===== KANT ===== KANT (Emmanuel, ou Immanuel, em alem.), [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] alemão, fundador da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] [[lexico:c:critica:start|crítica]] (Konigsberg 1724 — id 1804). Sua [[lexico:v:vida:start|vida]] foi calma, inteiramente consagrada ao [[lexico:e:estudo:start|estudo]], ao ensino e à [[lexico:m:meditacao:start|meditação]]. Nunca deixou sua [[lexico:c:cidade:start|cidade]] natal. Seus primeiros escritos, mais líricos que filosóficos, versavam sobre a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] da [[lexico:m:materia:start|matéria]] e a [[lexico:f:formacao:start|formação]] do [[lexico:m:mundo:start|mundo]]. Somente aos cinquenta e sete anos de idade desenvolveu sua filosofia propriamente dita, na [[lexico:c:critica-da-razao-pura:start|Crítica da Razão Pura]] (1781). O [[lexico:g:genio:start|gênio]] do [[lexico:m:metodo:start|método]] crítico é [[lexico:t:ter:start|ter]] descoberto que o [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] da filosofia [[lexico:n:nao:start|não]] é absolutamente estender nossos conhecimentos do mundo, e sim aprofundar nosso [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] do [[lexico:h:homem:start|homem]]. É analisando as possibilidades profundas do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] que saberemos, na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], de que é capaz o espírito [[lexico:h:humano:start|humano]]: o que pode [[lexico:s:saber:start|saber]], o que deve fazer e o que pode esperar. A Crítica analisa inicialmente nossas possibilidades de conhecer, das quais deduz Kant exatamente as formas do conhecimento matemático e cs [[lexico:p:principios:start|princípios]] fundamentais da [[lexico:f:fisica:start|física]] de Newton; demonstra, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, a [[lexico:i:impossibilidade:start|impossibilidade]] de uma [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]], na [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] de qualquer [[lexico:o:objeto:start|objeto]] [[lexico:r:real:start|real]] capaz de dar-lhe um conteúdo. A [[lexico:c:critica-da-razao-pratica:start|Crítica da Razão Prática]] (1788) mostra que a [[lexico:l:lei-moral:start|lei moral]] é a mais profunda [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de nosso [[lexico:s:ser:start|ser]]; nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]] é que o "[[lexico:i:imperativo-categorico:start|imperativo categórico]]" é uma realização absoluta de nossa [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]], de nossa verdadeira destinação. Poder-se-á ler com proveito os Fundamentos da metafísica dos [[lexico:c:costumes:start|costumes]] (1785), que constituem o resumo da [[lexico:a:acao:start|ação]] [[lexico:m:moral:start|moral]] simultaneamente mais claro e mais rigoroso que possa [[lexico:e:existir:start|existir]]. Na Crítica do [[lexico:j:juizo:start|Juízo]] (1790), em que se encontram uma filosofia da [[lexico:o:obra:start|obra]] de [[lexico:a:arte:start|arte]] e uma [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da vida orgânica, Kant procura unificar sua filosofia teórica e sua [[lexico:f:filosofia-pratica:start|filosofia prática]]. [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:p:projeto:start|projeto]] de unificação dos diferentes aspectos do homem (como conhecimento, ação e [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]]) será retomado pelos "pós-kantianos" ([[lexico:f:fichte:start|Fichte]], [[lexico:s:schelling:start|Schelling]] e [[lexico:h:hegel:start|Hegel]]). Kant é também autor de: [[lexico:p:prolegomenos:start|Prolegômenos]] a toda metafísica futura que terá o [[lexico:d:direito:start|direito]] de se apresentar como ciência (1783), [[lexico:p:primeiros-principios:start|primeiros princípios]] metafísicos da ciência da natureza (1786), A [[lexico:r:religiao:start|religião]] nos limites da [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:r:razao:start|razão]] (1794), [[lexico:a:antropologia:start|antropologia]] (1798) e [[lexico:l:logica:start|Lógica]] (1800). G. Kruger escreveu que Kant era "o [[lexico:u:ultimo:start|último]] dos