===== UNIDADE ===== VIDE [[lexico:h:holon|holon]], [[lexico:h:hexis|hexis]], [[lexico:t:tonos|tonos]] (unitas) é a primeira e fundamental das propriedades essenciais ou [[lexico:t:transcendentais|transcendentais]] do [[lexico:s:ser|ser]]. Isto significa que o ser põe essencialmente unidade. Toda realização do ser traz consigo unidade e toda [[lexico:f:forma|forma]] de unidade radica no ser. Do mesmo [[lexico:m:modo|modo]] que [[lexico:n:nao|não]] há ser sem unidade, assim não há unidade sem ser. A [[lexico:m:medida|medida]] e o modo do ser determinam a medida e o modo da unidade; e inversamente, a medida e o modo da unidade manifestam univocamente a medida e o modo do ser. Como primeiro [[lexico:t:transcendental|transcendental]], a unidade está o mais [[lexico:p:proximo|próximo]] [[lexico:p:possivel|possível]] do ser: ser é primariamente unidade. Enquanto transcendental fundamental, constitui a base dos outros transcendentais: da medida e modo da unidade dependem a medida e o modo da [[lexico:v:verdade|verdade]], da [[lexico:b:bondade|bondade]] ([[lexico:v:valor|valor]]) e da [[lexico:b:beleza|beleza]]; a unidade jsenetra-os todos intimamente. A unidade [[lexico:r:real|real]] do ser contrapõe-se a unidade [[lexico:l:logica|lógica]] do [[lexico:c:conceito|conceito]]. A primeira diz que um [[lexico:e:ente|ente]] é em si indiviso e "clauso" e, por isso, distinto de qualquer [[lexico:o:outro|outro]]. A segunda abarca no [[lexico:c:conceito-universal|conceito universal]] uma [[lexico:p:pluralidade|pluralidade]] real, fazendo dela uma unidade. A unidade dos [[lexico:c:conceitos|conceitos]], como: o [[lexico:h:homem|homem]], o ser, etc., é lógica ou mental; contudo estriba na [[lexico:r:realidade|realidade]], ao passo que os seres individuais compreendidos naqueles conceitos são semelhantes entre si no que respeita à sua [[lexico:e:essencia|essência]]. — A [[lexico:u:unidade-transcendental|unidade transcendental]] e real acima descrita é de [[lexico:n:natureza|natureza]] [[lexico:m:metafisica|metafísica]] e, por isso, também se encontra [[lexico:d:deus|Deus]]. Ela não coincide com a unidade quantitativa, que se restringe ao corpóreo. Esta pressupõe [[lexico:c:coisas|coisas]] numeráveis, isto é, [[lexico:o:ordem|ordem]]; portanto, não se aplica a Deus nem, tomada em [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:e:estrito|estrito]], aos [[lexico:e:espiritos|espíritos]] puros. Com os [[lexico:g:graus-do-ser|graus do ser]] são dados os graus da unidade. Em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], convém distinguir entre a unidade composta, resultante de partes, e a unidade [[lexico:s:simples|simples]], que não consta de partes; ambas apresentam, por sua vez, graus. Ascendendo desde do inorgânico até ao homem, passando pela [[lexico:v:vida|vida]] [[lexico:v:vegetal|vegetal]] e [[lexico:a:animal|animal]], vê-se claramente como vai aumentando o [[lexico:c:carater|caráter]] de "clauso" para dentro e o de "distinto" de tudo o mais, e, por conseguinte, a unidade. — O [[lexico:p:principio|princípio]] henológico exprime a primazia da unidade sobre a [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]], quando diz: a multiplicidade pressupõe necessariamente a unidade e não pode [[lexico:e:existir|existir]] sem [[lexico:t:ter|ter]] a unidade por base. E um caso [[lexico:p:particular|particular]] do [[lexico:p:principio-de-causalidade|princípio de causalidade]]. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], toda multiplicidade implica [[lexico:c:contingencia|contingência]], na medida em que o mesmo conteúdo [[lexico:e:essencial|essencial]] entra em diversos seres individuais, não convindo, assim, necessariamente a nenhum deles. O [[lexico:f:fundamento|fundamento]] [[lexico:u:ultimo|último]] da multiplicidade deve ser uma essência que não permite pluralidade de sujeitos, mas que existe num só [[lexico:s:sujeito|sujeito]] de modo absolutamente [[lexico:n:necessario|necessário]]: a unidade de Deus. Todas as criaturas, na medida em que implicam [[lexico:r:relacao|relação]] a esta [[lexico:o:origem|origem]] única, são uma só [[lexico:c:coisa|coisa]] na unidade real da origem. Esta é exagerada pelo [[lexico:m:monismo|monismo]] estreme, que considera o [[lexico:u:universo|universo]] inteiro como um só [[lexico:i:individuo|indivíduo]] (assim, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], [[lexico:p:parmenides|Parmênides]] e [[lexico:s:spinoza|Spinoza]]). Dele se aproxima o [[lexico:p:panteismo|panteísmo]]. Não raro são, nestes sistemas, equiparadas a unidade lógica do conceito e a unidade real do Ser [[lexico:a:absoluto|absoluto]] (simplicidade). — Lötz. Ao examinarmos um [[lexico:f:fato|fato]], atribuímos unidade e estabilidade e o separamos do contorno. Mas a unidade é relativa. Exemplo: um rebanho, que é formado de numerosos indivíduos. Nós buscamos a unidade dos fatos, por exemplo: o [[lexico:a:atomo|átomo]] é a unidade para a [[lexico:m:materia|matéria]] inorgânica, a célula, para a matéria orgânica, a [[lexico:s:sensacao|sensação]], como pensam alguns, para os atos psíquicos. A [[lexico:c:ciencia|ciência]] hoje não atribui a essa unidade um total isolamento. A absoluta estabilidade do fato é uma [[lexico:f:ficcao|ficção]], porque eles surgem e desaparecem, num constante "[[lexico:v:vir-a-ser|vir-a-ser]]" ([[lexico:d:devir|devir]]), transformam-se, não havendo, portanto, [[lexico:i:imutabilidade|imutabilidade]]. O isolamento e a delimitação totais são artificiosos, pois não há fatos absolutamente isolados, pois há um entrosamento entre eles. ([[lexico:m:mfsdic|MFSDIC]]) Já examinamos o que se entende por unidade: caráter do que é um. Não se deve confundir o conceito de [[lexico:u:unicidade|unicidade]] com o de um. Unicidade é o caráter do que é [[lexico:u:unico|único]], sem segundo [[lexico:i:identico|idêntico]] a ele, enquanto o de ser um, refere-se ao caráter de [[lexico:q:quem|quem]] tem unidade. A unidade é indivisa. Muitos julgam que é [[lexico:n:negativo|negativo]] o conceito de indiviso. Mas a unidade é positiva, e o caráter de ser indivisa, aponta apenas a [[lexico:r:recusa|recusa]] que se faz à unidade de não ser senão ela mesma, pois se divisa, a unidade, enquanto tal, deixá-lo-ia de ser. Consequentemente, [[lexico:t:todo|todo]] ente é um (ente [[lexico:o:ontico|ôntico]]). "Um, [[lexico:o:o-que-e|o que é]] indiviso em si e distinto de qualquer outro" ([[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]]). Unidade é dada pela [[lexico:c:coerencia|coerência]] (veritas [[lexico:o:ontologica|ontológica]]) pela [[lexico:i:inteligibilidade|inteligibilidade]] do ente, enquanto ente. A unidade pode ser, em linhas gerais: a) simples, de simplicidade; b) de composição. É unidade simples, de simplicidade, a que [[lexico:a:alem|além]] de indivisa é ainda indivisível. O átomo dos filósofos é indiviso, pois é a-tomós, e também é indivisível porque é simples, não [[lexico:c:composto|composto]]. Também, assim, um [[lexico:p:puro|puro]] [[lexico:e:espirito|espírito]] é indiviso e indivisível. Os seres compostos, que como tais não são simples, formam uma unidade de composição, e formam um todo. Enquanto todo, é individido atualmente, mas não excluí a [[lexico:d:divisibilidade|divisibilidade]]. As unidades forma-matéria, substância-acidente, são para muitos unidades de simplicidade, embora apresentem distinções metafisicamente consideradas; para