===== GERAL ===== (in. General; fr. General; al. Gemeingültig; it. Generale). Essa [[lexico:p:palavra:start|palavra]] foi introduzida no [[lexico:u:uso:start|uso]] [[lexico:m:moderno:start|moderno]] pelo [[lexico:e:empirismo-ingles:start|empirismo inglês]] que, por [[lexico:m:meio:start|meio]] dela, designou o resultado de uma [[lexico:o:operacao:start|operação]] de [[lexico:a:abstracao:start|abstração]]; por isso, é algo diferente de [[lexico:u:universal:start|universal]], interpretado como [[lexico:n:natureza:start|natureza]] originária ou [[lexico:f:forma:start|forma]] [[lexico:s:substancial:start|substancial]]. "As [[lexico:p:palavras:start|palavras]]", diz [[lexico:l:locke:start|Locke]], "tornam-se geral pelo [[lexico:f:fato:start|fato]] de fazermos delas signos de [[lexico:i:ideias:start|ideias]] geral; e as ideias tornam-se geral quando delas são afastadas as circunstâncias de [[lexico:t:tempo:start|tempo]] e de [[lexico:l:lugar:start|lugar]], [[lexico:b:bem:start|Bem]] como de qualquer outra [[lexico:i:ideia:start|ideia]] que possa determiná-las no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] desta ou daquela [[lexico:e:existencia:start|existência]] [[lexico:p:particular:start|particular]]. Com [[lexico:e:esse:start|esse]] meio da abstração, elas adquirem a [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de [[lexico:r:representar:start|representar]] mais indivíduos, cada um dos quais, tendo em si conformidade com aquela ideia abstrata, é (como dizemos) daquela [[lexico:e:especie:start|espécie]]" (Ensaio, III, 3, § 6). A ideia é geral, então, quando é o resultado da abstração; a generalidade é [[lexico:o:obra:start|obra]] do [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]], embora a ela corresponda a [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] naturais. Como [[lexico:n:nao:start|não]] existem naturezas ou formas [[lexico:u:universais:start|universais]], o universal reduz-se ao geral, e às vezes Locke emprega os dois termos como [[lexico:s:sinonimos:start|sinônimos]] (Ibid., III, 3, § 11). Esse [[lexico:t:termo:start|termo]] era aceito com este sentido por [[lexico:b:berkeley:start|Berkeley]] (Principles of Knowledge, Intr., § 12) e por [[lexico:h:hume:start|Hume]] (Treatise, I, 1,7). [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] aceitava essa palavra e seu [[lexico:c:conceito:start|conceito]], apesar de afirmar que desse conceito não derivava a [[lexico:n:negacao:start|negação]] das [[lexico:e:essencias:start|essências]] universais. Dizia: "A generalidade consiste na semelhança das coisas individuais entre si, e essa semelhança é uma [[lexico:r:realidade:start|realidade]]" (Nouv. ess., III, 3, 11). [[lexico:s:stuart-mill:start|Stuart Mill]] aceitava essa [[lexico:t:terminologia:start|terminologia]], distinguindo substantivos individuais ou singulares e substantivos geral: estes últimos possibilitariam afirmar proposições geral, ou seja, "afirmar ou negar alguns [[lexico:p:predicados:start|predicados]] de um [[lexico:n:numero:start|número]] [[lexico:i:indefinido:start|indefinido]] de coisas ao mesmo tempo" (Logic, I, 2, § 3). Essa [[lexico:s:significacao:start|significação]] não prevaleceu na [[lexico:l:logica:start|lógica]] contemporânea, que considera [[lexico:s:singular:start|singular]] o termo cuja [[lexico:c:conotacao:start|conotação]] impede sua aplicação a mais de uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] [[lexico:r:real:start|real]], sendo geral o termo que não é singular nesse sentido. Lewis diz: "[[lexico:s:saber:start|saber]] se um termo [[lexico:c:concreto:start|concreto]] é singular ou geral é [[lexico:q:questao:start|questão]] de conotação, não de [[lexico:d:denotacao:start|denotação]], ainda que um termo singular não possa denotar mais de uma coisa. ‘O [[lexico:o:objeto:start|objeto]] vermelho da minha mesa’ é um termo singular, e ‘Objeto vermelho sobre minha mesa’ é um termo geral, independentemente dos objetos vermelhos que se encontram em cima da minha mesa" (Analysis of Knowledge and Valuation, p. 45). Nesse sentido, o geral [[lexico:n:nada:start|nada]] tem a [[lexico:v:ver:start|ver]] com o universal: este é obtido com o uso do operador todos e refere-se à denotação, não à conotação de um termo. Por conseguinte, [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] geral é a que se chama [[lexico:f:funcao:start|função]] proposicional, na qual o [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] fica [[lexico:i:indeterminado:start|indeterminado]]. [[lexico:d:dewey:start|Dewey]] também insistiu na [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre geral e universal, negando que a proposição "se [[lexico:h:humano:start|humano]], então mortal" seja equivalente à proposição "[[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:h:homem:start|homem]] é mortal". "São coisas radicalmente diferentes", disse Dewey, "formular proposições sobre traços ou características que descrevem uma espécie fazendo abstração de cada [[lexico:e:exemplar:start|exemplar]] da espécie e formular proposições abstratas sobre abstrações" (Logic, XIX, § 2; trad. it., p. 497-98). O termo geral é usado em lógica, e amiúde também em [[lexico:e:epistemologia:start|epistemologia]] e em [[lexico:m:metodologia:start|metodologia]] em dois sentidos: 1) Diz-se de um conceito que é geral quando se aplica a todos os indivíduos de uma dada espécie; por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], o conceito homem é um conceito geral. Neste caso, o conceito geral distingue-se do conceito coletivo, que se aplica a um [[lexico:g:grupo:start|grupo]] de indivíduos enquanto grupo, mas não aos indivíduos componentes, por exemplo, o conceito de rebanho. O conceito geral opõe-se a um conceito menos geral ou menos universal, mas nunca a um conceito particular. Por exemplo o conceito de homem é mais geral que o conceito de europeu e o conceito de europeu é mais particular que o conceito de homem. 2) Diz-se de um [[lexico:j:juizo:start|juízo]] que é geral quando se refere a um número [[lexico:f:finito:start|finito]] ou a um número indefinido de indivíduos. s vezes confunde-se o juízo geral com o juízo colectivo; no entanto, o juízo colectivo como tal fundamenta-se nos juízos singulares que totaliza, ao passo que o juízo total não procede por totalização, mas sim por [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] de juízos particulares. Tão pouco deve identificar-se o juízo geral com o juízo universal, porque enquanto se pode dizer “é um juízo muito geral”, não se pode dizer “é um juízo muito universal”. O emprego de geral aplicado ao juízo fundamenta-se na imprecisão da sua significação, e por isso alguns autores recomendam que quando se [[lexico:f:fala:start|fala]] de um juízo ou de uma proposição se deve empregar, conforme os casos, universal ou genérico em vez de geral. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}