===== UNIVOCIDADE ===== Um [[lexico:t:termo:start|termo]] ou [[lexico:c:conceito:start|conceito]] é [[lexico:u:univoco:start|unívoco]], quando é aplicado a diversos seres com a mesma [[lexico:s:significacao:start|significação]]. [[lexico:a:animal:start|animal]] é unívoco quando aplicado a boi, cavalo, símio, etc. Quando usamos, porém, "que animal!", referindo-nos a um [[lexico:h:homem:start|homem]], em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] naturalmente pejorativo, [[lexico:n:nao:start|não]] o usamos univocamente, mas analogamente, porque, aí, retiramos o [[lexico:r:racional:start|racional]], que caracteriza a [[lexico:e:essencia:start|essência]] do homem. O mesmo quando empregamos "é águia", um "leão", um "urso", etc. A univocidade leva-nos ao [[lexico:m:monismo:start|monismo]], que admite uma única: [[lexico:r:realidade:start|realidade]]; [[lexico:d:deus:start|Deus]] (monismo panteísta) ou [[lexico:m:materia:start|matéria]] (monismo materialista) ou ao [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] (monismo idealista). Logicamente considerado, um termo é unívoco quando significa (aponta, como [[lexico:s:sinal:start|sinal]]) uma [[lexico:r:razao:start|razão]] simplesmente uma, convenientem multis distritibutive (unum in multis), isto é, uma conveniente, distributivamente, a muitos (um em muitos), como o definem os escolásticos. A [[lexico:s:sabedoria:start|sabedoria]] de Salomão e a sabedoria de um homem experiente, enquanto sabedoria, em sua [[lexico:q:quididade:start|quididade]], isto é, em sua formalidade, é unívoca, pois sabedoria é sabedoria, e [[lexico:n:nada:start|nada]] mais. A univocidade, aqui, é puramente [[lexico:f:formal:start|formal]], porque a sabedoria deste, e neste homem, consta de um [[lexico:s:saber:start|saber]] qualitativamente de [[lexico:o:outro:start|outro]], pela [[lexico:s:soma:start|soma]] maior ou menor de conhecimentos que um tenha em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a outro. (Estamos aqui numa univocitas secundum nomen ac rationem, que é uma univocidade de quarto [[lexico:g:grau:start|grau]], a menor para os escotistas.) Mas a sabedoria, como sabedoria, é unívoca. Este [[lexico:p:ponto:start|ponto]] é importante, para, mais adiante, compreendermos a polêmica entre os escotistas, que se colocam, quanto ao [[lexico:s:ser:start|ser]], no [[lexico:c:campo:start|campo]] da univocidade, com os tomistas, que se colocam no campo da [[lexico:a:analogia:start|analogia]]. **A [[lexico:p:posicao:start|posição]] escotista ante a univocidade e a analogia** O primeiro [[lexico:o:objeto:start|objeto]] do nosso [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] é o ser. Esta afirmativa de Duns Scot encontra seu precursor em [[lexico:a:avicena:start|Avicena]], cuja [[lexico:i:influencia:start|influência]], no Doctor Subtilis, é inegavelmente importante. Porque tudo quanto conhecemos é, e por [[lexico:e:estar:start|estar]] o ser presente em [[lexico:t:todo:start|todo]] o nosso conhecimento, dele partimos para a ele chegar. Mas o ser é um objeto de uma [[lexico:i:indeterminacao:start|indeterminação]] total, mas perfeitamente [[lexico:a:adequado:start|adequado]] ao nosso conhecimento. [[lexico:c:como-se:start|como se]] poderia dar tal assimilatio do ser, sem que tivéssemos [[lexico:a:aptidao:start|aptidão]] a conhecer, ou em nossas [[lexico:p:palavras:start|palavras]], sem esquemas que a ele se acomodassem e permitissem a [[lexico:a:assimilacao:start|assimilação]] aos mesmos? E se o ser é captado em tudo quanto é assimilado, em todo o conhecimento, quer dizer que temos um só [[lexico:e:esquema:start|esquema]] ao qual é assimilado sempre o mesmo objeto, e, consequentemente, afirmaríamos a univocida-de do ser. Mas até onde alcança essa univocidade é o que pretendemos esclarecer na doutrina escotista, pois muitas têm sido as afirmativas que se opõem flagrantemente ao genuíno pensamento do grande franciscano. A [[lexico:l:leitura:start|leitura]] dos textos da [[lexico:o:obra:start|obra]] do Doctor Subtilis é quase proibitiva, porque só modernamente algumas publicações franciscanas nos tornam acessível o conhecimento