outros, unidades de composição, mas muito mais coerentes do que as que compõem as unidades de composição [[lexico:f:fisica|física]]. Um átomo, na concepção atômica científica, é uma unidade de composição forte. Estas unidades, que são estruturas, como as estruturas de ordem biológica, de ordem psicológica e sociológica, possuem graus de coerência, de coesão, maior ou menor. São assim "tensões", no sentido que damos a este [[lexico:t:termo|termo]], que incorporamos ao universo de [[lexico:d:discurso|discurso]] da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]]. Mas a [[lexico:t:tensao|tensão]] oferece um [[lexico:a:aspecto|aspecto]] importante. Se ela é, como todo, quantitativamente a [[lexico:s:soma|soma]] das suas partes, é qualitativamente diferente, o que revela um [[lexico:s:salto|salto]] qualitativo importante, que a "[[lexico:t:teoria|teoria]] [[lexico:g:geral|geral]] das Tensões" estuda. Duns Scot oferece esta [[lexico:d:divisao|divisão]] de unidade: Unitas aggregationis (unidade de conjunto) é a que forma um [[lexico:g:grupo|grupo]] de objetos simplesmente reunidos. Unitas ordinis (unidade de ordem). Esta não é uma pura e simples juxtaposição, mas nela cada [[lexico:p:parte|parte]] ocupa um lugar justificável, em [[lexico:v:virtude|virtude]] de um certo princípio. Unitas [[lexico:p:per-accidens|per accidens]] (Unidade [[lexico:p:por-acidente|por acidente]]). Não é propriamente uma relação de ordem, mas a unidade de um determinado e de uma forma que o determina. Se a forma é acidental, a unidade é per accidens. Se a forma é [[lexico:s:substancial|substancial]], estamos, então em face de uma. Unitas per se, uma unidade [[lexico:p:por-si|por si]]. Finalmente a unidade mais alta é a Unitas simplicitatis, que implica uma perfeita [[lexico:i:identidade|identidade]], pois o que está numa unidade de simplicidade, seja o que for, é a mesma coisa que seja o que for, nela. A unidade não é um termo apenas [[lexico:u:univoco|unívoco]], pois a unidade que encontro neste livro como um [[lexico:a:artefato|artefato]] [[lexico:h:humano|humano]], portanto do [[lexico:m:mundo|mundo]] da [[lexico:c:cultura|cultura]], e um ser vivo, como unidade, é diferente. Mas também não é apenas [[lexico:e:equivoco|equívoco]], porque, em ambos casos, estamos em face de uma coerência. Há [[lexico:s:sintese|síntese]] de [[lexico:s:semelhanca|semelhança]] e de [[lexico:d:diferenca|diferença]], portanto a unidade é análoga, como examinaremos ao tratar o [[lexico:t:tema|tema]] da [[lexico:a:analogia|analogia]]. O ser é unidade. E como já vimos, ser e um se convertem ([[lexico:e:ens|ens]] et unum convertuntur). Se o ser fosse divisível pelo [[lexico:n:nada|nada]], por exemplo, como o afirmam alguns, teríamos, então, diversos seres, e cairíamos no [[lexico:p:pluralismo|pluralismo]], com todas as aporias que daí decorrem, como ainda veremos em lugar oportuno. (gr. monas; lat. Unitas; in. Unity; fr. Unité; al. Einheit; it. Unita). 1. Em sentido [[lexico:p:proprio|próprio]], o que é necessariamente [[lexico:u:uno|uno]], indivisível: ou no sentido de ser desprovido de partes ou de suas partes serem inseparáveis da [[lexico:t:totalidade|totalidade]] e inseparáveis entre si. Este foi o conceito elaborado por [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], que distinguiu o que é uno por si, ou essencialmente, do que é uno por [[lexico:a:acidente|acidente]] (Met., V, 6, 1015 b 16); definiu a unidade ([[lexico:m:monas|monas]]) como [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]] indivisível, absoluta ou quantitativamente (Ibid., 1016 b 24), e distingiu [[lexico:q:quatro|Quatro]] espécies fundamentais de unidade: a) a das totalidades contínuas, como