filósofos dogmáticos e o primeiro dos filósofos modernos; o último a basear sua filosofia numa [[lexico:t:teologia:start|teologia]] e o primeiro a perceber o [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] da liberdade humana". "Limitei o saber dizia Kant, para dar [[lexico:l:lugar:start|lugar]] à [[lexico:f:fe:start|fé]]." Houve dois grandes períodos filosóficos, um na [[lexico:g:grecia:start|Grécia]] antiga e [[lexico:o:outro:start|outro]] na Idade Média. Talvez se deva computar um [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] com a [[lexico:f:filosofia-alema:start|filosofia alemã]] que domina o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] [[lexico:m:moderno:start|moderno]] e ainda em nossos dias o influencia profundamente, que o restaurou das suas fraquezas ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] que o levava a outros excessos e, depois de [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]], com um Kant e um Hegel, guindou a [[lexico:e:especulacao:start|especulação]] a alturas que não se julgava pudesse ainda atingir. Que papel desempenhou nisso a própria [[lexico:n:nacao:start|nação]], essa nação abominável e sagrada, abominável pelos seus homens e sagrada pelos seus grandes homens? Não haverá aí a decorrência de um gênio especial, desse gênio do Norte que nos repele e nos atrai ao mesmo tempo, a nós os homens do Mediterrâneo, para um espírito nebuloso e contudo afeito às sutilezas da [[lexico:d:dialetica:start|dialética]], descendo às profundezas do [[lexico:a:abismo:start|abismo]], ávido também de [[lexico:l:luz:start|luz]], da nossa luz e do nosso mar, nostalgia da [[lexico:r:raca:start|raça]] que se empenha em conquistá-los por todos os meios, pacíficos ou não; espírito aliás construtivo e capaz de [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]], mas que ultrapassa o grandioso para atingir o desmesurado e o colossal? Seja como for, ouvimos aqui uma [[lexico:n:nota:start|nota]] única, como na incomparável [[lexico:m:musica:start|música]] desse [[lexico:p:povo:start|povo]]. Nesta [[lexico:e:epoca:start|época]] das "luzes" em que nos encontramos já se havia trabalhado no sentido de situar e delimitar um pensamento demasiado unilateral. Um dos precursores de Kant foi Christian [[lexico:w:wolff:start|Wolff]], seu [[lexico:m:mestre:start|mestre]], que, no dizer de [[lexico:b:brehier:start|Bréhier]], emprestou "por muito tempo à filosofia alemã a sua [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] e o seu método". Nascido em 1679, professor destituído e depois reinstituído em Halle por Frederico o Grande, Wolff se manteve integrado no espírito do seu tempo, pretendendo, conforme diz ainda Bréhier, "encontrar regras de ação que conservassem o seu [[lexico:v:valor:start|valor]] mesmo que [[lexico:d:deus:start|Deus]] não existisse". Daí a sua [[lexico:m:maxima:start|máxima]]: "Faze o que te tornar mais [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]], tanto a ti como ao teu [[lexico:p:proximo:start|próximo]], e abstém-se do contrário." Esquecia ele que a consideração de Deus, [[lexico:p:principio:start|princípio]] de [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]], é indispensável a toda busca da perfeição? Morreu em 1754. Levara bastante longe a [[lexico:a:analise:start|análise]] para mostrar a incapacidade do [[lexico:e:empirismo:start|empirismo]] no estudo da formação dos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] e a possibilidade de deduzi-los [[lexico:a:a-priori:start|a priori]]. Seria este o [[lexico:c:caminho:start|caminho]] que seguiria o seu ilustre discípulo. Kant, cujo [[lexico:n:nome:start|nome]], segundo recorda [[lexico:l:lachelier:start|Lachelier]], é de [[lexico:o:origem:start|origem]] escocesa — escrevia-se originalmente com um C — nasceu em Koenigsberg a 22 de abril de 1727. Seu pai era seleiro e sua [[lexico:f:familia:start|família]], pietista. O [[lexico:p:pietismo:start|pietismo]] consistia em observar uma grande austeridade de costumes e, na [[lexico:l:leitura:start|leitura]] da Bíblia, em se deixar levar sobretudo pelas impressões do sentimento. E era do sentimento, do sentimento moral, que