===== TRANSCENDENTAL ===== Que torna [[lexico:a:a-priori:start|a priori]] [[lexico:p:possivel:start|possível]] o nosso [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]: os "[[lexico:p:principios:start|princípios]] [[lexico:t:transcendentais:start|transcendentais]] do [[lexico:e:espirito:start|espírito]]" são os que, antes de qualquer [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], constituem a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] de nosso conhecimento. — Uma [[lexico:a:analise:start|análise]] transcendental, tal como foi praticada por [[lexico:k:kant:start|Kant]] (na [[lexico:c:critica-da-razao-pura:start|Crítica da razão pura]]), é uma [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] sobre o [[lexico:a:ato:start|ato]] de conhecer, independentemente de [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:o:objeto:start|objeto]] sobre o qual poderia focalizar-se nosso conhecimento. É, de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com a etimologia do vocábulo (1), aquilo que se refere ao [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]], ou seja, segundo o [[lexico:u:uso:start|uso]] corrente do [[lexico:t:termo:start|termo]], ao transcendente em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] ([[lexico:t:transcendencia:start|transcendência]]). Neste [[lexico:s:sentido:start|sentido]], "[[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] transcendental" é sinônimo de [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]. Esta acepção ocorre também em Kant, p. ex., quando ele denomina transcendental o uso dos princípios do [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]] [[lexico:p:puro:start|puro]] para [[lexico:a:alem:start|além]] dos limites da experiência. — Na filosofia [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]], o t?rmo transcendental (2) — para se diferenciar de transcendente — é empregado, as mais das vezes, em sentido [[lexico:l:logico:start|lógico]]. Enquanto o "transcendente" é o [[lexico:e:ente:start|ente]] que se encontra para além do ato de conhecimento, da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] ou do mundo, o termo "transcendental" designa os [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] que superam em universalidade as [[lexico:c:categorias:start|categorias]] ou que, pelo menos, [[lexico:n:nao:start|não]] são redutíveis, a uma [[lexico:c:categoria:start|categoria]] única. Assim, denominam-se, antes de mais [[lexico:n:nada:start|nada]], transcendentais o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de ente e os conceitos das propriedades essenciais que convêm a todos os entes (Transcendentais); aliás, S. Tomás, Scotus e, via de [[lexico:r:regra:start|regra]], também Suarez empregam, neste caso, o termo transcendens, e não transcendentalis. Uma relação denomina-se transcendental, quando, por [[lexico:c:causa:start|causa]] de sua [[lexico:u:unidade:start|unidade]] necessária e [[lexico:e:essencial:start|essencial]] com determinações absolutas do [[lexico:s:ser:start|ser]], não pode ser incluída na categoria de relação. Precisamente por serem os conceitos transcendentais de importância decisiva para a [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] do [[lexico:s:supra-sensivel:start|supra-sensível]], e inclusive por serem os únicos tomados em conta para a determinação do [[lexico:d:divino:start|divino]], o transcendental lógico mantém sua relação essencial ao transcendente ou metafísico. Em Kant, o termo transcendental sofre importante [[lexico:m:mudanca:start|mudança]] de sentido, conservando, não obstante, certa conexão com a acepção primitiva. Toda a [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] de Kant [[lexico:p:parte:start|parte]] desta [[lexico:i:interrogacao:start|interrogação]]: é possível a metafísica como [[lexico:c:ciencia:start|ciência]]? Para responder a esta interrogação, Kant julga ser absolutamente indispensável investigar os modos de atuar de nossas [[lexico:f:faculdades:start|faculdades]] cognoscitivas, inquirir como, anteriormente a toda experiência acidental (a priori), eles se baseiam na [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] essencial do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]]. Assim, a [[lexico:p:posicao:start|posição]] transcendental (1) da [[lexico:q:questao:start|questão]] sobre a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] da metafísica, torna-se transcendental (3) no sentido da [[lexico:d:definicao:start|definição]] kantiana: "Chamo transcendental todo conhecimento que se ocupa, em [[lexico:g:geral:start|geral]], não tanto de objetos, quanto de nosso [[lexico:m:modo:start|modo]] de conhecê-los, na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que este deve ser possível "a priori" (Kritik der reinen Vernunft, B, 25). Neste sentido [[lexico:f:fala:start|fala]] Kant de [[lexico:e:estetica-transcendental:start|estética transcendental]], de [[lexico:l:logica:start|lógica]] transcendental, etc., e até de filosofia transcendental em geral. Em sentido [[lexico:i:identico:start|idêntico]] Marechal, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], denomina também transcendentais as investigações escolásticas acerca do objeto [[lexico:f:formal:start|formal]] e a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] teleológica das faculdades cognoscitivas. O qualificativo transcendental passa, em seguida, da reflexão sobre as condições aprióricas do conhecimento a estas mesmas reflexões. Nesta acepção, chamam-se transcendentais (4) as condições do conhecimento fundadas no próprio sujeito anteriormente a toda experiência e a todo conhecimento [[lexico:r:real:start|real]], consideradas enquanto tais, isto é, enquanto possibilitam o [[lexico:c:conhecimento-objetivo:start|conhecimento objetivo]]. Neste sentido, fala Kant de [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]] transcendental; neste sentido são igualmente denominadas transcendentais as formas a priori da [[lexico:s:sensibilidade:start|sensibilidade]] e do entendimento e, finalmente, o próprio sujeito como [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] [[lexico:u:ultimo:start|último]] de todo conhecimento (Kant: [[lexico:u:unidade-transcendental:start|unidade transcendental]] da [[lexico:a:apercepcao:start|apercepção]], isto é, da consciência). Uma vez que no próprio Kant a investigação transcendental conduz ao resultado de que pelas formas aprióricas só podem ser conhecidos objetos da experiência, nele, o transcendental apresenta-se em certa [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] ao transcendente. Não devemos, contudo, esquecer que conserva sempre [[lexico:r:relacoes:start|relações]] com o transcendente: pelas categorias o transcendente pode, ao menos, ser pensado, embora — devido à [[lexico:f:falta:start|falta]] de [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] correspondente — não seja possível conhecê-lo; e as [[lexico:i:ideias:start|ideias]] transcendentais referem-se essencialmente ao [[lexico:i:incondicionado:start|incondicionado]], ao metafísico, e, embora este não possa ser [[lexico:d:dado:start|dado]] como objeto, nem portanto possa ser conhecido, é, no entanto, justificadamente admitido como [[lexico:p:postulado:start|postulado]] da [[lexico:r:razao-pratica:start|razão prática]]. — De Vries. A [[lexico:r:reducao:start|redução]], libertando o sentido do mundo, indica-lhe também a [[lexico:o:origem:start|origem]]: uma origem no [[lexico:e:eu:start|eu]], mas no eu real, [[lexico:h:homem:start|homem]], mas no eu como «sujeito» para o «mundo». Este sujeito, na redução, aparece como «espectador de si próprio e do mundo», mas também como [[lexico:f:fonte:start|fonte]] ou origem do sentido. [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] designa esta [[lexico:s:subjetividade:start|subjetividade]], «dadora de sentido» e «sentido de ser», [[lexico:s:subjetividade-transcendental:start|subjetividade transcendental]]. Na sua conclusão, a redução é, portanto, uma «redução fenomenológica transcendental» e, reorganizada a partir dela, a [[lexico:f:fenomenologia-husserliana:start|fenomenologia husserliana]] apresenta-se como um [[lexico:i:idealismo-transcendental:start|idealismo transcendental]]. Notemos que esta [[lexico:r:referencia:start|referência]] ao sujeito era primeiramente excluída do [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] científico e [[lexico:p:positivo:start|positivo]] do [[lexico:m:metodo-fenomenologico:start|método fenomenológico]] (Recherches Logiques — V) naquilo em que ela parecia implicar o recurso a uma transcendência. Não é senão após um longo percurso que Husserl reconhece a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] disso como conclusão da [[lexico:i:intencao:start|intenção]] científica da [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]], isto é, como radicalização decisiva do [[lexico:m:metodo:start|método]]. A [[lexico:e:evidencia:start|evidência]], já em elaboração na [[lexico:i:imanencia-do-vivido:start|imanência do vivido]], reporta-se a uma subjetividade que «não tem o sentido de um [[lexico:p:produto:start|produto]] de construção especulativa... que... constitui com as suas experiências vividas, as suas faculdades e as suas operações transcendentais, um domínio absolutamente autônomo de experiência direta» (posfácio). Todos os problemas postos à [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:d:descricao-fenomenologica:start|descrição fenomenológica]] encontrarão, pelo menos de [[lexico:d:direito:start|direito]], a sua solução na explicitação da [[lexico:e:essencia:start|essência]] desta subjetividade. A fenomenologia como ciência poderá resumir-se na [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] de «revelar a estrutura do [[lexico:e:eidos:start|eidos]] [[lexico:u:universal:start|universal]] do [[lexico:e:ego:start|ego]] transcendental, que contém