===== SUBSTÂNCIA EU ===== [[lexico:l:locke:start|Locke]], depois de [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], e seguido por [[lexico:b:berkeley:start|Berkeley]], [[lexico:n:nao:start|não]] duvidou um [[lexico:i:instante:start|instante]] da [[lexico:e:existencia:start|existência]] da [[lexico:s:substancia-eu:start|substância eu]]. Mas examinemos que quer dizer o [[lexico:e:eu:start|eu]]. Descartes, ao dizer que o eu é uma [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] que eu tenho de mim mesmo, comete um [[lexico:e:erro:start|erro]] [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]] garrafal. Eu tenho a intuição de verde, de azul; tenho intuição do medo que sinto; tenho intuição da [[lexico:v:vivencia:start|vivência]] que estou tendo, da vivência de azul, da vivência de [[lexico:c:coragem:start|coragem]], da vivência do [[lexico:e:esforco:start|esforço]] que estou fazendo para [[lexico:f:falar:start|falar]] ou escrever. Porém onde está a vivência que não seja vivência de algo, mas vivência do eu? Olho-me a mim mesmo por dentro e encontro uma [[lexico:s:serie:start|série]] de vivências, mas nenhuma delas é o eu; muitas vivências, que se sucedem repetidamente umas às outras, mas nenhuma delas é o eu. Cada uma delas faz [[lexico:r:referencia:start|referência]] ao eu; digo: é "minha" vivência; porém vou [[lexico:v:ver:start|ver]] nessa vivência o que a vivência tem de mim e não encontro [[lexico:n:nada:start|nada]]. Encontro verde, azul, esforço; porém não me encontro a mim mesmo dentro dessa vivência, por muito que analise e decomponha. Então tenho que concluir que à [[lexico:i:ideia:start|ideia]] "eu" não corresponde nenhuma [[lexico:i:impressao:start|impressão]]; não procede de nenhuma impressão, é outra ideia fictícia; é outra ideia feita por nós. Nós tomamos nossas vivências, fazemos delas um feixe, e dizemos: isto é o eu; porém se olharmos o que há nesse feixe, veremos que há muitas vivências, mas nenhuma dessas vivências é o eu, antes o eu o acrescentamos nós caprichosamente. A [[lexico:s:substancia:start|substância]] pensante de Descartes, o eu de Descartes, que fora respeitado ainda por Locke e por Berkeley, se desvanece. Não há mais eu; não existe mais o eu. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}