===== VERIFICAÇÃO ===== (in. Verification; fr. Verification; al. Verifikation; it. Verificazioné). 1. Em [[lexico:g:geral:start|geral]], qualquer procedimento que permita estabelecer a [[lexico:v:verdade:start|verdade]] ou a [[lexico:f:falsidade:start|falsidade]] de um [[lexico:e:enunciado:start|enunciado]] qualquer. Uma vez que os graus e os instrumentos da verificação podem [[lexico:s:ser:start|ser]] inumeráveis, [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:t:termo:start|termo]] tem alcance generalíssimo e indica a aplicação de qualquer procedimento de atestação ou [[lexico:p:prova:start|prova]]. Esse termo também pode ser usado para indicar a aferição de uma [[lexico:s:situacao:start|situação]] qualquer com base em regras ou instrumentos idôneos; nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]], fala-se em verificar as contas, os graus de um ângulo ou a autenticidade de certos documentos, etc. Neste sentido geral, esse termo também é empregado sem [[lexico:r:referencia:start|referência]] à [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] ou aos fatos, podendo-se [[lexico:f:falar:start|falar]] em verificação de uma [[lexico:e:expressao:start|expressão]] [[lexico:m:matematica:start|matemática]], de um enunciado [[lexico:a:analitico:start|analítico]] da [[lexico:l:logica:start|lógica]], assim como em verificação de um enunciado factual ou [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] científica. Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de verificação às vezes é ampliada para nela incluir [[lexico:n:nao:start|não]] só o procedimento que permite estabelecer a verdade ou a falsidade de um enunciado, mas também o que permite estabelecer a verdade, a falsidade ou a [[lexico:i:indeterminacao:start|indeterminação]] do enunciado: isso com referência a uma lógica de três valores, e não de dois (cf. [[lexico:r:reichenbach:start|Reichenbach]], "The Principle of Anomaly in Quantum Mechanics", 1948, em Reading in the Phil. of Science, 1953, pp. 519-20). 2. Em sentido restrito e específico, a verificação diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] aos enunciados factuais e é um procedimento que recorre à experiência ou aos fatos. Foi exatamente nesse sentido que o [[lexico:e:empirismo-logico:start|empirismo lógico]] entendeu a verificação como [[lexico:c:criterio:start|critério]] do [[lexico:s:significado:start|significado]] das proposições: critério que o [[lexico:c:circulo-de-viena:start|Círculo de Viena]] interpretava da [[lexico:f:forma:start|forma]] mais rigorosa, declarando desprovidos de sentido todos os enunciados que não se prestassem a uma absoluta verificação empírica. Esse [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista foi expresso com [[lexico:t:todo:start|todo]] o rigor por Carnap em sua [[lexico:o:obra:start|obra]] Der logische Aufbau der Welt (1928). A [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de uma verificação absoluta foi, porém, negada, no âmbito do [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:c:circulo:start|Círculo]] de Viena, por K. [[lexico:p:popper:start|Popper]] (Logik der Forschung, 1935) e depois por Lewis ("Experience and Meaning", em Philosophical Review, 1934) e por Nagel (em Journal of Phi-losophy, 1934). Assim, o próprio Carnap modificava seu ponto de vista, e num ensaio de 1936 ("Testability and Meaning", [[lexico:a:agora:start|agora]] em Readings in the Phil. of Science, 1953, p. 47-92) falava de [[lexico:c:confirmacao:start|confirmação]] (confirmation) dos enunciados, em vez de verificação Sempre que a verificação completa não seja [[lexico:p:possivel:start|possível]] (e quase nunca é possível no [[lexico:c:campo:start|campo]] da [[lexico:c:ciencia:start|ciência]]), o [[lexico:p:principio:start|princípio]] da verificabilidade expressa a exigência de uma confirmação gradualmente crescente (Ibid., p. 49). Deste ponto de vista, a aceitação ou a [[lexico:r:recusa:start|recusa]] de um enunciado factual contém sempre um componente convencional, que consiste na [[lexico:d:decisao:start|decisão]] prática que se deve tomar para considerar o [[lexico:g:grau:start|grau]] de confirmação de um enunciado como suficiente para a sua aceitação. Este ponto de vista é hoje amplamente aceito. 3. No que diz respeito ao procedimento de verificação factual, pouco foi [[lexico:d:dito:start|dito]] até agora pelos filósofos. Reichenbach dividiu esse procedimento em duas fases, que são: 1) introdução de uma [[lexico:c:classe:start|classe]] fundamental O de enunciados observacionais, ou seja, de significados primitivos ou diretos que não estão sob [[lexico:i:indagacao:start|indagação]] durante o curso da [[lexico:a:analise:start|análise]]; 2) um conjunto de [[lexico:r:relacoes:start|relações]] derivativas (ou regras de [[lexico:t:transformacao:start|transformação]]) D, que permitem ligar alguns termos com as bases O. Depois de definidas por indagação específica tanto a base O quanto as relações derivativas D, o termo "verificado" pode ser definido como "o ser derivado da base O nos termos das relações D’. A esta [[lexico:d:descricao:start|descrição]] Reichenbach acrescenta uma [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] importante: a [[lexico:c:condicao:start|condição]] do significado não é a [[lexico:a:atual:start|atual]], mas a verificação possível (sem a qual os enunciados históricos, p. ex., não teriam significado); portanto, a noção de verificação pressupõe a de possibilidade, e a esse respeito Rei-chenbach distingue a possibilidade lógica, a possibilidade [[lexico:f:fisica:start|física]] e a possibilidade [[lexico:t:tecnica:start|técnica]], distinguindo correspondentemente três espécies de significados ("Verifiability Theory of Meaning", em Proceedings of the American Academy of Arts and Sciences, 1951, pp. 46 ss.). Assim, a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] de verificação está ligada à noção da possibilidade. O controle da verdade de uma teoria, de uma [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]]. — A verificação é o [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] [[lexico:m:momento:start|momento]] do [[lexico:m:metodo-experimental:start|método experimental]], segundo J. S. [[lexico:m:mill:start|Mill]], sendo o primeiro a "[[lexico:o:observacao:start|observação]]" e o segundo a "[[lexico:i:inducao:start|indução]]" ou colocação da "hipótese". A verificação consiste em estender a todos os casos possíveis a hipótese explicativa que se formulou: é a "[[lexico:e:experimentacao:start|experimentação]]". Por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], é experimentando um foguete, em todos os [[lexico:l:lugares:start|lugares]] e em todas as condições, que se pode verificar os cálculos teóricos que presidiram sua construção. Como [[lexico:a:acao:start|ação]] de verificar, a verificação consiste num exame de que algo é [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] ou certo. Como o que resulta verdadeiro ou certo é um enunciado, a verificação é o exame de que um enunciado é verdadeiro. A verificação, no entanto, não é apenas o exame, mas também o resultado do mesmo. Por este [[lexico:m:motivo:start|motivo]], a verificação é uma comprovação. Na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que se supõe que o enunciado que se trata de verificar é verdadeiro, a verificação é também uma confirmação. Por isso, verificação, comprovação e confirmação têm sido às vezes usadas para designar a mesma [[lexico:o:operacao:start|operação]], ou [[lexico:s:serie:start|série]] de operações. Em toda a [[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]], o [[lexico:p:problema:start|problema]] da verificação de enunciados ocupa um [[lexico:l:lugar:start|lugar]] proeminente. Alguns autores trataram o problema da verificação dentro do que se tem [[lexico:c:chamado:start|chamado]] [[lexico:c:criteriologia:start|criteriologia]], por considerarem que verificar requer [[lexico:t:ter:start|ter]] certos critérios de verdade. A [[lexico:q:questao:start|questão]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] e modos de levar a cabo a verificação de enunciados tem ocupado, portanto, todos os filósofos interessados em problemas do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]. No entanto, tem ocupado sobre tudo dois grupos de filósofos: os pragmatistas e os positivistas lógicos e, em geral, os neopositivista.. Existe, contudo, uma [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] fundamental no [[lexico:m:modo:start|modo]] como os referidos grupos têm entendido a verificação. Para os pragmatistas tem-se tratado sobretudo de fazer verdadeiras as proposições no sentido de que nenhuma [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] [[lexico:d:dever:start|dever]] ser admitida como verdadeira se não pode, pelo menos, em princípio, ser verificado. Se todo o enunciado tem uma pretensão de verdade, esta pretensão não ficará cumprida senão quando tenha sido verificado. Os que chamaremos neopositivistas não se interessaram tanto por verificar a verdade (ou falsidade) das proposições); como por verificar a [[lexico:s:significacao:start|significação]] (ou [[lexico:f:falta:start|falta]] de significação) das proposições. O critério de verificação da significação é o chamado “princípio de verificação”, e o modo, ou modos, [[lexico:c:como-se:start|como se]] procede, ou pode proceder-se, à verificação das proposições chama-se “[[lexico:m:metodo:start|método]] de verificação”. O princípio de verificação sustenta que a significação de uma proposição equivale a sua verificação. As proposições não verificáveis não são,, propriamente falando, proposições, porque carecem de significação. Por isso, apenas podem verificar-se as proposições chamadas empíricas, visto que apenas há verificação empírica. O que não é verificação empírica, não é verificação. Muitos enunciados resultam, de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com isto, inverificáveis; enunciados teológicos, enunciados metafísicos, enunciados axiológicos, etc. As expressões da lógica e da matemática não são tão pouco empiricamente verificáveis, mas não é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] excluí-las, porque se trata de tautologias. Os neopositivistas seguiam com isto a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de [[lexico:h:hume:start|Hume]] de classificar todos os enunciados em “proposições sobre fatos” e “proposições sobre relações de [[lexico:i:ideias:start|ideias]]”. O princípio de verificação refere-se às proposições sobre fatos. O princípio de verificação em sentido restrito foi rapidamente denunciado por alguns dos próprios neopositivistas, como insustentável. Dizer que só têm significação as proposições empiricamente verificáveis equivale a excluir proposições empíricas que podem não ser efetivamente verificáveis. Por isso, propô-se um princípio de verificação mais liberal ou mais débil, que consistem em dizer que só têm sentido as proposições verificáveis em princípio, seja ou não possível efetivar atualmente a sua verificação. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}