===== PATHOS ===== pathos: [[lexico:a:acontecimento:start|acontecimento]], [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], [[lexico:s:sofrimento:start|sofrimento]], [[lexico:e:emocao:start|emoção]], [[lexico:a:atributo:start|atributo]] 1. A [[lexico:h:historia:start|história]] da [[lexico:p:palavra:start|palavra]] pathos está obscurecida por uma [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]] de conotações. A sua acepção mais [[lexico:g:geral:start|geral]] significa «algo que acontece», quer em [[lexico:r:referencia:start|referência]] ao [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:e:evento:start|evento]] (assim Heródoto V, 4; Sófocles, O. T., 732) quer à [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]] afetada (assim [[lexico:p:platao:start|Platão]], [[lexico:f:fedon:start|Fédon]] 96a: «as minhas experiências»), o [[lexico:u:ultimo:start|último]] [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de [[lexico:u:uso:start|uso]] consideravelmente alargado em sentidos éticos, como, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], no «sofrimento instrutivo» dos trágicos ([[lexico:v:ver:start|ver]] Esquilo, Aga. 177). A [[lexico:e:especulacao:start|especulação]] filosófica bifurca-se a partir desta altura em. dois sentidos diferentes, investigando o pathos tanto como «o que acontece aos corpos» como «o que acontece às almas», o primeiro sob a rubrica geral de qualidades, o segundo sob a de emoções. A ponte é fornecida pelas teorias materialistas da [[lexico:s:sensacao:start|sensação]] que reduzem o [[lexico:c:conhecimento-sensorial:start|conhecimento sensorial]] a um pathos dos sentidos que, por sua vez, é capaz de disparar os pathe da [[lexico:a:alma:start|alma]]. 2. Mas discutir os pathe como «o que acontece aos corpos» é apresentar o caso de uma maneira que [[lexico:n:nao:start|não]] foi conhecida até ao [[lexico:t:tempo:start|tempo]] de Platão. Ele era com [[lexico:c:certeza:start|certeza]] capaz de distinguir entre um [[lexico:c:corpo:start|corpo]] (ou [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]]) e o que lhe acontece (ver [[lexico:t:timeu:start|Timeu]] 49a-50a), mas há poucas provas de que os [[lexico:p:pre-socraticos:start|pré-socráticos]] fossem capazes de tais distinções e da implícita [[lexico:s:separacao:start|separação]] de uma «[[lexico:q:qualidade:start|qualidade]]»; o [[lexico:a:antecedente:start|antecedente]] [[lexico:p:pre-socratico:start|pré-socrático]] da qualidade, a [[lexico:d:dynamis:start|dynamis]], era visto como uma «[[lexico:c:coisa:start|coisa]]». Isto é perfeitamente claro no tratamento que [[lexico:a:anaxagoras:start|Anaxágoras]] faz das «[[lexico:s:sementes:start|sementes]]» (ver [[lexico:s:stoicheion:start|stoicheion]] 11-12). Primeiro há apenas uma [[lexico:m:mistura:start|mistura]] (meigma) que contém «todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] (chremata) juntamente» (frg. 1) e estas últimas apagam-se para serem, não apenas os stoicheia convencionais de Emipédocles, mas também os pathe/dynameis: o húmido e o seco, o quente e o frio, o claro e o escuro (frg. 4). Nenhum destes é perceptível, porque estão fundidos no meigma. 3. Pela instigação de um [[lexico:m:movimento:start|movimento]] rotativo por intermédio do [[lexico:n:nous:start|noûs]] separam-se (apokrisis) várias «sementes» e estas também contêm uma porção de tudo mas são qualitativamente distintas (ver frg. 4, init.), provavelmente devido à predominância de um ou [[lexico:o:outro:start|outro]] dos pathe. Porque não são então perceptíveis? Não são percebidas por [[lexico:c:causa:start|causa]] do seu tamanho diminuto e é só quando se associam ([[lexico:s:synkrisis:start|synkrisis]]) a grandes compostos que estes últimos se tornam perceptíveis e sensivelmente diferentes devido à predominância de um tipo de constituinte ([[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], [[lexico:p:physica:start|Physica]] I, 187a). 