===== VARIEDADE DE IDEIAS ===== (in. Variety of Ideas; fr. Varieté d’idées; al. Ideensmannigfültigkeit; it. Varietà di ideé). Só se admite [[lexico:v:variedade-de-ideias|variedade de ideias]] no âmbito do segundo [[lexico:s:significado|significado]] de [[lexico:i:ideia|ideia]], entendida como [[lexico:r:representacao|representação]]. [[lexico:d:descartes|Descartes]] distingue três espécies de [[lexico:i:ideias|ideias]]: inatas, que parecem congênitas no [[lexico:s:sujeito|sujeito]] pensante, adventícias, que lhe parecem estranhas ou vindas de fora; e factícias, que são formadas ou encontradas por ele mesmo. À primeira [[lexico:c:classe|classe]] de ideias pertencem a [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de [[lexico:p:pensar|pensar]] e de [[lexico:c:compreender|compreender]] as [[lexico:e:essencias|essências]] verdadeiras, imutáveis e eternas das [[lexico:c:coisas|coisas]]; à segunda classe pertencem as ideias das coisas naturais; à terceira, as ideias das coisas quiméricas ou inventadas (Méd., III; Lettres à [[lexico:m:mersenne|Mersenne]], 16 de junho de 1641, em (OEuvres, III, 383). Esta [[lexico:c:classificacao|classificação]] parece moldada à que [[lexico:b:bacon|Bacon]] fizera sobre os [[lexico:i:idolos|ídolos]], dividindo-os em adventícios (adscititia) e inatos. "Os ídolos adventícios são introduzidos na [[lexico:m:mente|mente]] humana por [[lexico:m:meio|meio]] das doutrinas das seitas filosóficas ou através de demonstrações feitas com [[lexico:m:metodo|método]] errado. Os ídolos inatos pertencem à própria [[lexico:n:natureza|natureza]] do [[lexico:i:intelecto|intelecto]], que é propenso ao [[lexico:e:erro|erro]] muito mais do que o [[lexico:s:sentido|sentido]]" (Nov. Org., Pref). Os cartesianos e os wolffianos denominaram ideias material os movimentos que, segundo Descartes, são levados para o cérebro pelos nervos estimulados pela [[lexico:a:acao|ação]] dos objetos externos que sensibilizam as diferentes panes do [[lexico:c:corpo|corpo]] (cf. Descartes, Princ.phil., IV, 196). Essa doutrina foi acatada pelos ocasionalistas, mas também por [[lexico:w:wolff|Wolff]] (Psychol. rationalis, § 118, 374), por Baumgarten (Met., § 560) e por [[lexico:k:kant|Kant]] (Träume eines Geistersehers, erläutert durch Träume der Metaphysik, 1766, I, 3). Fouillée deu o [[lexico:n:nome|nome]] de ideia-força "ao encontro do interno e do [[lexico:e:externo|externo]], uma [[lexico:f:forma|forma]] que o interno toma pela ação do externo e pela [[lexico:r:reacao|reação]] própria da [[lexico:c:consciencia|consciência]]" (L’evolutionisme des idées-forces, 1890, p. XV), ou seja a [[lexico:u:unidade|unidade]] psicofísica que realiza o [[lexico:p:postulado|postulado]] do [[lexico:m:monismo|monismo]] psicofísico (v. monismo).