===== WEBER E MARX ===== Do [[lexico:m:materialismo-historico|materialismo histórico]], [[lexico:w:weber|Weber]] rejeita o [[lexico:p:pressuposto|pressuposto]] marxista de direção determinada de [[lexico:c:condicionamento|condicionamento]] que vai da [[lexico:e:estrutura|estrutura]] para a [[lexico:s:superestrutura|superestrutura]] e que tenha o [[lexico:c:carater|caráter]] de [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] [[lexico:g:geral|geral]] da [[lexico:h:historia|história]]. E, contrariamente à [[lexico:p:posicao|posição]] marxista do inelutável condicionamento do [[lexico:m:momento|momento]] econômico sobre qualquer [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:e:estado|Estado]] [[lexico:p:pessoal|pessoal]] ou [[lexico:s:social|social]], material ou imaterial, Weber defende, no [[lexico:e:escrito|escrito]] A "[[lexico:o:objetividade|objetividade]]" cognoscitiva da [[lexico:c:ciencia|ciência]] social e da [[lexico:p:politica|política]] social, a [[lexico:d:divisao|divisão]] dos fenômenos sociais com base em sua [[lexico:r:relacao|relação]] com a [[lexico:e:economia|economia]]. Escreve Weber: "Dentro do âmbito dos problemas econômico-sociais, nós podemos distinguir processos e conjuntos de normas e instituições etc, cujo [[lexico:s:significado|significado]] cultural consiste para nós essencialmente em seu lado econômico e que, em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], nos interessam somente desse [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista, como, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], os processos da [[lexico:v:vida|vida]] das bolsas e dos bancos. Isso acontecerá normalmente (ainda que [[lexico:n:nao|não]] exclusivamente) quando se tratar de instituições que tenham sido criadas ou sejam utilizadas conscientemente para objetivos econômicos. Podemos chamar tais objetos do nosso conhecer com o [[lexico:n:nome|nome]] de processos ou então de instituições econômicas". E prossegue: "A esses, acrescentam-se outros — como, por exemplo, os processos da vida religiosa — que não nos interessam ou então seguramente não nos interessam em primeiro lugar, do ponto de vista do seu significado econômico e em [[lexico:v:virtude|virtude]] dele, mas que, no entanto, em determinadas circunstâncias, adquirem significado desse ponto de vista, já que deles derivam efeitos que nos interessam do ponto de vista econômico: trata-se de fenômenos economicamente relevantes". E conclui: "Por [[lexico:f:fim|fim]], entre os fenômenos que não são econômicos em nosso [[lexico:s:sentido|sentido]], há alguns que não apresentam para nós nenhum [[lexico:i:interesse|interesse]] ou, pelo menos, não apresentam interesse considerável — como, por exemplo, a direção do [[lexico:g:gosto|gosto]] [[lexico:a:artistico|artístico]] de uma [[lexico:e:epoca|época]] —, mas que, por seu turno, no caso específico, foram influenciados em [[lexico:m:medida|medida]] mais ou menos forte por [[lexico:m:motivos|motivos]] econômicos em certos aspectos importantes de sua [[lexico:f:fisionomia|fisionomia]], como, por exemplo, o [[lexico:t:tipo|tipo]] de organização social do [[lexico:p:publico|público]] que se interessa pela [[lexico:a:arte|arte]]: trata-se de fenômenos condicionados economicamente". [[lexico:c:como-se|como se]] vê, Weber procura ampliar e desdogmatizar a posição marxista. Escreve ele: "Sem [[lexico:d:duvida|dúvida]], [[lexico:i:isolar|isolar]] o [[lexico:a:aspecto|aspecto]] econômico-social da vida cultural representa [[lexico:s:sensivel|sensível]] delimitação do nosso [[lexico:t:tema|tema]]. Pode-se dizer que o ponto de vista econômico ou, como se definiu imprecisamente, materialista, com base no qual é aqui considerada a vida da [[lexico:c:cultura|cultura]], é ponto de vista unilateral. E, certamente, essa unilateralidade é [[lexico:i:intencional|intencional]]". E é exatamente dessa unilateralidade intencional e dogmática do [[lexico:m:marxismo|marxismo]] que Weber quer que nos libertemos, a fim de que possamos [[lexico:v:ver|ver]] efetivamente o poder científico das [[lexico:h:hipoteses|hipóteses]] marxistas. Afirma ele: "Livres finalmente da confiança antiquada na [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de deduzir a [[lexico:t:totalidade|totalidade]] dos fenômenos culturais como produtos ou então como [[lexico:f:funcao|função]] de constelações de interesses materiais, nós