todas as variantes possíveis do meu ego [[lexico:e:empirico:start|empírico]], portanto, este ego ele mesmo como pura possibilidade» (Méditations Cartésiennes, §34). [Schérer] (lat. Transcendentalis; in. Transcendental; fr. Transcendental; al. Transzendental; it. Trascendentale). Com este termo ou com transcendente, começaram a ser denominadas, no [[lexico:f:fim:start|fim]] do séc. XIII, as propriedades que todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] têm em comum, que por isso excedem ou transcendem as diversidades de gêneros em que as coisas se distribuem. [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:n:nome:start|nome]] já se encontra em F. Mayron (morto em 1325, Formalitates, ed. 1479, f. 22, r. A), e com [[lexico:c:certeza:start|certeza]] Lorenzo Valla (Dialecticae disputationes, I, 1) contribuiu para a sua difusão, mas os transcendentais ou transcendentes já haviam sido definidos por [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] como as propriedades "que se acrescentam ao ente e que expressam um de seus modos que não é expresso pelo nome do ente"; e enumerava seis delas: [[lexico:e:ens:start|ens]], res, unum, aliquid, bonum, verum (De [[lexico:v:ver:start|ver]]., q. 1, a. 1), lista esta que se tornou a mais difundida e acreditada entre todas. Esse conceito de transcendental, com alguma mudança ocasional na lista dos termos, foi repetido inúmeras vezes depois disso ([[lexico:c:campanella:start|Campanella]], Dialectica, I, 4; G. [[lexico:b:bruno:start|Bruno]], De la causa, IV; F. [[lexico:b:bacon:start|Bacon]], De augm. scient., III, I; Jungius, Logica hamburgensis, I, 1, 45: [[lexico:s:spinoza:start|Spinoza]], Et., II, 40, escólio I; [[lexico:b:berkeley:start|Berkeley]], Principie of Human Knowledge, § 118; [[lexico:w:wolff:start|Wolff]], Ont., § 495, 503; Baumgarten, Met., § 72, 89; Hamilton, Lectures on Logic, I, p. 198). A essa [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] junta-se o uso kantiano do termo. Kant diz: "Esses supostos [[lexico:p:predicados:start|predicados]] transcendentais das coisas nada mais são que exigências lógicas e critérios para qualquer conhecimento das coisas em geral e repousam nas categorias de [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] (unidade, [[lexico:p:pluralidade:start|pluralidade]] e [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]]). Mas essas categorias, que deveriam ser assumidas no [[lexico:s:significado:start|significado]] material como pertencentes à possibilidade das coisas, na [[lexico:v:verdade:start|verdade]] eram usadas pelos antigos só com [[lexico:v:valor:start|valor]] formal, como constituintes da exigência lógica para qualquer conhecimento; todavia, transformavam inadvertidamente esses critérios do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] em [[lexico:p:propriedade:start|propriedade]] das coisas em si mesmas" ([[lexico:c:critica:start|Crítica]] da [[lexico:r:razao-pura:start|Razão Pura]], [[lexico:a:analitica:start|Analítica]], § 12). Em outros termos, Kant considera que o antigo conceito de transcendental peca por dois [[lexico:m:motivos:start|motivos]]: 1° porque considera o transcendental simples conceito lógico-formal; 2° porque considera esse conceito formal como propriedade das coisas em si. Ao contrário, o conceito kantiano de transcendental consiste em: 1° considerar o transcendental como [[lexico:c:condicao:start|condição]] da possibilidade da [[lexico:c:coisa:start|coisa]], ou seja, como conceito a priori ou categoria; 2° considerar a coisa, cuja condição é o transcendental, como [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]], e não como "coisa em si". Contudo, para Kant, o transcendental não se identifica com as condições a priori do conhecimento [[lexico:h:humano:start|humano]] e dos seus objetos (que são os fenômenos), mas é considerado o conhecimento (ou a ciência, se existe uma ciência) dessas condições a priori. Kant diz: "Não chamo de transcendental o conhecimento que cuida dos objetos, mas o que cuida do nosso modo de conhecer os objetos, e que seja possível a priori" (Ibid., Intr., VII). E esclarece: "Não se deve chamar de transcendental qualquer conhecimento apriori, mas apenas o conhecimento que possibilite [[lexico:s:saber:start|saber]] que representações (intuições ou conceito) são aplicadas ou são possíveis exclusivamente a priori e como isso se dá. Vale dizer: é transcendental o conhecimento da [[lexico:p:possibilidade-do-conhecimento:start|possibilidade do conhecimento]] ou do uso dele a priori" (Ibid., Lógica, Intr., II; v. Prol, § 13, obs. III). Desse [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista, transcendental não é "o que está além da experiência", mas sim "o que antecede a experiência (a priori) mesmo não se destinando a outra coisa senão a possibilitar o simples conhecimento empírico" (Prol., Apêndice, [[lexico:n:nota:start|nota]] ). No entanto, é preciso observar que Kant não se atem