p. ex. os organismos; b) a das formas ou [[lexico:s:substancias|substâncias]]; c) a numérica; d) a definitória, ou seja, a unidade de coisas que têm a mesma [[lexico:d:definicao|definição]] (Ibid, X, 1052 a 15-1052 b 15; v. V, 6, 1016 a I-1016 a 35). Essas determinações aristotélicas não são perfeitamente coerentes porque, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] que definem a unidade como indivisibilidade, incluem entre suas formas a continuidade que o próprio Aristóteles define como a divisibilidade em partes por sua vez divisíveis (v. [[lexico:c:continuo|contínuo]]). Seu [[lexico:s:significado|significado]], porém, está [[lexico:b:bem|Bem]] claro. A unidade, ou seja, o uno por si, é, por um lado, a identidade da forma ou da [[lexico:s:substancia|substância]] consigo mesma; por outro, a identidade dos objetos que têm a mesma definição ([[lexico:i:identidade-dos-indiscerniveis|identidade dos indiscerníveis]]) e por outro ainda é o [[lexico:e:elemento|elemento]] ou o princípio do [[lexico:n:numero|número]]. No que diz [[lexico:r:respeito|respeito]] ao número, [[lexico:e:esse|esse]] conceito de unidade durou muito tempo (v. número), mas das outras duas formas distinguidas por Aristóteles, a unidade [[lexico:f:formal|formal]] ou substancial foi a mais frequentemente assumida como conceito ou [[lexico:i:ideal|ideal]] de unidade na [[lexico:t:tradicao|tradição]] filosófica. Os neoplatônicos ilustraram e exaltaram a unidade como [[lexico:c:condicao|condição]] necessária do ser, negligenciando a [[lexico:d:distincao|distinção]] aristotélica entre a unidade, que é necessária, e o uno, que não é. Para [[lexico:p:plotino|Plotino]], a unidade é sempre necessária: "Separados do um, os seres não existem mais. O exército, o coro, o rebanho não existiriam se não fossem um exército, um coro. um rebanho. A casa e a nave não são se não têm unidade, porque a casa é uma casa e a nave é uma nave, e, se perdessem a unidade, não seriam nem casa nem nave. Nem as grandezas contínuas existiriam se não tivessem unidade. Divida-se uma [[lexico:g:grandeza|grandeza]]: perdendo a unidade, seu ser se transforma. O mesmo acontece para os corpos das plantas e dos animais, que, se perdem a unidade e se dividem em muitas partes, perdem o ser que possuíam e não são mais o que eram; transformam-se em outros seres que, em sendo, são um ser cada um (Enn., VI, 9,1). Essas considerações foram decisivas para a [[lexico:h:historia|história]] ulterior do conceito de unidade. Repetidas por [[lexico:p:proclo|Proclo]] (Inst. theol, 21, etc.) e por Dionísio, o Areopagita (De div. nom., XIII, C-D), passaram para a [[lexico:f:filosofia-medieval|filosofia medieval]] (v. Tomás de Aquino, [[lexico:s:suma-teologica|Suma Teológica]], I, q. II, a. I) e foram retomadas por [[lexico:n:nicolau-de-cusa|Nicolau de Cusa]] (De docta ignor, I, 5), que identificou a unidade absoluta com o máximo absoluto e ambas as coisas com Deus, inspirando as especulações correspondentes de G. [[lexico:b:bruno|Bruno]] sobre o assunto. A substância das coisas consiste na unidade (De la [[lexico:c:causa|causa]], princípio et uno, V, em Op., ed. Guzzo e Ameno, p. 409). [[lexico:l:locke|Locke]] foi o primeiro a polemizar o conceito de unidade substancial. Afirma que "a unidade de substância" não permite entender as várias espécies de identidades, como p. ex. a identidade da substância do homem, da [[lexico:p:pessoa|pessoa]], etc, e que tais identidades devem ser esclarecidas ou explicadas independentemente umas das outras (Ensaio, II, 27, 8). Mas já [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] voltava à defesa da identidade substancial, "única unidade verdadeira e real" (Nouv. ess., II, 