4. No [[lexico:a:atomismo:start|atomismo]] os pathe têm um papel mais restrito. Para esta corrente existem apenas átomos (atoma) e o [[lexico:v:vazio:start|vazio]] ([[lexico:k:kenon:start|kenon]]) e aqueles têm apenas duas qualidades, o tamanho e a [[lexico:f:forma:start|forma]] (Diels 68A37; talvez também [[lexico:p:peso:start|peso]], ver Aristóteles, De gen. et corr. I, 326a, embora isto pareça um acrescento posterior ao atomismo; ver [[lexico:k:kinesis:start|kinesis]]). Isto leva à [[lexico:p:posicao:start|posição]] de que toda a [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] e, de [[lexico:f:fato:start|fato]], [[lexico:t:todo:start|todo]] o [[lexico:c:conhecimento-sensivel:start|conhecimento sensível]] podem [[lexico:s:ser:start|ser]] reduzidos ao contacto ou tacto ([[lexico:h:haphe:start|haphe]]; Aristóteles, De sensu 442a; sobre o [[lexico:p:problema:start|problema]] do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] intelectual, ver [[lexico:n:noesis:start|noesis]] 6). Temos conhecimento de outros tipos de experiências dos sentidos, evidentemente, mas eles são meramente subjetivos e convencionais ([[lexico:n:nomos:start|nomos]]), impressões passivas (pathe) dos sentidos às quais concedemos um certo tipo de [[lexico:r:realidade:start|realidade]] ([[lexico:t:teofrasto:start|Teofrasto]], De sens. 61, 63). 5. O que está aqui nitidamente em causa e a [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre as forças (dynameis) ativas inerentes às coisas e que têm a [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de agir ([[lexico:p:poiein:start|poiein]]) e as ativações passivas (pathe) do corpo agido ([[lexico:p:paschein:start|paschein]]). [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]] delimitara severamente as qualidades ativas ([[lexico:p:poion:start|poion]]) rejeitando todo o [[lexico:m:mecanicismo:start|mecanicismo]] pré-socrático de «os opostos» ([[lexico:e:enantia:start|enantia]]) e reduzindo toda a «[[lexico:a:atividade:start|atividade]]» ao tacto. Daí que a ênfase que põe na qualidade subjetiva do conhecimento [[lexico:s:sensorial:start|sensorial]] pareça ser o resultado de considerações puramente teóricas, embora concordasse com os processos mais éticos do [[lexico:r:relativismo:start|relativismo]] (que tinham corolários epistemológicos) promulgados pelos [[lexico:s:sofistas:start|sofistas]] (ver nomos). 6. Em Platão os pathe éticos aparecem, pelo menos algumas vezes, como [[lexico:f:funcao:start|função]] da materialidade: aparecem nas partes morais e corpóreas da alma e estão lá presentes como resultado da conjunção da alma com o corpo (Timeu 42a-b, 69c). Segue a posição atomista tanto ao fazer dos pathe uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de percepção como ao tentar reduzir a sensação ([[lexico:a:aisthesis:start|aisthesis]]) ao contacto (ibid. 61c-63e). Onde se afasta dela é ao notar que quando os contactos são excessivos há, como resultado, o [[lexico:p:prazer:start|prazer]] e a [[lexico:d:dor:start|dor]] (ibid. 64a-65b). Esta [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] algo materialista não é unicamente de Platão ou a última palavra sobre o assunto (ver [[lexico:h:hedone:start|hedone]] 2-3), mas é [[lexico:i:interessante:start|interessante]] pelo fato de fornecer o elo entre o pathos como qualidade [[lexico:f:fisica:start|física]] e o pathos como [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] ético. 