do pensamento de Duns Scot, enquanto não fôr totalmente editada a grande edicção da "Opera Omnia", da qual até o [[lexico:m:momento:start|momento]] saíram apenas dois "volumes, já que os textos estão em edições raras, e entre nós de difícil manuseio. Como, por [[lexico:p:principio:start|princípio]], só tratamos dos autores dos quais manuseamos os textos, e os lemos com o máximo cuidado e [[lexico:a:atencao:start|atenção]], tivemos [[lexico:o:ocasiao:start|ocasião]], vencendo grandes dificuldades, de procurar nos textos do Doctor Subtilis aquelas passagens que jios servissem de guia para a boa elucidação do seu pensamento. Ajudaram-nos nessa pesquiza a obra de seus grandes comentadores franciscanos. Parthenius Minges em sua "Joannis Duns Scoti Doctrina Philosophica et Theologica", obra fundamental para os que desejam estudar o [[lexico:e:escotismo:start|escotismo]], oferece-nos uma [[lexico:s:serie:start|série]] de [[lexico:t:topicos:start|tópicos]], que nos colocam com clareza o seu pensamento, que nós procuraremos sintetizar, expondo-o no nosso [[lexico:t:tecnicismo:start|tecnicismo]], e segundo os [[lexico:p:principios:start|princípios]] da decadialéctica, dos quais já estão familiarizados os nossos leitores. Duns Scot sintetiza o que concebe por unívoco nestas suas palavras: "univocum est, cujus [[lexico:r:ratio:start|ratio]] est in se una, sive illa ratio sit ratio subjecti, sive denominei subjectum, sive [[lexico:p:per-accidens:start|per accidens]] dicatur de subjecto". Um termo, portanto, será unívoco quando, em todos os seus empregos, diz ele a mesma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] (sive per accidens dicatur de subjecto). Em qualquer sentido que se empregue o ser é sempre ser o que se diz. Tudo quanto está no ser é ser. Há, entretanto, termos que são apenas denominações do ser, como "[[lexico:a:ato:start|ato]]" e "[[lexico:p:potencia:start|potência]]", mas todo ser ou é ato ou é potência. Chama-as Duns Scot de differentiae ultimae (diferenças últimas), enquanto os [[lexico:t:transcendentais:start|transcendentais]], que já estudamos, são propriae passiones entis (propriedades últimas dos entes) como o [[lexico:b:bem:start|Bem]], o [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]], etc. O ser é unívoco quando se refere à essência, in [[lexico:q:quid:start|quid]]. Não é unívoco, porém, quanto às determinações do ser, nem quanto aos transcendentais, que qualificam a essência do ser, salvo quanto à [[lexico:v:virtualidade:start|virtualidade]]. ("Quantum ad primum dico [[lexico:q:quod:start|quod]] [[lexico:e:ens:start|ens]] non est univocum [[lexico:d:dictum:start|dictum]] in quid de omnibus per se intelligibilibus, quis non de differentiis ultimis nec propriis passionibus entis" Scot, cit. por Gilson, op. cit. p. 95). Toda a leitura da obra de Parthenius Minges, I pág. 20, em diante, oferece pleno esclarecimento ao [[lexico:t:tema:start|tema]], pois Scot não rejeita a analogia, embora afirme a univocidade, (em termos), do ser, pois não é unlvocamente [[lexico:p:predicavel:start|predicável]] das diferenças últimas, pois do contrário estas não seriam diferenças do ser, pois o ser, enquanto tal não poderia servir para diferenciar o [[lexico:s:ser-enquanto-ser:start|ser enquanto ser]]. Há, deste [[lexico:m:modo:start|modo]], o que não é propriamente o ser, mas apenas qualificação ou [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] deste, do qual não se pode predicar univocamente o ser (do ser, enquanto ser pode-se predicare in quid, isto é, referindo-se à sua essência como tal, enquanto das diferenças últimas, por ex., se predica in [[lexico:q:quale:start|quale]], porque se predica uma [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] específica ou um [[lexico:a:acidente:start|acidente]]). O [[lexico:c:conceito-de-ser:start|conceito de ser]] é um conceito [[lexico:s:simples:start|simples]]. Para sair da indeterminação do ser é preciso um conceito [[lexico:c:composto:start|composto]], que será um esquema conceitual formado de dois [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]]. Para tal será [[lexico:n:necessario:start|necessário]] que um conceito esteja em face do outro numa relação de [[lexico:a:ato-e-potencia:start|ato e potência]]. Um dos conceitos terá a [[lexico:f:funcao:start|função]] de determinante ([[lexico:c:caracteristica:start|característica]] do ato) e o outro, a de determinável (característica da potência). O conceito de ser, como esquema noético, isto é, como esquema [[lexico:c:construido:start|construído]] por nós, é determinável, pois por sua [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]] não inclui nenhuma determinação. [[lexico:e:esse:start|esse]] conceito, que é um [[lexico:p:puro:start|puro]] determinável, nos mostra Gilson, comentando as [[lexico:i:ideias:start|ideias]] de Duns Scot, precisa estar composto com outros determinantes, que sejam imediatamente atos. Observava Duns Scot que os filósofos que haviam considerado o ser sob um modo, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], fluídico, como o [[lexico:f:fogo:start|fogo]], ou líquido, com a água, podiam não [[lexico:t:ter:start|ter]] [[lexico:c:certeza:start|certeza]] de que o ser, em seu princípio, fora assim ou era assim, nem poderiam prová-lo suficientemente. Não podiam ainda ter certeza se fora criado ou incriado. Não podiam ter certeza de que nem a água nem o fogo fossem o ser primordial, e tanto é [[lexico:v:verdade:start|verdade]] que entre eles surgiam discórdias e muitos sustentavam opiniões contrárias. Mas não há discórdia filosófica num ponto: é que todos, pelo menos, sabem que o principio primeiro é ser, sem, no entanto, ter certeza quanto à [[lexico:n:natureza:start|natureza]] desse ser. O [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]] [[lexico:h:humano:start|humano]] não pode [[lexico:p:pensar:start|pensar]] criado nem incriado, [[lexico:m:modalidade:start|modalidade]] esta ou aquela, sem pensar no ser, portador de tais [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]]. Mas pode pensar no ser sem determiná-lo por esta ou aquela diferença. E esse ser [[lexico:i:indeterminado:start|indeterminado]] não é um puro nada, porque dele surge tudo, é ele o [[lexico:s:suppositum:start|suppositum]] de tudo, o sustentáculo de tudo. Se fora nada, um nada [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], como poderia ter eficácia para [[lexico:c:criar:start|criar]], quando essa eficácia já é ser? Quando [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] considerava que o Ser indeterminado e o Nada eram "idênticos", fazia [[lexico:q:questao:start|questão]] de ressaltar um ponto que passou desapercebido a muitos dos que estudaram a sua obra: é que havia uma diferença entre o ser indeterminado e o nada (e nada aqui, não era o nada absoluto, metafísico): e que, do ser indeterminado, seguia-se o ser determinado, enquanto o nada seria [[lexico:p:privacao:start|privação]] da determinação. E dessa [[lexico:f:forma:start|forma]], o ser permanecia teticamente colocado. No [[lexico:e:estado:start|Estado]] actual da intelectualidade humana, (intellectus viatoris) é o homem capaz de alcançar um conceito de ser, como tal, unívoco em sua comunidade. As determinações ou modalidades estão afirmando o ser em sua eterna [[lexico:c:consistencia:start|consistência]], [[lexico:c:coerencia:start|coerência]] e coesão, ser que não é mais ser, pois haveria um surgimento de ser, vindo de fora do ser, do nada, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] [[lexico:a:absurdo:start|absurdo]]; nem pode ser menos ser, pois haveria um destruir-se dele. O ser é um maximum e um [[lexico:m:minimum:start|minimum]] em sua [[lexico:h:homogeneidade:start|homogeneidade]], mas nas modalidades que apresenta, no [[lexico:d:devir:start|devir]] dos seres determinados finitamente, é heterogeneidade. Duns Scot, fundado no paralelismo, que já estudamos na "[[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]]", afirma a realidade do conceito de ser que o homem capta no estado de [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] de sua [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]], e que é fundado na certeza de um ser primordial, homogêneo e univoco. Ora, desde o