===== TEORIA MODAL ===== É o [[lexico:m:modo|modo]], a maneira inerente de [[lexico:s:ser|ser]] de uma [[lexico:s:substancia|substância]] ou de um [[lexico:a:acidente|acidente]]. O grande [[lexico:t:teorico|teórico]] da [[lexico:t:teoria|teoria]] dos modos ou das [[lexico:m:modais|modais]] foi inegavelmente Suarez. O modo é um haver [[lexico:f:formal|formal]] em [[lexico:o:outro|outro]] ser, e nesse haver está toda a sua [[lexico:e:entidade|entidade]]; ser [[lexico:a:atual|atual]], que consiste num determinar em outro e de outro (inaliedade e [[lexico:a:abaliedade|abaliedade]]). Assim a [[lexico:u:uniao|união]] é modo enquanto une; a [[lexico:f:figura|figura]], enquanto configuração, enquanto é dimanação ou [[lexico:f:fieri|fieri]] ([[lexico:d:devir|devir]]), exemplifica Suarez, que salienta ainda que o modo [[lexico:n:nao|não]] pode [[lexico:a:aparecer|aparecer]] em [[lexico:e:estado|Estado]] potencial, mas só como atual [[lexico:d:determinacao|determinação]] de outro ser, não tendo portanto, [[lexico:r:realidade|realidade]] [[lexico:i:independente|independente]], entidade própria. Consiste sua entidade numa pura modificação da realidade, a qual afeta e nessa [[lexico:f:funcao|função]] modificativa está toda sua [[lexico:e:estrutura|estrutura]] [[lexico:o:ontologica|ontológica]]. Portanto, o ser do modo e o modificar nele se identificam: ser é modificar no modo. "O modo é uma certa entidade positiva, que consiste em ser uma determinação atual e formal da realidade, à qual modifica, à qual outorga numa modificação última, que cai fora de sua [[lexico:e:essencia|essência]] total e individual, enquanto existe na [[lexico:n:natureza|natureza]]". Nesta [[lexico:d:definicao|definição]] de Suarez estão compreendidas as propriedades mais específicas e características dos modos, tais como inseparabilidade absoluta, inaliedade, abaliedade, determinação última e atual, ser como causar, estado, etc. Partindo da [[lexico:c:classificacao|classificação]] aristotélica das [[lexico:c:categorias|categorias]] eles podem ser primariamente subdivididos em substanciais, quando são estruturas modais da substância, integrando-a; e acidentais, quando completiva dos acidentes. Aponta Suarez como modais a união, a dimanação, a supositalidade, a figura, o [[lexico:m:movimento|movimento]], a [[lexico:a:acao|ação]], a [[lexico:i:inerencia|inerência]] e outras. São objetivas, mas de natureza [[lexico:m:modal|modal]]. No [[lexico:c:composto|composto]], a união é [[lexico:r:real|real]], pois sem ela o composto não seria real, mas apenas um [[lexico:a:agregado|agregado]] [[lexico:m:mecanico|mecânico]]. As partes são uníveis, enquanto consideradas como tais. E podem unir-se dando surgimento a um novo estado [[lexico:o:ontologico|ontológico]] dos componentes. Na adição ou na [[lexico:s:subtracao|subtração]] há um [[lexico:t:termo|termo]] real de [[lexico:m:mutacao|mutação]]. [[lexico:e:esse|esse]] termo real que surge na mutação compositiva é a união. Antes dela os termos estão em estado de [[lexico:i:indeterminacao|indeterminação]]. Como eles são reais, a união é também real, pois do contrário os termos quando estão unidos não estariam unidos, o que seria admitir [[lexico:c:contradictio-in-adjecto|contradictio in adjecto]]. Na união há o surgimento de algo qualificativamente novo que é atualizado. A nova [[lexico:f:forma|forma]] que surge como nas combinações químicas é uma decorrência da união, pois o univel é [[lexico:p:potencia|potência]] nas partes e [[lexico:a:ato|ato]] no [[lexico:t:todo|todo]]. Neste caso a união como modo é distinta da forma que se atualiza na nova [[lexico:t:tensao|tensão]] esquemática. Não se deve confundir o modo com a tensão, nem considerar aquele como [[lexico:c:causa|causa]] desta. A união é, assim, um [[lexico:e:exemplo|exemplo]] da modal [[lexico:s:substancial|substancial]], sem que os modos sejam [[lexico:s:substancias|substâncias]] nem acidentes, dos quais se distinguem, embora redutíveis a estes, o que revela uma [[lexico:d:distincao|distinção]] real não mútua, pois os modos existem necessariamente naqueles, os quais não exigem necessariamente este ou aquele modo. Exemplo de uma modal acidental é a inerência, que é uma modificação do acidente. A [[lexico:q:quantidade|quantidade]] pode ser considerada abstratamente, tomada em si mesma, mas na substância está em estado de inesão. A inesão é o pegado em, junto em, o perfeitamente unido em... A quantidade está em inesão na substância. A quantidade tem sua entidade e tem a sua inerência na substância, e elas não são formalmente a mesma [[lexico:c:coisa|coisa]]. A inesão é o estado real da quantidade afixada, aderida à substância. Suarez chama essa [[lexico:m:modalidade|modalidade]] de modo da quantidade. Para ele a quantidade pode ser tomada em sua entidade e em sua inerência na substância. Admite uma distinção real (no [[lexico:s:sentido|sentido]] da maioria dos escolásticos), porque a entidade da quantidade, considerada em si mesma, em sua [[lexico:e:essencia-e-existencia|essência e existência]], e até em sua [[lexico:i:individualidade|individualidade]], não inclui a inerência atual à substância. Consequentemente: a inerência, como modo, é inseparável da quantidade em que se dá; é uma determinação formal última do acidente que inere, e tal determinação última é peculiar a todos os modos, o que configura a sua entidade, [[lexico:s:situacao|situação]] ontológica que lhe é exclusiva. Não esqueçamos nunca que o modo entifica-se no exercício atual de sua modalidade A ação é também um modo acidental. Dá-se essa na dimanação da causa eficiente, mediante a produção do [[lexico:e:efeito|efeito]]. Está ela necessariamente conexionada à causa eficiente. Causar é produzir uma ação e, por [[lexico:m:meio|meio]] dela, um efeito. Na [[lexico:c:causalidade|causalidade]] eficiente temos a causa, a ação e o efeito, que são termos correlativos. A causa eficiente é tal enquanto produz uma ação, mas esta não é um efeito da causa, mas a [[lexico:r:razao|razão]] do causar, um modo da causa, a sua [[lexico:f:facticidade|facticidade]] (nela há uma actio e uma factio, como diria [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]]). A ação coloca-se como uma realidade entre a causa e o efeito (fieri), devir. A dependência entre o efeito e a causa é um modo, e é real (causa é o de que depende realmente o efeito). A conexão entre [[lexico:c:causa-e-efeito|causa e efeito]] é real e é intrínseca, pois a causa, causa, do contrário não causaria, nem no efeito produzido haveria produção. Essa dependência real explica, como o salienta Suarez, a [[lexico:r:relacao|relação]] ontológica existente entre causa e efeito, sem a qual nenhum dos extremos (causa e efeito) poderiam ser compreendidos nem entendidos. Por isso a dependência se contra distingue da causa e do efeito, mas com distinção realmodal. A ação é assim vial. Ela é portanto um modo, pois é de e em [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]], com a qual se consubstancia, entidade de outra entidade (abaliedade e inaliedade). E, na [[lexico:v:verdade|verdade]], a ação como entitas não consiste em si mesma, não é de per si, mas tem seu ser em outro, pois sua entidade não é própria e independente. Mas como é [[lexico:p:positivo|positivo]], é um modo de outra entidade. É uma entidade vial (fieri), mas de outra entidade da qual depende. A dependência é de um ser que depende, e a ação não pode [[lexico:e:existir|existir]] sozinha. A ação é um fazer-se, é um modo, modalidade vial fáctica ou operativa do termo produzido. Essa doutrina de Suarez é confirmada pelas atuais concepções da teoria corpuscular e da teoria cinética, [[lexico:b:bem|Bem]] como da teoria ondulatória. A dependência não é [[lexico:n:nada|nada]] de per si, mas é apenas o ato de depender; portanto é uma modal e, consequentemente, a dependência do efeito é uma determinação formal última do efeito, que depende de sua causa. Assim também a figura, como determinação qualitativa da quantidade, é inseparável desta, porque é, enquanto configura, e não existe isolada da realidade configurada, o que lhe dá o [[lexico:c:carater|caráter]] modal. Há outras modificações da realidade como a ubiquação, que afirma a presencialidade de uma realidade num [[lexico:l:lugar|lugar]], e a de [[lexico:a:atividade|atividade]] etc., que não subsistem [[lexico:p:por-si|por si]] mesmas. Se as [[lexico:c:coisas|coisas]] nos revelam modalidades reais é preciso que algo as produza, isto é, implicam