===== ARCHE ===== arché: [[lexico:c:comeco:start|começo]], [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida, [[lexico:p:principio:start|princípio]], suprema [[lexico:s:substancia:start|substância]] subjacente (Urstoff), princípio supremo [[lexico:i:indemonstravel:start|indemonstrável]] 1. A busca da «substância» básica de que são feitas todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] é a mais antiga da [[lexico:f:filosofia-grega:start|filosofia grega]] e é acompanhada pelo [[lexico:p:problema:start|problema]] com ela relacionado de qual é o [[lexico:p:processo:start|processo]] que por sua vez faz surgir das coisas primárias as coisas secundárias. Ou, para utilizar [[lexico:t:terminologia:start|terminologia]] estritamente aristotélica: [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] a arche (ou archai) e qual é a gênesis dos syntheta? 2. A procura pré-socrática de uma arche no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de uma [[lexico:c:causa:start|causa]] material ([[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] colocara a [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] dentro das suas próprias [[lexico:c:categorias:start|categorias]] de [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]]; [[lexico:v:ver:start|ver]] [[lexico:e:endoxon:start|endoxon]] para o [[lexico:m:metodo:start|método]] implicado) é descrita por Aristóteles na [[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]] 983-985b, e a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] arche deve [[lexico:t:ter:start|ter]] sido usada pela primeira vez neste sentido técnico por [[lexico:a:anaximandro:start|Anaximandro]] (Diels, 12A9). Os primeiros candidatos a [[lexico:e:elementos:start|elementos]] constitutivos das coisas foram [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] naturais individuais, água ou humidade (Tales; ver Metafísica 983b) e o [[lexico:a:ar:start|ar]] (ver [[lexico:a:aer:start|aer]]), mas com a [[lexico:s:sugestao:start|sugestão]] de Anaximandro de que a arche era algo [[lexico:i:indeterminado:start|indeterminado]] ([[lexico:a:apeiron:start|apeiron]]) fora [[lexico:d:dado:start|dado]] um enorme passo no sentido da [[lexico:a:abstracao:start|abstração]] afastando-se do puramente [[lexico:s:sensorial:start|sensorial]]. Abriu a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de a arche [[lexico:s:ser:start|ser]] algo mais básico do que aquilo que podia ser percepcionado pelos sentidos, embora o apeiron fosse, neste [[lexico:e:estadio:start|estádio]], inequivocamente material. Assim Anaximandro iniciou a linha de investigação que levou ao [[lexico:u:uno:start|uno]] [[lexico:s:simples:start|simples]] e esférico de [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]] (ver on, [[lexico:h:hen:start|hen]]) com a correlativa [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre o [[lexico:s:saber:start|saber]] [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] ([[lexico:e:episteme:start|episteme]]) e a [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] ([[lexico:d:doxa:start|doxa]]), e às archai geométricas e matemáticas dos pitagóricos (ver [[lexico:a:arithmos:start|arithmos]], [[lexico:m:monas:start|monas]]) e aos atonia de Leucipo e [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]]. 3. Aquilo que se podia chamar a [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] sensualista continuou a procurar as entidades supremas e irredutíveis nos corpos percepcionados pelos sentidos até que Emipédocles os fixou em [[lexico:q:quatro:start|Quatro]], os stoicheia [[lexico:t:terra:start|Terra]], ar, [[lexico:f:fogo:start|fogo]] e água, mas poucos mais, [[lexico:a:alem:start|além]] de [[lexico:e:empedocles:start|Empédocles]], aceitam estes como verdadeiras archai; eles são antes estádios entre as archai ainda mais remotas e as complexidades superiores dos corpos compósitos (syntheta). 