7. O [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] ético dos pathe é revelado por outras considerações. Platão sustenta ainda, em certos passos, a alma como tripartida (ver [[lexico:p:psyche:start|psyche]] 15). São os pathe características de todas as partes da alma ou apenas das duas partes inferiores e corpóreas? Platão não é de [[lexico:m:modo:start|modo]] algum claro sobre isto. No Timeu (loc. cit. e 69c-d) parecem ser excluídos do [[lexico:l:logistikon:start|logistikon]], enquanto nas Leis (897a) e no [[lexico:f:fedro:start|Fedro]] (245c) isto não sucede. De fato, toda a doutrina da [[lexico:a:alma-tripartida:start|alma tripartida]] parece basear-se no [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] da [[lexico:e:existencia:start|existência]] dos pathe em conflito, e somos informados com toda a clareza na [[lexico:r:republica:start|República]] (580d, 581a) de que cada [[lexico:p:parte:start|parte]] da alma tem os seus próprios pathe adequados. Segundo tudo indica, Platão nunca reconciliou por completo o logistikon [[lexico:i:incorporeo:start|incorpóreo]], separado e algo remoto, talvez derivado do [[lexico:p:pitagorismo:start|pitagorismo]] e [[lexico:n:necessario:start|necessário]] à sua [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da [[lexico:p:palingenesia:start|palingenesia]] e a um conhecimento dos eide, com a alma mais «comprometida» da sua [[lexico:a:analise:start|análise]] [[lexico:e:etica:start|ética]] do [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]]. 8. Na [[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]] 1022b Aristóteles resume sucintamente o uso que os seus predecessores fazem dos pathe como experiências de um corpo. Visto que já distinguiu a dynamis nos seus dois significados de poder e potencialidade, o pathos pode ser usado em ambos os sentidos ou, para o localizar dentro da [[lexico:c:categoria:start|categoria]] de [[lexico:s:substancia:start|substância]] e [[lexico:a:acidente:start|acidente]], ele é uma capacidade para a [[lexico:m:mudanca:start|mudança]] num sujeito ([[lexico:h:hypokeimenon:start|hypokeimenon]]) ou então a própria mudança em si, e mudança particularmente qualitativa. Esta mudança na categoria da qualidade ([[lexico:a:alloiosis:start|alloiosis]], [[lexico:a:alteracao:start|alteração]]) é definida como «mudança ([[lexico:m:metabole:start|metabole]]) em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao pathos» (Metafísica 1069b; para a sua [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] de [[lexico:g:genesis:start|genesis]], mudança em relação a [[lexico:o:ousia:start|ousia]], ver stoicheion 15). 9. Na Ética Aristóteles dedica toda a sua [[lexico:a:atencao:start|atenção]] aos pathe da alma. No Fedro (245c) Platão já descrevera a alma como sujeito das experiências (pathe) e [[lexico:f:fonte:start|fonte]] das [[lexico:a:atividades:start|atividades]] ([[lexico:e:erga:start|erga]]), e Aristóteles faz destas a principal [[lexico:m:materia:start|matéria]] da [[lexico:m:moral:start|moral]] ([[lexico:e:ethica-nichomacos:start|Ethica Nichomacos]] n, 1106b; ver [[lexico:p:praxis:start|praxis]]; o [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] [[lexico:e:estado:start|Estado]] da alma, [[lexico:h:hexis:start|hexis]], é apenas a nossa [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] em relação aos outros dois). A [[lexico:v:virtude:start|virtude]] consiste no [[lexico:h:homem:start|homem]] alcançar uma posição média (nieson) em relação a elas; ver [[lexico:a:arete:start|arete]]. 