===== VIVIDO ===== O [[lexico:a:a-priori:start|a priori]] fenomenológico é o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] vivido, pois que é «nele» que tudo é visado e conhecido. Mas este a priori [[lexico:n:nao:start|não]] é o de uma [[lexico:c:consciencia:start|consciência]], e menos ainda o de uma [[lexico:n:natureza-humana:start|natureza humana]] que imporia ao [[lexico:m:mundo:start|mundo]] da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] a sua [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] própria. Na [[lexico:h:historia-da-filosofia:start|história da filosofia]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]], um tal a priori foi estabelecido por [[lexico:k:kant:start|Kant]], ou pelo menos retido na versão vulgarizada do [[lexico:k:kantismo:start|kantismo]]. Mas, se a consciência é qualquer [[lexico:o:orientacao:start|orientação]] para a [[lexico:c:coisa:start|coisa]], ela não «possui» qualquer a priori que possa impor. As primeiras pesquisas de [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] sobre a [[lexico:l:logica:start|lógica]] pura e a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] mostram, pelo contrário, que o a priori [[lexico:f:formal:start|formal]] é, de algum [[lexico:m:modo:start|modo]], reencontrado pela consciência, não retido nela, ou ainda que «a [[lexico:n:norma:start|norma]] do matemático está nas matemáticas, a do [[lexico:l:logico:start|lógico]] na lógica». Todavia, o [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] deste a priori não é inútil, serve mesmo para Husserl de [[lexico:m:motivo:start|motivo]] determinante para [[lexico:c:compreender:start|compreender]] e situar [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] o a priori do vivido. Neste [[lexico:u:ultimo:start|último]] não se trata, pelo menos inicialmente, quando se segue o [[lexico:m:metodo-fenomenologico:start|método fenomenológico]] e o seu [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] ao longo da [[lexico:o:obra:start|obra]] de Husserl, da anterioridade de «a [[lexico:v:vida:start|vida]]» sobre a ciência. Pois que «o vivido» não [[lexico:f:forma:start|forma]] uma [[lexico:m:massa:start|massa]] fluente e indistinta relativamente à fixação dos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]]. Este a priori também não é o do [[lexico:c:comeco:start|começo]] do [[lexico:s:saber:start|saber]] na [[lexico:c:certeza:start|certeza]] subjetiva. Em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] da [[lexico:i:intencionalidade:start|intencionalidade]] da consciência, trata-se aí de um a priori estrutural de outra [[lexico:o:ordem:start|ordem]], que pode caracterizar-se pela [[lexico:c:correlacao:start|correlação]] existente entre os vividos e os objetos visados neles: «mas se se volta o [[lexico:i:interesse:start|interesse]] para a [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]] do fazer [[lexico:s:subjetivo:start|subjetivo]], para [[lexico:t:todo:start|todo]] o encadeamento da vida subjetiva, na qual a [[lexico:m:matematica:start|matemática]] nasce no matemático ([[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] que pode [[lexico:s:ser:start|ser]] transposto para qualquer [[lexico:o:objeto:start|objeto]]), define-se uma orientação correlativa» (Husserliana, T. ix). Este a priori da correlação definirá uma [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] completamente concreta e nova, a de mostrar [[lexico:p:ponto:start|ponto]] a ponto na [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] os vividos, que fazem que qualquer coisa possa intervir e apresentar-se como objeto. Há aí, portanto, para a [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] da [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]] como ciência a indicação de um [[lexico:m:metodo:start|método]] [[lexico:u:universal:start|universal]] e rigoroso. A [[lexico:i:interrogacao:start|interrogação]] radical sobre as [[lexico:c:categorias:start|categorias]] de objetos correspondendo a priori a modos de consciência definidos segundo esses objetos abre à ciência apriorística «um novo mundo», o da multiplicidade das diferenças «internas». [Schérer] ...o resultado [[lexico:c:concreto:start|concreto]] da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] da [[lexico:r:representacao:start|representação]] (v. metafísica heideggeriana) é o de instaurar, na vida cotidiana, a [[lexico:d:dualidade:start|dualidade]] do vivido e do [[lexico:c:construido:start|construído]]. O vivido é tudo aquilo que experimentamos de maneira ingênua, espontânea, nesta [[lexico:a:atitude-natural:start|atitude natural]] de abertura em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao mundo, constituindo o que podemos chamar de o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] da [[lexico:e:existencia:start|existência]]. Por [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] a essa [[lexico:a:atitude:start|atitude]] [[lexico:n:natural:start|natural]], a atitude científica consiste em substituir o vivido por construções que, por mais fundadas que sejam, possuam um [[lexico:c:carater:start|caráter]] artificial. O vivido é aquilo que constitui o objeto de nossa celebração: aquilo que se diz na [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] da [[lexico:p:poesia:start|poesia]], que é justamente a forma de linguagem na qual celebramos o mundo. [Ladrière] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}