]] distingue-o ainda da tyche ou acaso, [[lexico:o:outro:start|outro]] fator [[lexico:p:possivel:start|possível]] na genesis. [[lexico:a:alem:start|Além]] disso, é um [[lexico:p:principio:start|princípio]] [[lexico:e:externo:start|externo]] e não interno da genesis, que o afasta da physis ([[lexico:p:physica:start|Physica]] II, 199a). Finalmente, [[lexico:d:dado:start|dado]] que é mais produtivo do que [[lexico:p:pratico:start|prático]], difere da [[lexico:p:phronesis:start|phronesis]] (Ethica Nichomacos VI, 1140b); ver também, neste mesmo contexto, [[lexico:e:ergon:start|ergon]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}