10. A [[lexico:n:natureza:start|natureza]] verdadeiramente psíquica dos pathe é ilustrada pelo fato de eles serem acompanhados de prazer ou dor (ibid. II, 1105b). Mas isto não se pode interpretar como indicação de que são completamente imateriais embora sejam os afectos da alma incorpórea. Os pathe são sempre acompanhados de certas mudanças puramente físicas e é por esta [[lexico:r:razao:start|razão]] que a psyche não pode ser considerada uma substância separada, mas antes a [[lexico:e:entelecheia:start|entelecheia]] de um corpo ([[lexico:d:de-anima:start|De anima]] I, 403a). E quando o mesmo [[lexico:c:criterio:start|critério]] é aplicado ao noûs, a sua própria [[lexico:f:falta:start|falta]] de pathe sugere que ele é imortal (ibid. I, 408b); ver noûs. 11. Na altura em que o atomismo aparece na sua versão epicurista, podem notar-se os aperfeiçoamentos platônicos e aristotélicos acerca dos pathe. O [[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:s:subjetivo:start|subjetivo]], predominante em Demócrito, foi mitigado (ver [[lexico:h:holon:start|holon]]), e enquanto os pathe são ainda sensações essencialmente tácteis, são [[lexico:a:agora:start|agora]] distinguidos pela [[lexico:p:presenca:start|presença]] concomitante de prazer ou dor. São estes que se tornam agora o centro da atenção pelo fato de refletirem a [[lexico:a:adequacao:start|adequação]] (oikeion) ou a não-adequação (allotrion) do [[lexico:o:objeto:start|objeto]] percebido e assim fornecerem critérios para a [[lexico:e:escolha:start|escolha]] do [[lexico:b:bem:start|Bem]] ou do [[lexico:m:mal:start|mal]] (D. L. X, 34, 129; ver hedone. Para o papel recentemente expandido da «adequação» no [[lexico:e:estoicismo:start|estoicismo]], ver [[lexico:o:oikeiosis:start|oikeiosis]]). 12. Ao que parece [[lexico:z:zenao:start|Zenão]] sustentou que todos os pathe, que eram definidos como «impulsos excessivos» (hurrnai; essencialmente a mesma [[lexico:i:ideia:start|ideia]] é expressa no Timeu 42a-b), eram movimentos irracionais da alma (D. L. VII, 110), enquanto Crisipo preferiu a posição mais intelectualista de os considerar um estado da [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] [[lexico:r:racional:start|racional]] ([[lexico:h:hegemonikon:start|hegemonikon]]; SVF III, 459, n, 823; ver aisthesis 5, noesis 17). Para o estoico a [[lexico:v:vida:start|vida]] virtuosa não consiste em encontrar um [[lexico:m:meio:start|meio]] para os pathe, como em Aristóteles, mas sim em extirpá-los totalmente. O [[lexico:s:sabio:start|sábio]], então, é alguém que alcançou o [[lexico:e:estadio:start|estádio]] de [[lexico:a:apatheia:start|apatheia]]. Os [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] pathe principais são: a dor, o medo, o [[lexico:d:desejo:start|desejo]] e o prazer (D. L. VII, 110; são definidos SVF III, 391; confrontar as listas platônicas e aristotélicas no Timeu 42a-b e na Ethica Nichomacos II, 1105b; ver também noesis 17). Para os pathe da matéria, ver paschein, dynamis, poion, ononia; para a [[lexico:c:cura:start|cura]] dos pathe éticos, sobre o [[lexico:p:principio:start|princípio]] homeopático, [[lexico:k:katharsis:start|katharsis]]; para a sua extirpação, apaíheia; para a sua ligação com a percepção, aisthesis. páthos (tó): [[lexico:p:paixao:start|paixão]]. Latim: [[lexico:p:passio:start|passio]], affeetio, perturbatio. Plural: páthe (tá) / pathe (ta). [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:t:termo:start|termo]] tem dois sentidos: - Metafísico. É o contrário de [[lexico:a:acao:start|ação]] ou, mais precisamente, não o sujeito que pratica a ação, mas o objeto que a recebe. - [[lexico:p:psicologico:start|Psicológico]]. É o fato de sofrer, de ser coagido e movido por uma [[lexico:f:forca:start|força]] interior que escapa à [[lexico:v:vontade:start|vontade]]. Por isso, páthos é também sofrimento, dor, [[lexico:t:tristeza:start|tristeza]]; o termo páthe / pathe (aqui fem. sing.) tem exclusivamente esse [[lexico:s:sentido:start|sentido]]. A [[lexico:r:raiz:start|raiz]] grega path- encontra-se em latim, onde