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| lexico:m:mito [10/06/2026 08:31] – created - external edit 127.0.0.1 | lexico:m:mito [08/10/2026 09:13] (current) – mccastro |
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| | ===== MITO ===== |
| | (do gr. [[lexico:m:mythos|mythos]], [[lexico:l:lenda|lenda]]). Da [[lexico:r:raiz|raiz]] my (mu), a mesma de "[[lexico:m:misterio|mistério]]" e que tinha o [[lexico:s:sentido|sentido]] de "[[lexico:s:silencio|silêncio]]", guardar silêncio; ou seja, refere-se a algo que se nega a [[lexico:s:ser|ser]] expresso em [[lexico:p:palavras|palavras]], só admitindo o [[lexico:u:uso|uso]] de [[lexico:f:figura|figura]], [[lexico:i:imagem|imagem]], [[lexico:a:alegoria|alegoria]], [[lexico:m:metafora|metáfora]], ou a [[lexico:f:forma|forma]] imaginária de mitos, fábulas, estórias. |
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| | (do gr. mythos, [[lexico:f:fabula|fábula]]), narrativa dos tempos fabulosos e heroicos, [[lexico:o:objeto|objeto]] da [[lexico:m:mitologia|mitologia]]. — A [[lexico:r:reflexao|reflexão]] sobre os mitos e a mitologia empenha-se em descobrir o nascimento das religiões, pois o mito constitui uma primeira forma de [[lexico:e:explicacao|explicação]] das [[lexico:c:coisas|coisas]] e do [[lexico:u:universo|universo]], uma explicação que é da [[lexico:o:ordem|ordem]] do [[lexico:s:sentimento|sentimento]], [[lexico:n:nao|não]] da [[lexico:r:razao|razão]]. A reflexão sobre os mitos como [[lexico:m:metodo|método]] de um [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] aprofundado do [[lexico:h:homem|homem]] e das religiões foi preconizada e praticada por [[lexico:s:schelling|Schelling]], J. Bachofen, E. [[lexico:c:cassirer|Cassirer]], K. [[lexico:j:jaspers|Jaspers]] e P. [[lexico:r:ricoeur|Ricoeur]]. |
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| | a) É o [[lexico:r:relato|relato]] [[lexico:s:simbolico|simbólico]] que não revela imediatamente qualquer reflexão sobre fatos realizados por agentes impessoais ou forças da [[lexico:n:natureza|natureza]], mas representados por seres pessoais. Esses relatos constituem, em [[lexico:s:suma|suma]], a mitologia, acrescentando-se neles as crenças respectivas. |
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| | b) A [[lexico:e:exposicao|exposição]] de uma [[lexico:i:ideia|ideia]] ou doutrina sob a forma predominantemente poética, portanto metafórica e alegoricamente, como o [[lexico:m:mito-da-caverna|mito da caverna]] de [[lexico:p:platao|Platão]] (v. [[lexico:m:mito-em-platao|mito em Platão]]). |
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| | c) Uma [[lexico:c:crenca|crença]] mais ou menos [[lexico:g:geral|geral]] que não tem nenhuma [[lexico:c:consciencia|consciência]] histórica, como o "mito da greve geral" para instaurar a [[lexico:r:revolucao|revolução]] [[lexico:s:social|social]], defendida pelos socialistas revolucionários e sindicalistas. Vide [[lexico:u:utopia|utopia]]. |
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| | Chama-se mito a um relato de algo fabuloso que se supõe que aconteceu num passado remoto e quase sempre impreciso. Os mitos podem referir-se a grandes feitos heroicos que, com frequência são considerados como [[lexico:f:fundamento|fundamento]] e o [[lexico:c:comeco|começo]] da [[lexico:h:historia|história]] de uma [[lexico:c:comunidade|comunidade]] ou do [[lexico:g:genero|gênero]] [[lexico:h:humano|humano]] em geral. Podem [[lexico:t:ter|ter]] como conteúdo fenômenos naturais, e nesse caso costumam ser apresentados alegoricamente. Muitas vezes, os mitos comportam a personificação de coisas ou acontecimentos. |
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| | Quando o mito é tomado alegoricamente, converte-se num relato com dois aspectos, ambos igualmente necessários: o fictício e o [[lexico:r:real|real]]. O fictício consiste em que, de [[lexico:f:fato|fato]], não aconteceu o que o relato [[lexico:m:mitico|mítico]] diz. O real consiste em que, de certo [[lexico:m:modo|modo]], o que diz o relato mítico corresponde à [[lexico:r:realidade|realidade]]. O mito é como um relato daquilo que poderia ter acontecido se a realidade coincidisse com o [[lexico:p:paradigma|paradigma]] da realidade. Na [[lexico:a:antiguidade|antiguidade]], alguns, como os [[lexico:s:sofistas|sofistas]], separaram o mito da razão, mas nem sempre para sacrificar inteiramente o primeiro, pois com frequência admitiram a narração mitológica como envoltura da [[lexico:v:verdade|verdade]] filosófica. Esta concepção foi retomada por Platão, especialmente quando considerou o mito como modo de expressar certas verdades que escapam ao [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]]. Neste sentido, o mito não pode ser eliminado da [[lexico:f:filosofia-platonica|filosofia platônica]], pois desapareceriam então dela a doutrina do [[lexico:m:mundo|mundo]], da [[lexico:a:alma|alma]] e de [[lexico:d:deus|Deus]], [[lexico:b:bem|Bem]] como [[lexico:p:parte|parte]] da [[lexico:t:teoria|teoria]] das [[lexico:i:ideias|ideias]]. O mito é para Platão, muitas vezes, algo mais que uma [[lexico:o:opiniao|opinião]] [[lexico:p:provavel|provável]]. Mas, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], o mito aparece nele como o modo de expressar o [[lexico:r:reino|reino]] do [[lexico:d:devir|devir]]. |