uma verdadeira [[lexico:e:eficiencia|eficiência]], implicam algo verdadeiramente real que as atualize, já que os modos não são seres de per si. As modais não são determinantes, mas determinações do ato de determinar e não podem ser explicadas como puros nadas, pois o modo é enquanto outro ser se modificou, porque é precisamente a sua modificação. O modo é determinação atual e última, e como tal não necessita de uma ulterior forma determinante, nem pode recebê-la e o modo é, enquanto determina, por isso não permite uma ulterior determinação. Suarez chama os modos de formas, pois toma este [[lexico:u:ultimo|último]] termo no sentido de certa determinação modificativa ou perfectiva. O modo é uma [[lexico:e:especie|espécie]] de forma, mas uma espécie de forma atual (porque é determinação), pois está em exercício, do contrário, desapareceria. Dessa maneira a essência da forma modal está em sua causalidade atual, [[lexico:c:caracteristica|característica]] salientada por Alcorta, e essa essência é a sua entidade. Consequentemente, a entidade do modo é a própria determinação formal do modo. O modo de união é a união atual. O modo como forma e portanto como ser, é a causalidade formal e atual da mesma. A figura, na quantidade, é o contorno figurativo da quantidade. A [[lexico:c:consistencia|consistência]] ontológica da figura está na sua própria causalidade atual-formal-configurativa. Portanto nela não há qualquer indiferença. Se não determina, não é. Como os modos são inseparáveis da entidade, que é modificada, não constituem uma [[lexico:c:categoria|categoria]] nova fora da de substância e de acidente, que a esses dois se reduzem para Suarez. Deles não se pode dizer com [[lexico:p:propriedade|propriedade]] que são entes (no sentido de Suarez), mas apenas modos de entes. Eles se identificam categorialmente às coisas de que são modos. Sua entidade lhes é proporcionada, pois a [[lexico:e:existencia|existência]] do modo é uma existência modal, o que lhe dá uma essência e uma existência distintas da entidade em que se hão, Por isso sua identificação não é absoluta, proclama Suarez, o que permite a distinção modal, que a coloca intermediariamente entre a distinção real e a de razão. Não sendo, portanto, um nada, o modo é uma entitas, mas tênue desde que aceitemos o sentido escotista de [[lexico:e:ente|ente]] ou o genuinamente suarezista; ou seja: ente é tudo quanto se distingue do nada, tudo o que aponta alguma positividade até de [[lexico:g:grau|grau]] intensistamente baixo. Se se [[lexico:c:compreender|compreender]] que ente é tudo quanto existe ou pode existir fora de suas [[lexico:c:causas|causas]], que pode existir separado, de per se, nesse caso faltaria entitas ao modo. Mas, desde que compreendamos o modo com algo que é positivo e empiricamente observável, sendo ser, tem entitas, porque ser é [[lexico:t:ter|ter]] ser ; e é ser ser. Quando afirmamos a um ente o [[lexico:a:atributo|atributo]] ser, não o delimitamos. Mas o delimitamos sempre quando lhe atribuímos onticamente qualquer outro atributo. [[lexico:o:o-que-e|o que é]] onticamente afirmado é, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], afirmado como [[lexico:l:limite|limite]], como tendo fronteira. Só a [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] [[lexico:m:metafisica|metafísica]] de ser dá perfil ao ente, enquanto a afirmação ôntica de ser (já temos o ente) implica sua [[lexico:n:negacao|negação]] e o que o ultrapassa, porque já afirma o limite, e também o que fica [[lexico:a:alem|além]] desse limite, o outro. O modo como entitas não tem ensidade, mas tem insistência ([[lexico:s:sistencia|sistência]] em) a sua sistência, o seu sistere é em (in) outro (in alius, inaliedade). Não é um ser determinado, mas uma determinação, cuja entidade está na determinação formal atual. É ele que dá fronteiras aos entes e afirma correlativamente o que lhe é [[lexico:e:extrinseco|extrínseco]] e [[lexico:n:necessario|necessário]], não para a sua essência que é intrínseca, mas para a sua existência. Pois todo modo de ser implica um outro, [[lexico:p:ponto|ponto]] não devidamente salientado pelos modalistas, pois aquele implica, necessariamente, as fronteiras, porque o que determina, delimita; e o