===== TEORIA TOMISTA DO SER ===== Quando se observa de perto esta [[lexico:a:analise|análise]] do [[lexico:s:ser|ser]], pela [[lexico:d:distincao|distinção]] [[lexico:r:real|real]] do par essência-existência, assinala-se uma [[lexico:t:transformacao|transformação]] profunda da [[lexico:o:ontologia|ontologia]] de [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] por [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]]. E como o mostrou Gilson na sua [[lexico:o:obra|obra]] sobre L’être et l’essence, isto dá à [[lexico:m:metafisica|metafísica]] do Doutor angélico uma [[lexico:s:significacao|significação]] bastante original que nem sempre foi [[lexico:b:bem|Bem]] percebida, mesmo em sua [[lexico:e:escola|escola]]. A [[lexico:t:tendencia|tendência]] mais constante dos filósofos, a [[lexico:h:historia|história]] o [[lexico:p:prova|prova]], foi sempre a de considerar o ser mais como uma [[lexico:n:natureza|natureza]], como uma [[lexico:e:essencia|essência]]. Isto é manifesto no [[lexico:p:platonismo|platonismo]], e a [[lexico:o:ousia|ousia]], como [[lexico:s:substancia|substância]] de Aristóteles, aparece ainda como uma [[lexico:e:especie|espécie]] de [[lexico:s:sujeito|sujeito]] [[lexico:e:essencial|essencial]]. [[lexico:a:avicena|Avicena]] - que Averróis criticará sobre este [[lexico:p:ponto|ponto]] com muita [[lexico:v:vivacidade|vivacidade]] sustenta aqui uma [[lexico:p:posicao|posição]] intermediária: a [[lexico:e:existencia|existência]] nele aparece como uma [[lexico:e:entidade|entidade]] arrancada da essência, mas, permanecendo esta sempre corno o fundo do ser, [[lexico:e:esse|esse]] actus existendi [[lexico:n:nao|não]] é mais do que um [[lexico:s:simples|simples]] [[lexico:a:acidente|acidente]] que vem se acrescentar como que do [[lexico:e:exterior|exterior]] a esse fundo [[lexico:p:primitivo|primitivo]]. Se, com Gilson, prosseguíssemos nossa [[lexico:i:indagacao|indagação]], veríamos como uma boa [[lexico:p:parte|parte]] da [[lexico:e:escolastica|escolástica]], em seguida a Scoto e Suarez, assim como a [[lexico:f:filosofia-moderna|filosofia moderna]], de [[lexico:d:descartes|Descartes]] a [[lexico:h:hegel|Hegel]], passando por Wolf e [[lexico:k:kant|Kant]], deixou-se, de maneira mais ou menos [[lexico:c:consciente|consciente]], dominar por esta concepção essencialista do ser. Ora, se retornarmos a Tomás de Aquino, veremos cem cessar afirmar, não que a existência seja realmente distinta da essência nos seres criados, o que aliás para ele certamente não se apresenta como [[lexico:p:problema|problema]], mas que a existência é [[lexico:a:ato|ato]], ou como a [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] última do ser e que o [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:d:deus|Deus]] é o Ipsum esse subsistens. O ser é, pois, para ele, e tanto em Deus como nas criaturas, existência por [[lexico:e:excelencia|excelência]]. Tanto assim que é mais [[lexico:e:exato|exato]] considerar em seu [[lexico:e:espirito|espírito]] — ainda que se possa dizer perfeitamente o contrário — que o ser é uma existência determinada por uma essência. Em um [[lexico:s:sentido|sentido]] bastante diferente, e é preciso sublinhá-lo, do que toma a [[lexico:p:palavra|palavra]] em certas filosofias contemporâneas, a metafísica de Tomás de Aquino pode ser considerada [[lexico:e:existencialista|existencialista]]. E, a este título, em face dos antigos racionalismos, escolásticos ou modernos, apresenta-se como um [[lexico:p:pensamento|pensamento]] notavelmente original.