===== VALIDADE ===== (in. Validity; fr. Validité; al. Gultigkeit; it. Validità). 1. Universalidade subjetiva : nesse [[lexico:s:sentido|sentido]], é válido [[lexico:o:o-que-e|o que é]] (ou deve [[lexico:s:ser|ser]]) reconhecido como [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]], [[lexico:b:bom|Bom]], [[lexico:b:belo|belo]], etc. por todos. 2. Conformidade com regras de procedimento estabelecidas ou reconhecidas. Nesse sentido, diz-se que há validade na [[lexico:i:inferencia|inferência]] que se conforme às regras da [[lexico:l:logica|lógica]], na [[lexico:l:lei|lei]] que se conforme às regras constitucionais, na [[lexico:s:sentenca|sentença]] que se conforme às leis, na [[lexico:o:ordem|ordem]] que seja dada pela [[lexico:p:pessoa|pessoa]] a [[lexico:q:quem|quem]] cabe dá-la e nas formas estabelecidas pelas regras. Com [[lexico:e:esse|esse]] sentido, validade deve ser distinguida de valores de [[lexico:v:verdade|verdade]], de [[lexico:j:justica|justiça]], e te. De [[lexico:f:fato|fato]], uma inferência válida, isto é, realizada em conformidade com regras lógicas, [[lexico:n:nao|não]] é uma inferência verdadeira, mas só será verdadeira se as suas premissas forem verdadeiras. Assim, uma lei ou uma sentença válidas nem por isso são justas, etc. (v., sobre a validade lógica nesse sentido, [[lexico:p:peirce|Peirce]], Coll. Pap., 3168; 7.461). 3. [[lexico:u:utilidade|utilidade]] ou [[lexico:e:eficiencia|eficiência]] de um [[lexico:m:meio|meio]] ou de um [[lexico:i:instrumento|instrumento]] qualquer. Nesse sentido, [[lexico:d:dewey|Dewey]] afirmou que as proposições, como meios processivos para conduzir uma [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]], não são verdadeiras nem falsas, mas apenas válidas (sólidas, eficientes) ou inválidas (débeis, inadequadas) (Logic, XV; trad. it., pp. 382-83). É a esse [[lexico:s:significado|significado]] de validade que se apela sempre que se usa a [[lexico:e:expressao|expressão]] válido para. O que se segue ao para é o [[lexico:f:fim|fim]] ou a [[lexico:f:funcao|função]] em [[lexico:r:relacao|relação]] à qual se considera eficiente o instrumento, o meio ou a [[lexico:c:condicao|condição]] de que se trata. P. ex., um bilhete de viagem é válido para determinado percurso; determinada organização é válida para determinadas funções, etc. 4. Mais particularmente e no domínio da lógica, Carnap propôs que se chamasse de válido o [[lexico:e:enunciado|enunciado]] (ou a [[lexico:c:classe|classe]] de enunciados) que seja [[lexico:c:consequencia|consequência]] de uma classe nula de enunciados, e de contraválido o enunciado do qual qualquer enunciado possa ser consequência. Os dois termos, nesse sentido, correspondem, respectivamente, a [[lexico:a:analitico|analítico]] e contraditório (The Logical Syntax of Language, § 48). Analogicamente, Quine propôs chamar de válido o [[lexico:e:esquema|esquema]] [[lexico:l:logico|lógico]] que continua verdadeiro seja qual for a [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] dada a seus [[lexico:s:simbolos|símbolos]]. A [[lexico:q:qualidade|qualidade]] do que é válido (em al. Gultigkeit). — Fala-se também da validade de um [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] quando se trata de um [[lexico:c:conhecimento-objetivo|conhecimento objetivo]] (cujo [[lexico:o:objeto|objeto]] e características são universalmente constatáveis) e da validade de um [[lexico:a:ato|ato]] quando este responde aos [[lexico:p:principios|princípios]] da [[lexico:m:moral|moral]] e encontra assim uma [[lexico:j:justificacao|justificação]] [[lexico:u:universal|universal]]. Na [[lexico:t:terminologia|terminologia]] filosófica, designa a [[lexico:e:existencia|existência]] justificada de [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]], para contra distingui-la do [[lexico:e:existir|existir]] ou do ser pensado unicamente de fato. A validade não tanto é atribuída às [[lexico:c:coisas|coisas]] quanto aos produtos mentais, como [[lexico:c:conceitos|conceitos]], juízos, raciocínios, ciências ou, no domínio [[lexico:p:pratico|prático]], a normas e leis. Como o ser pensado de fato não é ainda o bastante para garantir a validade, esta, quando se refere a produtos mentais, alude, por sobre eles, a um [[lexico:f:fundamento|fundamento]] que os transcende. Segundo o [[lexico:p:psicologismo|psicologismo]], tal fundamento é a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] subjetiva de [[lexico:p:pensar|pensar]] implicada na peculiaridade psíquica do [[lexico:h:homem|homem]]; sendo assim, a validade, p. ex,. das proposições matemáticas é apenas validade para nós, homens; para outros seres espirituais talvez seja válida outra [[lexico:m:matematica|matemática]] ([[lexico:r:relativismo|relativismo]]). Para evitar esta conclusão, o [[lexico:c:criticismo|criticismo]] de [[lexico:k:kant|Kant]] radica toda validade na [[lexico:c:consciencia|consciência]] em [[lexico:g:geral|geral]]; esta solução está longe de ser clara. No [[lexico:n:neokantismo|neokantismo]] da [[lexico:e:escola|escola]] de Badén, a consciência, em geral, aparece ainda determinada por valores transcendentes, os quais, como "verdades em si", não possuem existência [[lexico:r:real|real]], mas unicamente "valem". Portanto, a validade é aqui concebida como algo inteiramente [[lexico:i:independente|independente]], existente "em si", algo que, apesar disso, não tem nenhum ser; o mesmo ocorre em outras formas do "[[lexico:t:transcendentalismo|transcendentalismo]] lógico" (verdade). Mas tal concepção contradiz a [[lexico:t:transcendencia|transcendência]] do ser, ou seja, o [[lexico:p:principio-do-terceiro-excluso|princípio do terceiro excluso]]: aquilo que de nenhuma maneira participa do ser é simplesmente [[lexico:n:nada|nada]]. Por conseguinte, a validade, em última [[lexico:i:instancia|instância]], só pode ser atribuída ao ser; é, em [[lexico:s:suma|suma]], validade [[lexico:o:ontologica|ontológica]] (real), a qual, tratando-se do [[lexico:j:juizo|juízo]], coincide com a verdade dele e, no caso do [[lexico:c:conceito|conceito]], exprime que o conteúdo deste não só é conteúdo de [[lexico:p:pensamento|pensamento]], mas também é ou, pelo menos, pode ser conteúdo [[lexico:o:ontologico|ontológico]]. "Validade universal" pode entender se de duas maneiras: ou como validade para todos os sujeitos pensantes, em [[lexico:o:oposicao|oposição]] a "validade só relativa", ou como validade de todos os objetos (de determinada classe), em oposição à que se refere a objetos particulares da mesma classe. — De Vries.