===== VIDA CONSCIENTE ===== Como [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:f:fisico:start|físico]], o [[lexico:h:homem:start|homem]] pertence à [[lexico:n:natureza:start|natureza]] material; partilha de toda a sua cegueira e sofre toda sua [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]]. Como ser vivo, e inclusive como [[lexico:a:animal:start|animal]], [[lexico:n:nada:start|nada]] mais faz que sentir; [[lexico:n:nao:start|não]] se dá conta ou nem sequer conhece sua [[lexico:e:existencia:start|existência]]. Dirigido, impelido, arrastado, como os animais, pelas impressões internas ou externas, por todas as determinações de um [[lexico:i:instinto:start|instinto]] cego, é ator subordinado e não espectador do [[lexico:u:universo:start|universo]]; não se dirige em [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] por sua própria [[lexico:f:forca:start|força]]. Carente do poder de começar uma [[lexico:s:serie:start|série]] de movimentos e de atos voluntários, reage e não atua. Porém, como [[lexico:e:ente:start|ente]] dotado de uma livre [[lexico:p:potencia:start|potência]] de [[lexico:m:movimento:start|movimento]] e de [[lexico:a:acao:start|ação]], goza o homem de [[lexico:v:vida:start|vida]] de [[lexico:r:relacao:start|relação]] e de [[lexico:c:consciencia:start|consciência]]; subtraído da necessidade do [[lexico:f:fatum:start|fatum]], estende sobre a natureza o domínio que tem em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]] sobre os instrumentos de sua [[lexico:v:vontade:start|vontade]]. Vive não somente da vida comum a todos os seres que sentem como ele, mas também sente que vive, e enquanto a [[lexico:s:sensacao:start|sensação]] envolve realmente toda a existência animal, só o homem tem [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de sua sensação e distingue sua [[lexico:i:individualidade:start|individualidade]]; dá-se conta de seu [[lexico:e:eu:start|eu]] ou tem consciência dele. Tem não somente [[lexico:r:relacoes:start|relações]] essenciais com a natureza de que [[lexico:f:forma:start|forma]] [[lexico:p:parte:start|parte]], [[lexico:c:como-se:start|como se]] apercebe de suas relações; dá-se conta delas; mais ainda, modifica-as, estende-as sem cessar, ou as cria novas, por [[lexico:m:meio:start|meio]] do exercício dessa força [[lexico:a:agente:start|agente]] e pensante que constitui sua natureza, sua existência e toda sua [[lexico:p:personalidade:start|personalidade]]. Falando com [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]], o homem nada percebe ou nada conhece, a não ser enquanto tem consciência de sua individualidade [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]], ou enquanto sua própria existência é um [[lexico:f:fato:start|fato]] para ele mesmo, enfim enquanto é eu. O [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] do eu é, pois, o fato [[lexico:p:primitivo:start|primitivo]] do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]; e como ulteriormente provamos que não depende essencialmente de nenhuma [[lexico:i:impressao:start|impressão]] recebida pelos [[lexico:s:sentidos-externos:start|sentidos externos]], que não está essencialmente ligado a nenhuma modificação variável, acidental, embora se associe a todas, mas que é exclusivamente inerente ao exercício de um [[lexico:s:sentido:start|sentido]] íntimo [[lexico:p:particular:start|particular]], afirmamos que é um fato primitivo do sentido íntimo. (Essai sur les fondements de la psychologie et sur ses rapports avec l’étude de la nature, parte I, Introdução.) {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}