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| | Na antiguidade e na idade média, deu-se [[lexico:p:particular|particular]] [[lexico:a:atencao|atenção]] ao [[lexico:p:proprio|próprio]] conteúdo dos mitos e ao seu poder [[lexico:e:explicativo|explicativo]]. Desde o [[lexico:r:renascimento|Renascimento]], abriu-se passagem a um [[lexico:p:problema|problema]] que, embora já tratado na antiguidade, tinha ficado um pouco à margem: o problema da realidade, e, por conseguinte, o problema da verdade ou [[lexico:g:grau|grau]] de verdade, dos mitos.. Muitos autores modernos negaram-se a considerar os mitos como dignos de [[lexico:m:mencao|menção]]. A verdadeira história, proclamaram eles, não tem [[lexico:n:nada|nada]] de mítico. Contudo, à [[lexico:m:medida|medida]] que se procurou estudar a história empiricamente, verificou-se que os mitos podem não ser verdadeiros no que contam, mas são verdadeiros noutro sentido: em que contam algo que realmente aconteceu na história, isto é, a crença em mitos. por outras palavras, os mitos foram considerados como fatos históricos: a sua verdade é uma verdade histórica. |
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| | Na [[lexico:e:epoca|época]] contemporânea, prevaleceu o [[lexico:e:estudo|estudo]] do mito como [[lexico:e:elemento|elemento]] [[lexico:p:possivel|possível]], e em [[lexico:t:todo|todo]] o caso ilustrativo, da história humana e de certas formas de comunidade humana. O mito não é mero objeto de pura [[lexico:i:investigacao|investigação]] empírico-descritiva, nem tão pouco é [[lexico:m:manifestacao|manifestação]] histórica de nenhum [[lexico:a:absoluto|absoluto]]: é modo de ser ou forma de uma consciência: a “consciência mítica”. Esta consciência tem um [[lexico:p:principio|princípio]] que se pode investigar mediante um [[lexico:t:tipo|tipo]] de [[lexico:a:analise|análise]] que não é nem empírica nem [[lexico:m:metafisica|metafísica]], mas - em sentido muito lato - epistemológico. Mas como, ao mesmo tempo, a consciência mítica é uma das formas da consciência humana, o exame dos mitos ilumina a [[lexico:e:estrutura|estrutura]] dessa consciência. O que se investiga deste modo é a [[lexico:f:funcao|função]] dos mitos na consciência e na [[lexico:c:cultura|cultura]]. A [[lexico:f:formacao|formação]] de mitos obedece a uma [[lexico:e:especie|espécie]] de [[lexico:n:necessidade|necessidade]]: a necessidade da consciência cultural. Os mitos podem ser considerados como supostos culturais. |
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| | Devido à sua origem e à sua história, a noção de mito, que herdamos dos gregos, pertence a uma tradição de pensamento peculiar ao Ocidente, na qual o mítico é definido por aquilo de que se diferencia: numa dupla relação de oposição com o real, por um lado (o mito é ficção), e com o racional, por outro (o mito é absurdo). É precisamente nessa linha de pensamento, no âmbito dessa tradição, que devemos situar, para poder compreendê-lo, o desenvolvimento dos estudos modernos sobre o mito. Ao buscar procedimentos interpretativos e técnicas de decifração capazes de conferir sentido ao que, à primeira vista, poderia parecer uma confusão de fábulas bizarras, fomos levados a questionar as concepções antigas e a nos interrogar sobre a verdadeira natureza do que era designado pelo nome de mito. Qual é o status social e intelectual desse tipo de relato? Em que medida ele constitui um modo específico de expressão, dotado de uma linguagem, um pensamento e uma lógica particulares? Como situar o mito no conjunto da vida coletiva de uma sociedade e diferenciá-lo das crenças e dos ritos religiosos, de todos os elementos da tradição oral: contos de fadas, provérbios, folclore, ficções propriamente literárias? E, colocando-nos numa perspectiva antropológica, que lugar lhe atribuiremos no indivíduo e no grupo, que dimensão humana lhe reconheceremos? [Jean-Pierre Vernant, MITO] |
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