assume o mesmo [[lexico:s:significado:start|significado]]; o infinitivo pati quer dizer sofrer, nos dois sentidos: [[lexico:t:ter:start|ter]] sofrimento e permitir/receber. Passio (tardio) abrange, por um lado, um [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] intenso e penoso e, por outro, um longo sofrimento [[lexico:f:fisico:start|físico]]: paixão pelo [[lexico:j:jogo:start|jogo]], Paixão de Cristo ou dos mártires. Derivam do [[lexico:g:grego:start|grego]] o termo [[lexico:m:moderno:start|moderno]] [[lexico:p:patetico:start|patético]] e os termos científicos patologia, patógeno, neurópata etc.; do latim,padecer, paciente, [[lexico:p:passivo:start|passivo]], passional. [[lexico:c:composto:start|composto]]: apathés / apathes, impassível, que não é capaz de sofrer. Aristóteles opõe ação e paixão desde o tratado Das [[lexico:c:categorias:start|categorias]]. Mas ele as designa com os infinitivos substantivados: tò poiein / to poiein e tò páskhein / to paskhein, agir e sofrer (IX e X). Na Metafísica (A, 21), páthos costuma ser traduzido por [[lexico:a:afeicao:start|afeição]], ou seja, qualidade, estado que afeta uma substância. Foram os estoicos que mais estudaram a [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] da paixão: esta é má [[lexico:i:influencia:start|influência]] da [[lexico:s:sensibilidade:start|sensibilidade]] sobre a razão. Crisipo a define como "movimento [[lexico:i:irracional:start|irracional]] da alma" (Arnim, Fragmenta veterum Stoicorum, III, 113); Zenão, como "um movimento irracional (álogos / alogos) e contrário à natureza" (para physin). Esse fato de ser um movimento (kínesis / kinesis) a diferencia de outros estados de alma, como a [[lexico:d:doenca:start|doença]] e o [[lexico:v:vicio:start|vício]], que são afeições contínuas, enquanto a paixão é ocasional (Zenão, in D.L.,VII, 110; Cícero, Tusc, IV, XIII, 30). Dois problemas apresentados pela paixão. - [[lexico:c:classificacao:start|Classificação]]. No Timeu (69d), Platão enumera incidentemente cinco paixões principais: prazer, tristeza, ousadia, medo, [[lexico:e:esperanca:start|esperança]]. Em sua [[lexico:r:retorica:start|Retórica]], Aristóteles dedica doze capítulos do livro II a esse [[lexico:t:tema:start|tema]]: um às paixões em geral, onze às principais: cólera, brandura, [[lexico:a:amor:start|amor]] e ódio, medo, vergonha, beneficência, [[lexico:p:piedade:start|piedade]], indignação, inveja, emulação. Os estoicos esmeraram-se na [[lexico:r:racionalizacao:start|racionalização]] desse exercício, em seus múltiplos tratados Das paixões, em especial de autoria de Zenão, Crisipo, Aristão, Esferos, Hecatâo, Herilo. A lista clássica parece ser a de Zenão e Hecatão (DL.,VII, 110), e provavelmente de Aristão, que lhe dava o [[lexico:n:nome:start|nome]] de tetracórdio (Clemente de [[lexico:a:alexandria:start|Alexandria]], Stromata, II, XX, 108): tristeza ([[lexico:l:lype:start|lype]]), medo (phóbos / [[lexico:p:phobos:start|phobos]]), prazer (hedoné / hedone), desejo (epithymía / [[lexico:e:epithymia:start|epithymia]]). - [[lexico:v:valor:start|valor]] moral. Como o homem é definido pela razão, e como a paixão é contrária à razão, ela se mostra contranatural e, de [[lexico:d:direito:start|direito]], é imoral. Foram especialmente os estoicos que mais se estenderam sobre esse fato. Mas as paixões vêm do [[lexico:e:exterior:start|exterior]], do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:s:sensivel:start|sensível]], uma vez que não estão em meu poder; só se tornam condenáveis quando lhes dou meu [[lexico:a:assentimento:start|assentimento]] (Epicteto, Leituras, III, XXIV, 20-24; IV, I, 82, 85 etc; Cícero, Tusc, II, XXV, 61; III, XXIX, 72; etc). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}