27, 4). [[lexico:w:wolff|Wolff]] redefiniu a unidade no sentido tradicional, entendendo-a como "a inseparabilidade das coisas por [[lexico:m:meio|meio]] das quais o ente é determinado" (Ont., § 328); segundo Wolff, [[lexico:d:determinacao|determinação]] do ente nada mais é que a [[lexico:r:razao|razão]] ou a forma do ente (Ibid., § 116). O papel determinante que [[lexico:k:kant|Kant]] atribui à síntese, em todos os graus e formas do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] e, em geral, da [[lexico:a:atividade|atividade]] humana, orienta-se pelo mesmo privilégio concedido à [[lexico:n:nocao|noção]] de unidade. Para Kant, unidade é sinônimo de síntese ou de [[lexico:n:nexo|nexo]] necessário. Seu caráter específico é, em outros termos, a inseparabilidade do que é unificado ou sintetizado. Como fundamento de todos os graus ou formas de unidade, que constituem as formas e os graus do conhecimento, Kant põe "a unidade objetiva da [[lexico:p:percepcao|percepção]]", que se manifesta com o [[lexico:u:uso|uso]] da cópula é, em sentido [[lexico:o:objetivo|objetivo]]. Segundo Kant, essa cópula designa "a unidade necessária" do sujeito com o [[lexico:p:predicado|predicado]] e a relação dessa unidade necessária com a [[lexico:a:apercepcao|apercepção]] originária. Isso não quer dizer que as representações ligadas pela cópula sejam "necessariamente subordinadas uma à outra", mas sim que elas são "subordinadas uma à outra por meio da unidade necessária da apercepção" ([[lexico:c:critica-da-razao-pura|Crítica da Razão Pura]], § 19). [[lexico:c:como-se|como se]] vê, o uso kantiano do conceito de unidade é, rigorosamente, tradicional: Kant transfere para o [[lexico:e:eu|eu]] penso, ou "unidade necessária da apercepção", o fundamento da unidade necessária dos objetos, mas a noção mesma de unidade necessária" é aristotélica. Nem mesmo [[lexico:h:hegel|Hegel]] se afasta dessa noção, lamentando que ela pudesse ser entendida como "[[lexico:r:reflexao|reflexão]] subjetiva" e afirmando que deveria, ao contrário, ser entendida no sentido de "não-separação e inseparabilidade". Mas este é justamente o conceito aristotélico de unidade (Wissenschaft der Logik, I, livro I, seç. I, cap. I, n. 2). O uso desse termo, presente em toda a [[lexico:o:obra|obra]] de Hegel para indicar o [[lexico:t:terceiro|terceiro]] [[lexico:m:momento|momento]] da [[lexico:d:dialetica|dialética]], o da unidade ou identidade dos opostos, conforma-se perfeitamente a esse conceito. No uso filosófico corrente, esse termo nem sempre conserva o significado próprio de indivisibilidade ou inseparabilidade, ou seja, de nexo necessário. Contudo, esse significado está presente quando se [[lexico:f:fala|fala]] da unidade de Deus, do mundo, da natureza, ou da história, e mesmo quando se fala de unidade [[lexico:i:ideias|ideias]] ou normativas, como "unidade da [[lexico:h:humanidade|humanidade]]" ou "unidade da [[lexico:f:familia|família]]", etc. 2. Em [[lexico:c:correlacao|correlação]] com o significado acima, os filósofos chamam de unidade os [[lexico:e:elementos|elementos]] constitutivos ou os [[lexico:p:principios|princípios]] gerais do ser. Sabemos que, nesse sentido, para os pitagóricos "a unidade é o princípio de todas as coisas" (Diógenes Laércio, VIII, 25; J. Stobeo, Eci, I, 2, 58). No mesmo sentido, o [[lexico:n:neoplatonismo|neoplatonismo]] falou em [[lexico:m:monadas|Mônadas]] ou de Énades (Proclo, Inst. theol, 64) e Leibniz chamou de Mônadas (v. [[lexico:m:monada|mônada]]) as substâncias espirituais que, segundo ele, seriam os elementos do mundo. Nesses usos, o termo conserva o significado de substância indivisível. 3. Em sentido genérico e impróprio o mesmo que um/uno.