limite é sempre um [[lexico:c:conceito|conceito]] dialético, pois como [[lexico:h:hegel|Hegel]] nos mostrava, é limite de... e limite do outro, que não é ele. O que determina e delimita este ser é, por sua vez, o limite de tudo quanto não é ele. Desta forma a entidade modal não é apenas insistente na realidade que ela modifica, mas também é um apontar do que lhe é extrínseco, e por [[lexico:n:necessidade|necessidade]] delimitado. Ao dar-se um modo, convém ter-se precisado, em graus intensivamente maiores ou menores, as fronteiras das coisas, pois do contrário como surgiria o modo como heterogeneidade, que é da [[lexico:h:homogeneidade|homogeneidade]] do ser, e que como heterogeneidade modal afirma a positividade homogênea do ser como ser, e é ao mesmo tempo a afirmação do [[lexico:p:proprio|próprio]] ser pela sua pujança de ser sempre ser, enquanto é tudo quanto é, está, há ou tem? O ser [[lexico:f:finito|finito]] afirma-se pela [[lexico:o:oposicao|oposição]] do outro, que ontologicamente é ser e, como ser, no sentido escotista, [[lexico:u:univoco|unívoco]] quando tomado formal-ontologicamente. A positividade do ser supremo, em sua pujança infinita, afirma-se ao afirmar o outro, as modais arquetípicas, no [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] sentido pitagórico, cuja afirmação, por sua vez, implica o outro, o que não é ela, e de cujo relacionamento de contrários provoca todo o surgimento da heterogeneidade dos entes, que estão todos univocamente em sua última essência, em sua [[lexico:a:arche|arche]], afirmando o ser, que é o sustentáculo final de tudo quanto é, há, está ou tem, opera ou é operado. A positividade da entitas das modais permite acrescentar mais um ponto importante contra o [[lexico:p:panteismo|panteísmo]] e o [[lexico:m:monismo|monismo]] [[lexico:a:absoluto|absoluto]], porque se todas as coisas são ser, porque se dão no Ser Supremo, e nele têm a sua [[lexico:r:raiz|raiz]] positiva, distinguem-se porém deste, e em sua entidade têm [[lexico:e:existencia-e-essencia|existência e essência]] separadas, o que não permite cair nas formas brutais do panteísmo. O modo tem uma essência e uma existência proporcionada à sua entidade distinta da do [[lexico:s:sujeito|sujeito]] ao qual modifica. Essa distinção é menor que a real (para nós real-real), mas é ex natura rei e não só conceptual (mental). É ser tudo quanto se dá fora do nada. O modo tem ser, portanto entitas, sem qualquer [[lexico:s:separacao|separação]] [[lexico:f:fisica|física]] da entidade que ele modifica. São os modos determinações e implicam outras determinações atuais, que lhes servem de fronteiras, a par das determinações substanciais e essenciais, que se distinguem dos modos, que não são determinativos, mas determinações. Por isso nunca o modo está em potência pois é uma determinação atual, o que o diferencia radicalmente de quaisquer outras realidades. A inerência não se dá sem a razão formal de inerir, e sem o exercício atual da inesão, por isso a inerência é modal, como o exemplifica Suarez. É o modo assim a atual modificação da entidade modificada. Não há [[lexico:t:tautologia|tautologia]] aqui, porque a [[lexico:e:explicacao|explicação]] que antecede ausenta de [[lexico:f:forca|força]] a tal afirmativa, já que o modo é uma maneira de haver-se da entidade em seu pleno exercício atual. Surgimento dos modos - Não surgem por [[lexico:c:criacao|criação]], mas por educção ou coeducção, pelas coordenadas cooperacionais, que constituem os entes, pois há ontológica dependência do ser e do fazer-se. Sua [[lexico:o:origem|origem]] é portanto por educção ( de ducere, conduzir), variável, gradativa e vária. Essa educção é ofieri (devir) [[lexico:p:processo|processo]] vial ontológico, cuja transitividade nas modais é a modificação, e que implica os termos [[lexico:a:a-quo|a quo]] e [[lexico:a:ad-quem|ad quem]] porque a educção tem seu termo no educido modificado, como o movimento, por exemplo, que é um fazer-se do sujeito, ontologicamente considerado (e não tomado aqui em sentido [[lexico:p:psicologico|psicológico]]). O movimento é assim a própria educção, assim como a produção é a própria ação formal e última do produzido. São os modos maneiras reais de ser e estão no âmbito do ser.