rigorosamente a esse significado do termo e que, muitas vezes, chamou de transcendental [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] [[lexico:i:independente:start|independente]] da experiência ou de princípios empíricos (cf., p. ex., Crítica da [[lexico:r:razao:start|Razão]] Pura, O [[lexico:i:ideal:start|ideal]] da mão pura, seç. 5, [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] e [[lexico:i:ilustracao:start|ilustração]] da [[lexico:a:aparencia:start|aparência]] [[lexico:d:dialetica:start|dialética]]). De qualquer [[lexico:f:forma:start|forma]], com base no significado explicitamente aceito por Kant, podem ser chamados de transcendental apenas os conhecimentos que têm por objetos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] a priori, e não estes mesmos elementos. Portanto, são transcendentais a [[lexico:e:estetica:start|estética]], a lógica e as suas partes, mas não o são as intuições puras, as categorias ou as ideias. Mas mesmo este uso não é rigoroso, pois Kant chama de transcendental as ideias e de unidade transcendental o eu penso (Ibid., § 16). Esse termo foi retomado por [[lexico:f:fichte:start|Fichte]] para designar a [[lexico:t:teoria-da-ciencia:start|Teoria da Ciência]], pois mostra que todos os elementos do conhecimento estão no Eu, ou seja, na consciência: "Essa ciência não é transcendente, mas continua transcendental em sua profundidade. É verdade que ela explica a consciência com [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] que existe independentemente da consciência, mas mesmo nessa [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] não se esquece de conformar-se às suas próprias leis; e assim que reflete sobre ela, o termo independente torna-se novamente produto da [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] de [[lexico:p:pensar:start|pensar]], portanto algo dependente do Eu, porque deve [[lexico:e:existir:start|existir]] para o Eu, no conceito do Eu". (Wissenschaftslehre, 1794, § 5, II; trad. it., p. 231). Shelling entendia esse termo no mesmo sentido; para ele, no saber transcendental, "o ato do saber chega a absorver o objeto como tal", de tal modo que é "um saber do saber, porquanto puramente [[lexico:s:subjetivo:start|subjetivo]]" (System des transzendentalen Idealismus, 1800, Intr., § 2). [[lexico:s:schopenhauer:start|Schopenhauer]] atribui o mesmo sentido idealista: transcendental é "o conhecimento que determina e estabelece, antes de qualquer experiência, tudo o que é possível na experiência" (Über die vierfache Wurzel des Satzes vom zureichenden Grunde, § 20). Como resultado destas determinações, o conceito do transcendental foi-se fixando na filosofia contemporânea como aquilo que pertence ao sujeito ou à consciência como condição do objeto e da própria [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. Portanto, qualificou-se de transcendental qualquer [[lexico:a:atividade:start|atividade]] ou [[lexico:e:elemento:start|elemento]] da consciência de que dependa a [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] ou a posição da realidade objetiva. Assim, expressões como "ponto de vista transcendental" ou "conhecimento transcendental" equivalem à [[lexico:e:expressao:start|expressão]] de [[lexico:s:schelling:start|Schelling]] "[[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]] transcendental", ou seja, doutrina que mostra que na consciência subjetiva estão as condições da realidade. Este conceito de transcendental persistiu tanto nas escolas de inspiração kantiana mais estrita quanto nas escolas idealistas. Gentile chamava de "[[lexico:e:eu-transcendental:start|eu transcendental]]" o eu [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] ou universal, que cria a realidade pensando ([[lexico:t:teoria:start|teoria]] generale dello spirito, 1920,1 § 5). Mantém-se o sentido idealista também em Husserl, que qualifica de transcendental a [[lexico:e:experiencia-fenomenologica:start|experiência fenomenológica]] ou a reflexão que a ocasiona. "Na [[lexico:r:reflexao-fenomenologica:start|reflexão fenomenológica]] transcendental, saímos do terreno empírico praticando a [[lexico:e:epoche:start|epoche]] universal quanto à [[lexico:e:existencia:start|existência]] ou à não-existência do mundo. Pode-se dizer que a experiência do mundo assim modificada, a experiência transcendental consiste no seguinte: examinamos o [[lexico:c:cogito:start|cogito]] transcendentalmente reduzido e o descrevemos sem efetuar além disso a posição de existência [[lexico:n:natural:start|natural]] implícita na [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] espontânea" (Cart. Med., § 15). Para [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]], porém, transcendental tem sentido [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] porque indica "qualquer [[lexico:m:manifestacao:start|manifestação]] do ser no seu ser transcendente" (Sein und Zeit, § 7 C). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}