4. A procura das archai toma então um novo rumo. Tanto Parmênides como Empédocles tinham sido categóricos na [[lexico:n:negacao:start|negação]] da [[lexico:m:mudanca:start|mudança]], o primeiro atribuindo-a a uma [[lexico:i:ilusao:start|ilusão]] dos sentidos, o segundo sustentando a [[lexico:e:eternidade:start|Eternidade]] dos stoicheia. Mas isso era uma [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] que a breve trecho foi superada; [[lexico:a:anaxagoras:start|Anaxágoras]] e os [[lexico:a:atomistas:start|atomistas]], cada qual à sua maneira, reafirmam a gênesis e assim, também, a possibilidade de que os stoicheia de Empédocles se transformem uns nos outros. 5. Uma nova [[lexico:a:analise:start|análise]] da gênesis feita por [[lexico:p:platao:start|Platão]] e Aristóteles rejeita as velhas noções da mudança como [[lexico:m:mistura:start|mistura]] ou conglomeração ou [[lexico:a:associacao:start|associação]] e concentra-se em vez disso — o [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] tinha sido dado por Anaxágoras (ver frgs. 4, 12) — na velha [[lexico:n:nocao:start|noção]] das «forças» contrárias (ver [[lexico:d:dynamis:start|dynamis]], enantion, [[lexico:p:pathos:start|pathos]]). Isto está [[lexico:b:bem:start|Bem]] dentro da tradição sensualista visto que estas forças podem ser distinguidas pelos sentidos (reduzidas por Aristóteles, De gen. et corr. II, 329b, ao sentido do tacto, [[lexico:h:haphe:start|haphe]]); mas há também uma inclinação na direcção do apeiron com o isolamento da outra grande arche da mudança, o [[lexico:s:substrato:start|substrato]] [[lexico:i:indefinido:start|indefinido]] e imperceptível (ver [[lexico:h:hypokeimenon:start|hypokeimenon]], [[lexico:h:hypodoche:start|hypodoche]], [[lexico:h:hyle:start|hyle]]). 6. Esta é, pois, a solução eventual (entre os «geneticistas»; as versões atomista e pitagórica continuam a florescer) do problema das archai dos corpos físicos: forças opostas, algumas das quais podem atuar (ver [[lexico:p:poiein:start|poiein]]) enquanto que outras podem ser actuadas (ver [[lexico:p:paschein:start|paschein]]), um substrato material em que ocorre a mudança e, eventualmente, um iniciador da mudança (ver [[lexico:n:nous:start|noûs]], [[lexico:k:kinoun:start|kinoun]]). 7. Um problema relacionado é o que é posto pela [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]] ([[lexico:a:apodeixis:start|apodeixis]]) recuando às suas archai supremas, as primeiras premissas do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] ou os [[lexico:p:principios:start|princípios]] supremos em que assenta um [[lexico:s:silogismo:start|silogismo]], Para os platônicos para [[lexico:q:quem:start|quem]] o verdadeiro conhecimento é fundamentalmente [[lexico:i:inato:start|inato]] baseado como é numa [[lexico:v:visao:start|visão]] pré-natal dos eide (ver [[lexico:a:anamnesis:start|anamnesis]], [[lexico:p:palingenesia:start|palingenesia]]), o problema é de pouca importância, excepto talvez na [[lexico:t:teoria:start|teoria]] posterior da [[lexico:d:dialetica:start|dialética]] onde toda a aproximação da anamnesis ao conhecimento tende a recuar à [[lexico:o:origem:start|origem]] (ver [[lexico:d:dialektike:start|dialektike]]). Quanto ao sensualista que funda [[lexico:t:todo:start|todo]] o conhecimento na [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] sensorial, ele é forçado, pela validação das premissas do conhecimento noético, a identificar a [[lexico:a:aisthesis:start|aisthesis]] e a [[lexico:n:noesis:start|noesis]] (assim os atomistas, embora [[lexico:e:epicuro:start|Epicuro]] se afaste um pouco com a sua noção de «auto-evidência»; ver [[lexico:e:enargeia:start|enargeia]]), ou a ligar ambas, como fez Aristóteles, com o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] (ver [[lexico:e:epagoge:start|epagoge]], noûs). Para outra [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] do problema das archai dos corpos físicos, ver [[lexico:s:syntheton:start|syntheton]]; para o processo pelo qual as archai se tornam entidades mais complexas, ver gênesis; para a [[lexico:e:existencia:start|existência]] de duas archai eticamente opostas, ver [[lexico:k:kakon:start|kakon]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}