===== TROPOS ===== Chama-se assim aos argumentos aduzidos pelos cépticos gregos para concluir na [[lexico:n:necessidade|necessidade]] da [[lexico:s:suspensao-do-juizo|suspensão do juízo]]. Os dez tropos mais conhecidos foram expostos por Enesidemo e referem-se a todas as mudanças e modificações a que estão sujeitos todos os juízos. [[lexico:a:agrippa|Agrippa]] reduziu-os a cinco: 1. a [[lexico:r:relatividade|relatividade]] das opiniões, que torna discutível qualquer [[lexico:p:principio|princípio]]. 2. A necessidade de uma [[lexico:r:regressao|regressão]] ao [[lexico:i:infinito|infinito]] para encontrar o primeiro princípio em que se apoiam os restantes. 3. A relatividade das percepções, que faz que um [[lexico:j:juizo|juízo]] seja apenas [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] para alguém, mas [[lexico:n:nao|não]] de um [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:a:absoluto|absoluto]]. 4. O [[lexico:c:carater|caráter]] necessariamente [[lexico:h:hipotetico|hipotético]] das premissas adoptadas. 5. O [[lexico:c:chamado|chamado]] dialelo ou [[lexico:c:circulo-vicioso|círculo vicioso]] que supõe a [[lexico:a:admissao|admissão]] do que é preciso demonstrar, pois demonstrar algo supõe no [[lexico:h:homem|homem]] a [[lexico:f:faculdade|faculdade]] da [[lexico:d:demonstracao|demonstração]], e a sua [[lexico:v:validade|validade]]. Sexto, o [[lexico:e:empirico|empírico]], assinala que todos os tropos se reduzem a três: o que se baseia no [[lexico:s:sujeito|sujeito]] do juízo, no [[lexico:o:objeto|objeto]] julgado e a em ambos. Junto a estes tropos que põem em [[lexico:q:questao|questão]] a [[lexico:p:possibilidade-do-conhecimento|possibilidade do conhecimento]] estão os [[lexico:r:relativos|relativos]] às [[lexico:c:causas|causas]]. Enesidemo foi também o seu expositor e consistem essencialmente em [[lexico:p:por|pôr]] a claro que é ilegítimo derivar [[lexico:c:coisas|coisas]] invisíveis das coisas visíveis. Assim, disse que pretender encontrar as causas mediante as aparências é tentar [[lexico:e:explicar|explicar]] o [[lexico:o:obscuro|obscuro]] pelo mais obscuro. (gr. tropoi; lat. Tropes; fr. Tropes; al. Tropen; it. Tropí). Assim eram chamados os modos ou os caminhos indicados pelos cépticos para chegar à suspensão do [[lexico:a:assentimento|assentimento]]. Estes tropos consistem na [[lexico:e:enunciacao|enunciação]] das situações das quais resultem [[lexico:o:oposicao|oposição]] de opiniões ou mesmo contradições. Enesidemo de Cnossos enumerava dez deles, que são os seguintes: 1) a [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre os animais, que estabelece uma diferença entre suas representações; 2) a diferença entre os homens, pelo mesmo [[lexico:m:motivo|motivo]]; 3) a diferença entre as sensações; 4) a diferença entre as circunstâncias, que também influem na [[lexico:d:diversidade|diversidade]] das opiniões; 5) a diferença das posições e dos intervalos; 6) a diferença das misturas; 7) a diferença entre os objetos [[lexico:s:simples|simples]] e os objetos compostos; 8) a diferença entre as [[lexico:r:relacoes|relações]], visto que as opiniões mudam segundo as relações das coisas com o sujeito judicante; 9) a diferença entre a frequência ou a raridade dos encontros entre o sujeito judicante e as coisas; 10) a diferença da [[lexico:e:educacao|educação]], dos [[lexico:c:costumes|costumes]], das leis, etc. (Pirr. hyp., I, 36-163). Por sua vez, Agripa acrescentava outros cinco tropos, como objeções contra a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de atingir a [[lexico:v:verdade|verdade]]: 1) a discordância das opiniões; 2) o [[lexico:p:processo|processo]] ao infinito em que se incide quando sé quer aduzir uma [[lexico:p:prova|prova]], já que esta prova precisa de outra, e esta outra de uma mais uma, e assim por diante; 3) a [[lexico:r:relacao|relação]] entre o sujeito e o objeto, que leva à variação da [[lexico:a:aparencia|aparência]] do objeto; 4) a [[lexico:h:hipotese|hipótese]], que é o recurso a uma [[lexico:a:assuncao|assunção]] sem demonstração, portanto insustentável; 5) o dialeto, ou [[lexico:c:circulo|círculo]] vicioso, quando se assume como princípio de prova exatamente o que se deve provar ([[lexico:s:sexto-empirico|Sexto Empírico]], Pirr. hyp., I, 164-69). Finalmente, Sexto Empírico enuncia outros dois tropos, que são argumentos segundo os quais não se pode [[lexico:c:compreender|compreender]] uma [[lexico:c:coisa|coisa]] nem com base em si mesma nem com base em outra coisa (Pirr. hyp., I, 178-79).