===== PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE ===== Apenas consideraremos a [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]] na linha da [[lexico:e:eficiencia:start|eficiência]], a qual é, aliás, aquela onde esta [[lexico:n:nocao:start|noção]] se encontra mais normalmente posta em [[lexico:q:questao:start|questão]] pela [[lexico:c:critica:start|crítica]]. Nessa linha, duas provas principais, uma mais [[lexico:p:particular:start|particular]], outra mais profunda, do principio de causalidade podem [[lexico:s:ser:start|ser]] dadas. - Tudo [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] movido é movido por um [[lexico:o:outro:start|outro]]. É a formulação aristotélica comum do [[lexico:p:principio-de-causalidade:start|princípio de causalidade]]. Numerosas justificações podem ser dadas no [[lexico:p:plano:start|plano]] [[lexico:f:fisico:start|físico]]. Aqui nos situaremos por completo no [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista da [[lexico:a:analise:start|análise]] [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] do [[lexico:m:movimento:start|movimento]] em [[lexico:p:potencia:start|potência]] e [[lexico:a:ato:start|ato]], onde se atingem imediatamente as razões metafísicas mais profundas. (Cf. [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]], Prima via, Ia Pa, q. 2, a. 3). Partamos do movimento no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] global, onde este [[lexico:t:termo:start|termo]] designa toda passagem da potência ao ato, isto é, praticamente [[lexico:t:todo:start|todo]] o [[lexico:d:devir:start|devir]]. Por outro lado, consideremos a [[lexico:e:existencia:start|existência]] do movimento como um [[lexico:f:fato:start|fato]] evidente. E eis como raciocinamos. Todo movimento é uma passagem da potência ao ato. Ora, um ser em potência [[lexico:n:nao:start|não]] pode ser atuado senão por um ser em ato: de potentia autem non potest aliquid reduci in [[lexico:a:actu:start|actu]] nisi per aliquid [[lexico:e:ens:start|ens]] in actu. Por outro lado, nenhum ser podendo [[lexico:e:estar:start|estar]] em ato e em potência soba mesma [[lexico:r:relacao:start|relação]], resulta finalmente que a passagem da potência ao ato não pode se efetuar senão sob a [[lexico:a:acao:start|ação]] de um outro que esteja em ato: omne ergo [[lexico:q:quod:start|quod]] movetur opportet [[lexico:a:ab-alio:start|ab alio]] moveri. - O ser que não é [[lexico:p:por-si:start|por si]] é necessariamente por um outro. Aqui tomamos nosso ponto de partida não mais na [[lexico:m:mudanca:start|mudança]], mas no ser que não é por si, isto é, cuja existência não decorre necessariamente de sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]] ou de sua [[lexico:e:essencia:start|essência]]: é o [[lexico:c:contingente:start|contingente]], o qual pode ser ou não ser; todos os seres que nos são experimentalmente dados são seres contingentes. Consideremos um ser contingente: por si, pode tanto [[lexico:e:existir:start|existir]] como não existir; isto é, sua existência vem de algum [[lexico:m:modo:start|modo]] se acrescentar à sua essência; devido a isto, tal ser é uma [[lexico:u:uniao:start|união]], uma composição de [[lexico:e:elementos:start|elementos]] diversos. Ora, o que é diverso não pode por si constituir uma [[lexico:u:unidade:start|unidade]], a menos que uma [[lexico:c:causa:start|causa]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]] intervenha para dar a [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] da unidade: "quae enim secundum se diversa sunt, non conveniunt in aliquid unum, nisi per aliquam causam adunantem ipsa" (Ia Pa, q. 3, a. 7). O ser contingente onde se encontra realizada uma tal unificação de elementos diversos requer, portanto, necessariamente uma causa. - [[lexico:j:justificacao:start|Justificação]] pelo [[lexico:p:principio-de-razao-de-ser:start|princípio de razão de ser]]. Reencontramos a mesma conclusão considerando o [[lexico:p:principio:start|princípio]] de causalidade como uma aplicação do princípio de [[lexico:r:razao:start|razão]] de ser. Todo ser que não tem sua razão de ser por si, tem-na por um outro. Ora, o ser contingente é um ser nestas condições: sua existência não tem sua razão de ser na sua essência; portanto, o ser contingente tem sua razão de ser em um outro, isto é, ele é causado. - [[lexico:v:valor:start|valor]] do princípio de causalidade. Observou-se justamente que o princípio de causalidade não é um princípio estritamente [[lexico:a:analitico:start|analítico]], isto é, que o [[lexico:p:predicado:start|predicado]] "ser por um outro" não está contido no seu [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] "o ser que não é por si". Em outras [[lexico:p:palavras:start|palavras]], posso muito [[lexico:b:bem:start|Bem]] conceber o ser contingente, este [[lexico:o:objeto:start|objeto]] que percebo atualmente, sem remontar à sua causa. Entretanto, é preciso estabelecer que, de modo derivado, o princípio de causalidade é uma [[lexico:v:verdade:start|verdade]] evidente, pois a causa se segue, como uma [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] necessária, à natureza do contingente. Desde que compreendi o que é "o ser que não é por si" e "o ser que é por um outro", vejo que há [[lexico:i:implicacao:start|implicação]] destes dois termos, "o ser que não é por si é por um outro" "licet habitudo ad causam non intret definitionem entis quod est causatum, tamen sequitur ad ea quae sunt de ejus ratione, quia ex hoc quod aliquid per participationem est ens, sequitur quod sit causatum ab alio. Unde hujusmodi ens non potest [[lexico:e:esse:start|esse]] quin sit causatum, sicut nec homo quin sit risibilis". Ia Pa, q. 44, a. 1, ad 1 No fundo, esta constatação repousa sobre a [[lexico:i:impossibilidade:start|impossibilidade]] em que se encontra "o ser que não é por um outro" em se [[lexico:v:ver:start|ver]] multiplicado. " O ser que não é por um outro", com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], não pode ser senão "por si". E portanto o contingente, se não fosse causado seria um "ser por si"; haveria, por conseguinte, vários "ser por si". Mas, por outro lado, "o ser por si", aquele cuja natureza é ser, deve ser [[lexico:u:unico:start|único]], pois o ser [[lexico:i:infinito:start|infinito]] não pode [[lexico:t:ter:start|ter]] [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]]: não há vários [[lexico:d:deuses:start|deuses]]. Há, pois, [[lexico:c:contradicao:start|contradição]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}