===== VERDADES ETERNAS ===== VIDE [[lexico:v:verdade:start|verdade]], [[lexico:a:aletheia:start|aletheia]] A [[lexico:n:nocao:start|noção]] de [[lexico:v:verdades-eternas:start|verdades eternas]], tal como tem sido admitida e usada por vários pensadores, pode [[lexico:s:ser:start|ser]] remontada a [[lexico:p:platao:start|Platão]]. Pode distinguir-se entre a noção de verdades eternas e outras noções afins como as de [[lexico:n:nocoes-comuns:start|noções comuns]], [[lexico:i:ideias-inatas:start|ideias inatas]], [[lexico:p:principios:start|princípios]] evidentes, etc. Todas estas noções têm em comum a [[lexico:p:pressuposicao:start|pressuposição]] de que há uma [[lexico:s:serie:start|série]] de proposições, princípios, verdades, que são inamovíveis absolutamente certos, [[lexico:u:universais:start|universais]], mas a noção de verdades eternas tem, [[lexico:a:alem:start|além]] disso , uma [[lexico:c:conotacao:start|conotação]] que [[lexico:n:nao:start|não]] se encontra sempre nas outras: a de se referir a proposições ou princípios que são imutáveis, necessários e eternamente certos, não só porque são evidentes [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmos, mas também sobretudo, porque a sua verdade se encontra garantida pela Verdade, ou a [[lexico:f:fonte:start|fonte]] de todas as verdades eternas, quer dizer, [[lexico:d:deus:start|Deus]]. Este [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de verdades eternas é o que têm tais verdades em [[lexico:s:santo:start|santo]] [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]]. Para este autor toda a verdade, enquanto verdade, é eterna; não há verdades temporais e mutáveis. Mas a fonte de toda a verdade é Deus, sem o qual não haveria verdades de nenhuma [[lexico:e:especie:start|espécie]]. Portanto, as verdades eternas por si sós não seriam nem eternas nem sequer verdades; é mister que procedam de um foco que as engendre e as mantenha. As verdades eternas não podem ser apreendidas mediante e os sentidos, mas tão pouco mediante a [[lexico:r:razao:start|razão]] apenas; são apreendidas pela [[lexico:a:alma:start|alma]] quando esta se orienta para Deus e vê as verdades enquanto são iluminadas por Deus. A noção de verdades eternas neste sentido está estreitamente relacionada com a noção de [[lexico:i:iluminacao:start|iluminação]] divina. A noção de verdades eternas não se reduz a “[[lexico:p:proposicao:start|proposição]] logicamente necessária”, já que se assim fosse não teria nenhum sentido a doutrina da iluminação divina e a [[lexico:i:ideia-de-deus:start|ideia de Deus]] como fonte de verdade. Também são Tomás admite as verdades eternas na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que indica que “a verdade tem [[lexico:e:eternidade:start|Eternidade]] [[lexico:d:divino:start|divino]], porque só o [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]] divino é [[lexico:e:eterno:start|eterno]]”. No entanto, o [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:c:como-se:start|como se]] apreendem as verdades eternas segundo São Tomás é diferente do agostiniano, o que torna a doutrina tomista das verdades eternas diferente das anteriores sob alguns aspectos importantes. A doutrina das verdades eternas como verdades que estão em Deus encontra-se estreitamente relacionada com as teorias sobre os modos como estão as [[lexico:e:essencias:start|essências]] e em [[lexico:p:particular:start|particular]] as chamadas essências possíveis na divindade. As doutrinas chamadas [[lexico:i:intelectualismo:start|intelectualismo]] e [[lexico:v:voluntarismo:start|voluntarismo]], embora ponham as verdades eternas no seio de Deus, acentuam uma das potências divinas. As posições voluntaristas e intelectualistas já adoptadas pelos escolásticos medievais reiteram-se na [[lexico:e:epoca:start|época]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]] respectivamente em [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] e [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]]. Estes dois falam de verdades eternas, mas nem sempre dão à noção de verdades eternas o mesmo sentido que tece nos autores medievais. Para já, embora a noção em [[lexico:q:questao:start|questão]] continue a ser, nos autores mencionados, [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]], encontra-se apresentada com frequência dentro de um [[lexico:l:limite:start|limite]] gnoseológico. Assim Descartes escreve que “quando pensamos que não se pode tirar algo de [[lexico:n:nada:start|nada]], não cremos que esta proposição seja uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] que existe ou a [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] de qualquer coisa, mas que a tomamos como certa verdade eterna que tem a sua sede no nosso [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], e que se chama uma noção comum ou uma [[lexico:m:maxima:start|máxima]]”. Isto não quer dizer que as verdades eternas não se encontrem em Deus ultimamente, mas aparecem, para já, como estando “no nosso pensamento”. Mais metafísica é a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de Leibniz das verdades eternas; estas são as verdades da razão, e o seu [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] encontra-se num ser metafisicamente [[lexico:n:necessario:start|necessário]], quer dizer, Deus. Para Espinosa, a eternidade é a própria [[lexico:e:existencia:start|existência]] enquanto se concebe seguindo-se necessariamente da sua [[lexico:d:definicao:start|definição]] uma coisa eterna; tal existência é concebida como verdade eterna. Em rigor, não há para Espinosa verdades eternas, mas apenas verdade - como verdade - como verdade eterna. Os [[lexico:m:motivos:start|motivos]] agostinianos na doutrina das verdades eternas surgem sobretudo em [[lexico:m:malebranche:start|Malebranche]]; [[lexico:v:ver:start|ver]] todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] em Deus é ver em Deus as verdades eternas, o que não significa aqui tão pouco que a [[lexico:v:visao:start|visão]] das verdades eternas em Deus seja uma visão direta de Deus. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}