===== CIÊNCIA EIDÉTICA ===== VIDE [[lexico:e:eidetica:start|eidética]] Verifica-se por conseguinte a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de conferir a esta [[lexico:c:ciencia-eidetica:start|ciência eidética]] sua [[lexico:v:validade:start|validade]]. As incertezas da [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], sensíveis já para as [[lexico:c:ciencias-humanas:start|ciências humanas]], mas que ao cabo atingem aquelas que serviam de [[lexico:m:modelo:start|modelo]], [[lexico:f:fisico:start|físico]] e matemático, têm sua [[lexico:o:origem:start|origem]] numa cega [[lexico:p:preocupacao:start|preocupação]] [[lexico:e:experimental:start|experimental]]. Antes de fazer [[lexico:f:fisica:start|física]] é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] estudar [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] o [[lexico:f:fato:start|fato]] físico, sua [[lexico:e:essencia:start|essência]]. O mesmo se pode dizer quanto às outras disciplinas. Da [[lexico:d:definicao:start|definição]] do [[lexico:e:eidos:start|eidos]] tomado pela [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] originária, poder-se-á tirar as conclusões metodológicas que orientarão a [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] empírica. Por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], é claro que nenhuma [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] empírica séria pode [[lexico:s:ser:start|ser]] empreendida se a [[lexico:e:essencia-do-psiquico:start|essência do psíquico]] [[lexico:n:nao:start|não]] foi estabelecida de maneira a evitar qualquer confusão com a essência do físico. Em outros termos, é necessário definir as leis eidéticas que guiam qualquer [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:e:empirico:start|empírico]]; [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:e:estudo:start|estudo]] constitui a ciência eidética em [[lexico:g:geral:start|geral]], ou então [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] (isto é estudo do esse ou essência); essa ontologia foi tomada em sua [[lexico:v:verdade:start|verdade]] como prolegômeno à ciência empírica correspondente, por [[lexico:o:ocasiao:start|ocasião]] do [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] da [[lexico:g:geometria:start|geometria]] e do papel que ela desempenhou no saneamento do conhecimento físico. Todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] naturais têm, como essência, efetivamente, ser especial e a geometria é a eidética do [[lexico:e:espaco:start|espaço]]: mas ela não abarca toda a essência da [[lexico:c:coisa:start|coisa]], daí o surto de novas disciplinas. Podemos pois distinguir hierarquicamente, a partir do empírico: 1) [[lexico:e:essencias:start|essências]] materiais (a do vestiário, por exemplo) estudadas por ontologias ou ciências eidéticas materiais; 2) essências regionais ([[lexico:o:objeto:start|objeto]] cultural) coroando as precedentes e explicitadas por eidéticas regionais; 3) a essência do objeto em geral, segundo a definição dada precedentemente, cujo estudo é feito por uma ontologia [[lexico:f:formal:start|formal]] (A [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] é evidentemente em rede e não unilinear). Essa última essência que coroa todas as essências regionais é uma "pura [[lexico:f:forma:start|forma]] eidética" e a "[[lexico:r:regiao:start|região]] formal" que ela determina não é uma região coordenada pelas regiões materiais mas "a forma vazia de região em geral". Essa ontologia formal é identificável à [[lexico:l:logica:start|lógica]] pura; é a [[lexico:m:mathesis-universalis:start|mathesis universalis]], ambição de [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] e de [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]]. É claro que essa ontologia deve definir não só a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de [[lexico:t:teoria:start|teoria]] em geral, mas todas as formas de teorias possíveis ([[lexico:s:sistema:start|sistema]] da [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]]). Tal é o primeiro grande [[lexico:m:movimento:start|movimento]] do intento husserliano. Ele se apoia no fato, definido como "[[lexico:e:estar:start|estar]] aí individual e [[lexico:c:contingente:start|contingente]]"; a [[lexico:c:contingencia:start|contingência]] do fato remete à essência necessária pois [[lexico:p:pensar:start|pensar]] a contingência é pensar que pertence à essência desse fato poder ser diferente do que é. A [[lexico:f:facticidade:start|facticidade]] implica, portanto, numa [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]]. Esse propósito retoma aparentemente o [[lexico:p:platonismo:start|platonismo]] e sua "[[lexico:i:ingenuidade:start|ingenuidade]]". Mas contém igualmente o [[lexico:c:cartesianismo:start|cartesianismo]] porque se esforça por fazer do conhecimento das essências não o [[lexico:f:fim:start|fim]] de [[lexico:t:todo:start|todo]] conhecimento mas a introdução necessária ao conhecimento do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] material. Nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]] a verdade da eidética reside no empírico, [[lexico:r:razao:start|razão]] por que essa "[[lexico:r:reducao-eidetica:start|redução eidética]]", pela qual fomos levados a passar da facticidade contingente do objeto ao seu conteúdo [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]] pode ser também chamada "mundana". A cada ciência empírica corresponde uma ciência eidética concernente ao eidos regional dos objetos estudados por ela e a própria [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]] é definida, nessa etapa do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] husserliano, como ciência eidética da região [[lexico:c:consciencia:start|consciência]]; em outras [[lexico:p:palavras:start|palavras]], em todas as ciências empíricas do [[lexico:h:homem:start|homem]] (Geistwissenschaften) se encontra implícita necessariamente uma essência da consciência e é essa [[lexico:i:implicacao:start|implicação]] que [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] tenta articular em Ideen II. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}