===== CAUSALIDADE ARISTOTÉLICA ===== [[lexico:n:nao:start|Não]] se encontra nem em um nem em [[lexico:o:outro:start|outro]] destes filósofos um tratado completo sobre a [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]]. Suas concepções sobre este assunto são fragmentárias e, a [[lexico:b:bem:start|Bem]] dizer, mais implicadas nas diversas démarches do seu [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] do que desenvolvidas [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmas. É entretanto [[lexico:p:possivel:start|possível]], simplificando, reconduzir essas concepções a dois centros principais de [[lexico:i:interesse:start|interesse]]: o da causalidade na [[lexico:t:teoria-da-ciencia:start|Teoria da Ciência]] e o da causalidade no [[lexico:e:estudo:start|estudo]] de [[lexico:d:deus:start|Deus]] (causalidade [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]]). A primeira destas elaborações é toda inteira de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], ao passo que a segunda somente encontrou o seu pleno [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] em [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]]. É, de início, nos Segundos [[lexico:a:analiticos:start|Analíticos]] e na [[lexico:f:fisica:start|Física]] (II) que se encontra nossa [[lexico:n:nocao:start|noção]]. Basta aqui relembrar as conclusões precedentemente adquiridas: há duas principais. A [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] é o [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] pelas [[lexico:c:causas:start|causas]]. É a própria [[lexico:d:definicao:start|definição]] da ciência, dada por Aristóteles nos Segundos Analíticos e que ele retomou notadamente no segundo livro da Física e no primeiro livro da [[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]]: Scientia est cognitio per causas. "Sabemos" uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que conhecemos a [[lexico:c:causa:start|causa]]; a causa é o [[lexico:p:principio:start|princípio]] [[lexico:p:proprio:start|próprio]] da [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] científica. Todavia, não nos deixemos confundir; se, como já observamos, Aristóteles e Tomás de Aquino parecem apresentar, de início, a causa em um contexto [[lexico:r:racional:start|racional]] de explicação ou sob uma [[lexico:f:funcao:start|função]] [[lexico:l:logica:start|lógica]], isso não quer dizer que para eles esta noção não tenha [[lexico:v:valor:start|valor]] de [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. Efetivamente, se a causa dá resposta aos "porquês", se ela explica, é porque ela é em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]] princípio de realidade. Deve-se mesmo dizer que fundamentalmente é isto o que ela é. E cabe a Tomás de Aquino, em várias oportunidades, sublinhar fortemente este [[lexico:r:realismo:start|realismo]], afirmando que a causa se refere diretamente ao [[lexico:e:esse:start|esse]], sobre a [[lexico:e:existencia:start|existência]], isto é, sobre o que em si há de mais [[lexico:c:concreto:start|concreto]]: hoc nomen [[lexico:v:vero:start|vero]] causae importat in fluxum quemdam ad esse causati (Metaf., V, I, 1). A explicação causal nas ciências pode se efetuar segundo [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] linhas de causalidade. É a [[lexico:t:tese:start|tese]] clássica por [[lexico:e:excelencia:start|excelência]] do [[lexico:a:aristotelismo:start|aristotelismo]]. Há, na [[lexico:o:ordem:start|ordem]] da explicação física, quatro espécies de causas a considerar: a causa material, a causa [[lexico:f:formal:start|formal]], a causa eficiente e a causa final. Mas se, na ciência física, demonstra-se pelas quatro causas, em [[lexico:m:matematica:start|matemática]] deve-se considerar tão somente a causa eficiente, ao passo que em metafísica referimo-nos sobretudo às causas formal, eficiente e final. Em conclusão, no [[lexico:p:plano:start|plano]] que permanece sempre primeiro do [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]], a causa é o que dá efetivamente o ser e isto segundo as diversas linhas de causalidade - ao passo que no plano derivado da explicação, a causa é o que dá [[lexico:r:razao:start|razão]] de cada ser e aqui ainda segundo as mesmas quatro linhas possíveis de explicação causal. Uma causa é pois essencialmente: aquilo de que uma coisa depende segundo seu ser ou seu [[lexico:d:devir:start|devir]] Causae autem dicuntur ex quibus res dependet secundum esse suum vel [[lexico:f:fieri:start|fieri]]. Fís., I, 1, 1 Desta definição observar-se-á que a causalidade implica necessariamente estes três [[lexico:e:elementos:start|elementos]]: [[lexico:d:distincao:start|distinção]] [[lexico:r:real:start|real]] da causa e do [[lexico:e:efeito:start|efeito]]; dependência efetiva no ser; consequentemente anterioridade da causa sobre o efeito. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}