momento que esse conceito é destacado do [[lexico:r:real:start|real]] (como o faz Duns Scot), a univocidade está afirmada; mas desde que não o seja (como o faz São Tomás), a analogia é inevitável. Dialecticamente o ser é homogêneo (posição que aceita a univocidade), homogêneo na eficacidade, poder [[lexico:u:unico:start|único]] e absoluto, eternamente o mesmo, e heterogêneo nas suas modalidades, que afirmam o primeiro, porque afirmam a eficacidade do ser em ser tudo quanto pode ser, e em ser tudo quanto é. Não é difícil, portanto, viver-se e compreender-se ambas posições. O ser, enquanto tal, é unívoco. Mas o [[lexico:e:ente:start|ente]] [[lexico:f:finito:start|finito]], que é ser, é sempre outro que o ser, como este livro é sempre outro que o que constitui o esquema de livro. Portanto, há neste livro, uma [[lexico:s:sintese:start|síntese]] da diferença e da [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]]. É ele, portanto, [[lexico:a:analogo:start|análogo]]. Mas o ser que o sustenta e que lhe permite surgir nesta modalidade, esse ser é unívoco com todo o ser. Portanto se vê que se a heterogeneidade e a homogeneidade se excluem formalmente, identificam-se na cooperação dialéctica do ser, que a tudo sustenta, e justifica. Desta forma, vê-se claramente que a univocidade do ser refere-se apenas à sua comunidade, no [[lexico:r:referente:start|referente]] ao ser de todos os entes, não, porém, quanto às suas diferenças últimas, onde Duns Scot admite a analogia. Estas têm o papel de determinantes, não estando, portanto, inclusas directamente na sua univocidade. Pode o homem, noeticamente, construir o esquema conceitual, [[lexico:e:eidetico:start|eidético]], de ser, desprezando suas heterogeneidades, sem considerá-lo nem como finito, nem como [[lexico:i:infinito:start|infinito]], nem como criado, nem como incriado. O ser, enquanto ser, não é um nem outro; ele é neuter ex se, neutro por [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], e, neste sentido, é unívoco. Se nos colocamos no ângulo do esquema eidético, tem razão Duns Scot ao afirmar a univocidade; mas, fundando-nos no [[lexico:e:empirismo:start|empirismo]], de onde [[lexico:p:parte:start|parte]] a [[lexico:a:analise:start|análise]] tomista, tem São Tomás razão de afirmar a analogia. Não há aí [[lexico:c:contradicao:start|contradição]] que não permita uma coerência dialéctica entre os dois pensamentos, e a [[lexico:d:disputa:start|disputa]] entre tomistas e escotistas, peca por nenhuma das partes considerar que o ponto de partida, de cada uma ,é diferente, com consequências diferentes, mas que se harmonizam dialecticamente. Partindo do ser [[lexico:c:concreto:start|concreto]], temos que afirmar a analogia: partindo-se do esquema noético-eidético, alcançamos a univocidade. Um funda-se na heterogeneidade; outro, na homogeneidade. O pensamento dialéctico, que não dissassocia, senão noeticamente a heterogeneidade da homogeneidade, terá de construir uma [[lexico:v:visao:start|visão]] bi-polar e conciliadora dos dois extremos, que se completam numa cooperação das mais belas da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. O dialágo entre São Tomás e Duns Scot, se fosse mantido por ambos, não os separaria. Havia bastante genialidade, tanto num como noutro, para perfeitamente se entenderem. Quando Duns Scot diz estas palavras, que abaixo reproduzimos, não impede a conciliação entre os dois pensamentos. Ouçamo-lo: "Experimentamos em nós mesmos, que podemos conceber o ser sem concebê-lo como tal [[lexico:s:substancia:start|substância]] ou tal acidente, pois não se sabe, quando se concebe o ser, se se trata de um ser em si ou em outro...: concebemos, portanto, de início [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] de indiferente aos dois, e a seguir percebemos que um e outro estão imediatamente inclusos num termo tal, que o primeiro, o conceito de ser, nele está compreendido". Como se vê pela obra de Minges, mostra Duns Scot que não há, para o [[lexico:l:logico:start|lógico]], [[lexico:m:meio:start|meio]] termo entre o [[lexico:e:equivoco:start|equívoco]] e o unívoco. O análogo é apenas um caso [[lexico:p:particular:start|particular]] do equívoco. A analogia só tem sentido para as ciências do real (ponto, onde se encontra São Tomás), não para o metafísico, quando transcende o [[lexico:f:fisico:start|físico]], isto é, quando transcende a "[[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] do real" e pode construir um conceito único e comum a todos, que é o esquema noético-eidético de ser, que é unívoco. Se vê deste modo que a acusação de [[lexico:p:panteismo:start|panteísmo]] que se faz aos escotistas não procede em absoluto. Nem os tomistas refutam os escotistas, nem estes aqueles. Mas se prestarmos a atenção ao nosso esquema da analogia, vemos que partindo da posição tomista, alcançamos ao [[lexico:i:identico:start|idêntico]] absoluto do ser, (univocidade), como partindo da univocidade, chegaríamos ao diferente absoluto, (Ser Supremo, Deus), que seria o ponto de partida de Duns Scot. Nossa posição, em face da analogia, concreciona dialecticamente as duas posições, que cooperam com suas positividades para uma visão concreta do saber epistêmico [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]]. Não fecharemos este artigo sem examinar as palavras abaixo de Fuetscher, notável escotista: "Uma conclusão podemos tirar para a analogia. No [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] metafísico, apesar da [[lexico:d:diferenciacao:start|diferenciação]] [[lexico:s:substancial:start|substancial]], temos univocidade, porque se dá conveniência perfeita na essência específica, e, consequentemente, na [[lexico:d:definicao:start|definição]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]]. Essa univocidade também convém ao conceito genérico animal, enquanto se extende ao homem e ao bruto. Em compensação, no aspecto físico, o conceito genérico animal é análogo a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] do homem e do bruto, pois a forma concreta de [[lexico:v:verificacao:start|verificação]] é respectivamente diversa em ambos. Isto mesmo se pode aplicar às almas distintas substancialmente e ao conceito específico a respeito dos indivíduos de uma mesma [[lexico:e:especie:start|espécie]] que sejam distintos qualitativamente. Teremos, pois, univocidade metafísica e [[lexico:f:fisica:start|física]] se os indivíduos diferem apenas numericamente. Ao contrário, se supomos o paralelismo epistemológico, então a analogia física será excluída pela univocidade metafísica, pois a forma concreta de verificação teria que ser distinta ex natura rei da essência, e qualquer diferença física substancial teria, como [[lexico:c:consequencia:start|consequência]], outra diferença na essência metafísica". (Fuetscher, op. cit. p. 222). A busca do ponto de identificação é sempre oportuna. Há um ponto de identificação [[lexico:p:proximo:start|próximo]] e outro remoto. Devemos procurar o próximo (pelo menos na quididade), pois o remoto acabaremos, fatalmente, por encontrá-lo. E esse ponto remoto de identificação é o ser, que dá o [[lexico:n:nexo:start|nexo]] final e absoluto a todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]], que dá a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] a todo o existente. E há [[lexico:o:ordem:start|ordem]], porque há esse ponto de identificação; há ordem porque o ser é um só, único e absoluto. A ordem não é esta como poderia ser aquela, o que lhe daria a característica de ser casual. A ordem é esta porque é a ordem do ser, e nenhuma outra ordem poderia surgir, pois toda, que surja, é sempre do ser. Não há aqui acasos, mas sim a eficácia e a [[lexico:e:eficiencia:start|eficiência]] do ser ao realizar a ordem. O nosso [[lexico:c:cosmo:start|cosmo]] não nos revela toda a ordem do ser, mas apenas aquela que nossos esquemas podem captar. Portanto, não nos admiremos de [[lexico:m:misterios:start|mistérios]]. O que nos cabe é construir esquemas que nos habilitem a penetrar e realizar a mistagogia, a penetrar nos mistérios, (desenvolvimento do Intellectus viatoris dos escolásticos) para obter a [[lexico:i:iluminacao:start|iluminação]] que melhor nos revele a verdade. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}