Kant iria tirar o princípio da sua filosofia. O curso material de sua vida não ultrapassou o [[lexico:h:horizonte:start|horizonte]] natal. Fêz os seus estudos em Koenigsberg e ali ensinou após ter sido dez anos preceptor em diversas famílias; além da filosofia, professou cursos de [[lexico:m:matematica:start|matemática]], de física e mesmo de geografia. Publicou as suas obras. Morreu em 1804 e diz-se que a sua última [[lexico:p:palavra:start|palavra]] foi: Es ist gut: "está [[lexico:b:bem:start|Bem]]!" Podia fazer esta [[lexico:j:justica:start|justiça]] a [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]. Um dos cérebros mais extraordinários, mais sutis que já têm pensado, um homem simples, de vida [[lexico:m:metodica:start|metódica]] e caráter ameno, sem [[lexico:n:nada:start|nada]] de rígido ou de austero. Têm sido objeto de gracejo bem-humorado algumas manias desse celibatário de costumes uniformes e passeios invariáveis. No quadro familiar em que o viam mover-se, marcava ele um passo decisivo da [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]]: as grandes aventuras do espírito dispensam o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] dos corpos. A filosofia de Kant, à qual podemos dar o nome de [[lexico:i:idealismo-transcendental:start|idealismo transcendental]]; o mesmo que ele adotou para uma [[lexico:p:parte:start|parte]] de sua filosofia, mas que pode muito bem estender-se a [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] dela. A filosofia de Kant parte também, como a de [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], como a de Leibniz, de uma prévia [[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]]. Porém, muito mais acentuadamente que para seus antecessores, é para Kant a filosofia, primeiramente, uma teoria do conhecimento. Ele expôs, num pequeno livro que pretende ser acessível a [[lexico:t:todo:start|todo]] mundo, um pequeno livro que almeja ser popular, sua filosofia com o título de Prolegômenos a toda metafísica futura. Quer dizer, o que há de se saber, o que se deve elucidar de teoria do conhecimento antes de atacar o [[lexico:p:problema:start|problema]] metafísico. Por conseguinte, em Kant. com uma [[lexico:p:precisao:start|precisão]], com uma clareza e uma [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] plena, a filosofia estreia com um teoria do conhecimento. Porém, a [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] radical, fundamental, que existe entre Kant e seus predecessores é que os predecessores de Kant. quando falam do conhecimento, falam do conhecimento que vão ter, do conhecimento que se vai construir, da ciência que há de se constituir, da ciência que está em [[lexico:c:constituicao:start|constituição]], em germe, aquela que nesses momentos se está forjando em Galileu, em [[lexico:p:pascal:start|Pascal]], em Newton. Pelo contrário, quando Kant [[lexico:f:fala:start|fala]] do conhecimento, fala de uma ciência físico-matemática já estabelecida. Quando fala do conhecimento refere-se ao conhecimento científico-matemático da Natureza, tal como Newton o estabeleceu definitivamente. Já disse que uma das três correntes que convergem em Kant é a física matemática de Newton. Para ele esta física matemática é um [[lexico:f:fato:start|fato]] que aí está e que ninguém pode abalar. A possibilidade de reduzir a fórmulas matematicamente exatas as leis fundamentais da Natureza, dos objetos, dos corpos, do movimento, da gravitação, não é já uma possibilidade, é uma [[lexico:r:realidade:start|realidade]]; conseguiu-o Newton e existe; aí está, definitivamente estabelecida, a ciência físico-matemática da Natureza. Portanto, para Kant a teoria do conhecimento vai significar antes de tudo e principalmente, não a teoria de um conhecimento [[lexico:p:possivel:start|possível]], desejável, como em Descartes, ou de um conhecimento que se está fazendo, que está em fermentação como para Leibniz, mas a teoria do conhecimento significa para ele a teoria da física matemática de Newton. É isso que ele chama o "fato" da [[lexico:r:razao-pura:start|razão pura]]. Este fato é a ciência físico-matemática da Natureza. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}