consideramos, porém, por outro lado, que a [[lexico:a:analise|análise]] dos fenômenos sociais e dos processos da cultura do ponto de vista do seu condicionamento e de sua [[lexico:d:dimensao|dimensão]] [[lexico:e:economica|econômica]] tem sido e ainda pode continuar sendo em qualquer época previsível, com a aplicação cautelosa e livre de toda [[lexico:r:restricao|restrição]] dogmática, um [[lexico:p:principio|princípio]] científico de fecundidade criadora. A chamada concepção materialista da história como [[lexico:i:intuicao-do-mundo|intuição do mundo]] ou como denominador comum de aplicação causal da [[lexico:r:realidade|realidade]] histórica deve [[lexico:s:ser|ser]] rejeitada do [[lexico:m:modo|modo]] mais decidido, mas o acurado emprego da interpretação econômica da história é um dos objetivos essenciais de nossa revista". Weber, portanto, aceita de [[lexico:b:bom|Bom]] grado a [[lexico:e:explicacao|explicação]] em termos econômicos da história. O que ele rejeita é a metafisicização e a dogmatização de tal [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]]. A propósito disso, escreve: "A concepção materialista da história do velho sentido genialmente [[lexico:p:primitivo|primitivo]], que se apresenta, por exemplo, no Manifesto comunista, hoje só sobrevive na cabeça de pessoas privadas de competência específica e de diletantes. Entre essa gente, ainda se pode encontrar de [[lexico:f:forma|forma]] extensa o [[lexico:f:fato|fato]] de que sua [[lexico:n:necessidade|necessidade]] causal de explicação de um [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] [[lexico:h:historico|histórico]] não encontra satisfação enquanto não se mostram (ou não aparecem), de algum modo em algum lugar, [[lexico:c:causas|causas]] econômicas. Mas precisamente nesses casos eles se contentam com hipóteses de malhas mais amplas e formulações mais gerais, enquanto sua necessidade dogmática é satisfeita ao considerar que as forças instintivas econômicas são as forças próprias, as únicas verdadeiras e, em última [[lexico:i:instancia|instância]], as forças sempre decisivas". Diz Weber que absolutizar uma perspectiva quando ela foi recém-descoberta constitui fenômeno histórico [[lexico:t:tipico|típico]] de toda [[lexico:d:disciplina|disciplina]]. No caso do [[lexico:m:materialismo|materialismo]] histórico, deve-se levar na devida conta a "[[lexico:q:questao|questão]] dos trabalhadores", que, com sua [[lexico:n:natureza|natureza]] [[lexico:e:etica|ética]], leva o [[lexico:t:teorico|teórico]] ao [[lexico:c:caminho|caminho]] do ineliminável caráter monístico da perspectiva. E quando, em um período, se superestima determinada concepção, geralmente logo em seguida passa-se a subestimá-la, a tal ponto que acabamos perdendo a sua fecundidade científica. O fato grave é que, na [[lexico:o:opiniao|opinião]] de Weber, os que aceitam dogmaticamente a concepção materialista da história com "acriticidade sem igual", onde quer que se apresentem dificuldades para a explicação puramente econômica, apressam-se a aplicar expedientes para manter de pé a [[lexico:v:validade|validade]] [[lexico:u:universal|universal]] da interpretação economicista, afirmando, por exemplo, que aquilo que não é economicamente dedutível revela-se cientificamente desprovido de significado e, portanto, acidental ou então estendendo o [[lexico:c:conceito|conceito]] de "econômico" de modo tão [[lexico:v:vago|vago]] que acaba por se perder o poder científico da [[lexico:t:teoria|teoria]]. Para concluir, podemos dizer que Weber: a) aceita a perspectiva marxista nos limites em que ela, a cada vez, é adotada como conjunto de hipóteses explicativas a serem comprovadas caso a caso; b) rejeita a perspectiva marxista quando se transforma em [[lexico:d:dogma|dogma]] metafísico e, simultaneamente, se apresenta como concepção científica do [[lexico:m:mundo|mundo]]; c) não é [[lexico:i:intencao|intenção]] de Weber, como escreve em A [[lexico:e:etica-protestante-e-o-espirito-do-capitalismo|ética protestante e o espírito do capitalismo]], a de "substituir" uma interpretação causal da [[lexico:c:civilizacao|civilização]] e da história abstratamente materialista por outra espiritualidade, porém, igualmente abstrata: "Ambas são possíveis, mas com ambas serve-se igualmente pouco à [[lexico:v:verdade|verdade]] histórica quando elas pretendem ser, não preparação, mas conclusão da [[lexico:i:investigacao|investigação]]".