===== UNICIDADE ===== [[lexico:q:qualidade|qualidade]] do que é [[lexico:u:unico|único]]. — O [[lexico:t:termo|termo]] se distingue do [[lexico:c:conceito|conceito]] de [[lexico:u:unidade|unidade]]. Relaciona-se mais especificamente à [[lexico:p:personalidade|personalidade]] individual de um [[lexico:h:homem|homem]]: a unicidade designa o [[lexico:c:carater|caráter]] "insubstituível" de toda [[lexico:i:individualidade|individualidade]]. (Sin. individualidade.) (V. personalidade.) Diz mais que individualidade. Por isso, tudo [[lexico:o:o-que-e|o que é]] único é também [[lexico:i:individuo|indivíduo]], mas [[lexico:n:nao|não]] vice-versa. A individualidade convém ao portador [[lexico:c:concreto|concreto]] de uma [[lexico:e:essencia|essência]] em sua peculiaridade incomunicável, p. ex., a este carvalho, a este homem [[lexico:c:chamado|chamado]] Paulo. A unicidade acrescenta, [[lexico:a:alem|além]] disso, que um indivíduo não tem [[lexico:o:outro|outro]] igual a si, que, portanto, fora dele, não há outro portador da essência em [[lexico:q:questao|questão]] (unicidade de [[lexico:f:fato|fato]]) ou que mesmo não os pode haver essencialmente (unicidade [[lexico:m:metafisica|metafísica]]). Esta não se verifica no âmbito terrestre, mas tão só uma unicidade de fato. Ela é pouco saliente na [[lexico:n:natureza|natureza]] extra-humana, onde os indivíduos existem só em vista da [[lexico:e:especie|espécie]]; por isso apresentam um cunho individual pouco vincado, parecem-se muito entre si e podem substituir-se reciprocamente, embora também falemos, p. ex., da [[lexico:b:beleza|beleza]] única de uma paisagem, ou da [[lexico:f:fidelidade|fidelidade]] sem par de um [[lexico:a:animal|animal]]. Pelo contrário, o homem individual surge como [[lexico:p:pessoa|pessoa]] não ao serviço de sua espécie, mas com seu [[lexico:f:fim|fim]] [[lexico:e:eterno|eterno]] inteiramente [[lexico:p:pessoal|pessoal]], o que lhe dá um caráter de [[lexico:s:ser|ser]] algo absolutamente irreiterável e insubstituível. Isto se revela na profunda marca individual dos homens, a qual pode vincar-se ao [[lexico:p:ponto|ponto]] de fazer deles figuras únicas, incomparáveis, grandiosas, como p. ex., um [[lexico:p:platao|Platão]], um S. [[lexico:a:agostinho|Agostinho]], um S. Francisco de Assis, um [[lexico:g:goethe|Goethe]]. Todavia, só os seres espirituais puros ostentam a verdadeira unicidade metafísica. Enquanto no domínio terrestre nenhum indivíduo exaure a plenitude [[lexico:o:ontologica|ontológica]] de sua espécie, outro tanto não acontece (segundo S. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]]) no caso do [[lexico:a:anjo|anjo]]; pois que, nesta [[lexico:e:esfera|esfera]], cada indivíduo é necessariamente único em sua espécie. Todavia, como uma só espécie nunca realiza plenamente a [[lexico:r:riqueza|riqueza]] do [[lexico:e:espirito|espírito]] [[lexico:p:puro|puro]], há neste [[lexico:g:grau|grau]] do ser muitas espécies que coincidem no [[lexico:g:genero|gênero]]. Só a unicidade de [[lexico:d:deus|Deus]] é absoluta, porque, possuindo Ele em si de maneira exaustiva, como indivíduo, a infinita plenitude do ser, é [[lexico:i:impossivel|impossível]] a [[lexico:e:existencia|existência]] de outro igual a Ele. — Lötz.