===== TEORIA DOS OBJETOS ===== (ai [[lexico:g:gegenstandstheorie|Gegenstandstheorie]]). Foi assim que A. [[lexico:m:meinong|Meinong]] chamou a [[lexico:c:ciencia|ciência]] que considera os objetos como objetos sem levar em conta suas especificações ([[lexico:r:realidade|realidade]] ou irrealidade, etc). Essa ciência [[lexico:n:nao|não]] é a [[lexico:m:metafisica|metafísica]] no [[lexico:s:sentido|sentido]] tradicional porque esta considera a [[lexico:t:totalidade|totalidade]] dos objetos existentes, que são apenas uma pequena [[lexico:p:parte|parte]] dos objetos possíveis (cf. Über Annahmen, 1902; Gegenstandstheorie, 1904; Zur Grundlegung der allgemeinen Werththeorie, 1923) (v. [[lexico:o:objetivo|objetivo]]; [[lexico:o:objeto|objeto]]). A chamada ‘[[lexico:t:teoria-dos-objetos|teoria dos objetos]]’ tem sua [[lexico:o:origem|origem]] na [[lexico:o:obra|obra]] de Alexius von Meinong, um dos impulsionadores do [[lexico:g:gestaltismo|gestaltismo]]. Para Meinong a realidade aparece imediatamente ao [[lexico:h:homem|homem]] sob a [[lexico:f:forma|forma]] de fenômenos, isto é, de objetos. "Objeto é tudo o que pode [[lexico:s:ser|ser]] apontado pelo [[lexico:p:pensar|pensar]] [[lexico:d:descritivo|descritivo]] e [[lexico:i:intencional|intencional]] (...); ‘objeto’ é tudo o que pode ser [[lexico:s:sujeito|sujeito]] de um [[lexico:j:juizo|juízo]], sem importar para o caso que o objeto seja [[lexico:r:real|real]] ou [[lexico:i:ideal|ideal]], [[lexico:p:possivel|possível]] ou [[lexico:i:impossivel|impossível]], existente ou imaginário". As diversas modalidades de aparecimento do objeto são dadas no [[lexico:a:ambiente|ambiente]] [[lexico:h:humano|humano]]. O homem visa intencionalmente seus objetos de [[lexico:m:modo|modo]] distinto dos animais. O ambiente não deve ser entendido em seu sentido tradicional, isto é, como algo ‘[[lexico:e:externo|externo]]’ ao homem e que irá determiná-lo de modo decisivo: "Pensamos em nossos organismos como nós mesmos e em ambiente (environment) como aquilo que está fora de nós". Ambiente é o [[lexico:m:mundo|mundo]] circundante ([[lexico:u:umwelt|Umwelt]]) que o homem (e também os animais) cria sob determinadas condições, já que ele significa o mundo de [[lexico:a:acordo|acordo]] com um [[lexico:p:plano|plano]] determinado de organização. A Umwelt humana é dada no contexto de urna [[lexico:c:cultura|cultura]], ou melhor ainda, numa [[lexico:s:situacao|situação]] cultural. Para a [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]] da [[lexico:t:teoria|teoria]] dos objetos o homem tem uma [[lexico:r:relacao|relação]] circular com a cultura. Desde que nasce ele é determinado por sua cultura, mas esta [[lexico:d:determinacao|determinação]] seria mútua, pois ele cria dentro da cultura as mesmas formas que irão condicionar outros homens. O homem recebe significados culturais mas elabora-os em [[lexico:f:funcao|função]] de novos significados. Dentro da chamada "[[lexico:s:sociedade|sociedade]] industrial", caracterizada fenomenologicamente por seu alto nível de produção e consumo, os objetos serão marcados por esta mesma [[lexico:e:estrutura|estrutura]]. O homem é orientado no sentido de consumir objetos que terão características determinadas. Moles mostra como o objeto portador de forma é uma [[lexico:m:mensagem|mensagem]] [[lexico:i:independente|independente]] de sua materialidade. Através da serialização dos objetos (diversamente do [[lexico:a:artesanato|artesanato]], onde há produção de objetos únicos) o [[lexico:i:individuo|indivíduo]] é levado a participar de sua cultura. Por um lado o consumo de objetos significa efetivamente na [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] de seu [[lexico:s:status|status]] [[lexico:s:social|social]]. Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, a [[lexico:a:apreensao|apreensão]] de sua cultura (entendida aqui como conjunto de dados objetivos imediatamente postos diante da [[lexico:p:percepcao|percepção]]) é feita através destes mesmos objetos e de seu manuseio. É através da [[lexico:m:mediacao|mediação]] dos objetos que o indivíduo pertencente à sociedade industrial pode estabelecer uma [[lexico:c:comunicacao|comunicação]] ótima com o outro. Para ser caracterizado como tal, o objeto deve se manter num certo [[lexico:l:limite|limite]] de tamanho e [[lexico:p:peso|peso]]. Um navio não é um objeto, mas uma lancha pode sê-lo; um cachorro é um objeto enquanto a ameba não o é. [[lexico:a:alem|Além]] disto, os objetos não se apresentam sob forma [[lexico:s:simples|simples]]. 1) São feitos para serem logo substituídos por outros e 2) constituem-se em séries com determinações que podem ser estudadas até matematicamente. 1) Tome-se o caso do disco, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]]. Do disco de madeira ao de acetato poder-se-ia pensar que pouco mudou. A maior variação de rotação e a [[lexico:r:reproducao|reprodução]] mais fiel do som seriam as mudanças mais visíveis Mas não é apenas isto. Se se toma o [[lexico:p:problema|problema]] dos aparelhos reprodutores, vê-se que o status do indivíduo não está ligado apenas à [[lexico:p:posse|posse]] de um aparelho que reproduza melhor o som mas também ao seu "[[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]" deste aparelho (o "conhecimento" não sendo uma [[lexico:c:categoria|categoria]] [[lexico:t:tecnica|técnica]], ou científica mas o domínio de uma certa [[lexico:l:linguagem|linguagem]] corrente). No plano do disco vê-se que a variedade de consumo é exigida permanente e plenamente pelas "paradas de [[lexico:s:sucesso|sucesso]]" e pelos "disc-jóqueis", o que importa em substituições. O mesmo se dá com a [[lexico:m:musica|música]] erudita (talvez com tonalidades psicológicas distintas, já que seria impossível na chamada música popular uma [[lexico:d:discussao|discussão]] pedante e improcedente sobre as [[lexico:v:virtudes|virtudes]] de um Furtwaengler e de um Karajan num linguajar que [[lexico:n:nada|nada]] tem a [[lexico:v:ver|ver]] com as potencialidades que uma obra de Beethoven, por exemplo, oferece a ambos), com o aparecimento de "divas" de toda [[lexico:n:natureza|natureza]]. Além destes aspectos, ver-se-ia que apareceu a "música [[lexico:f:funcional|funcional]]" para os locais de [[lexico:t:trabalho|trabalho]], os aparelhos toca-tape ou os reprodutores de fitas e que abrem outras possibilidades à [[lexico:a:audicao|audição]] da música. 2) Tome-se o caso de um super-mercado com auto-serviço. Alguns incorrem no [[lexico:e:erro|erro]] comercial de expor juntos o conhaque "Palhinha" e o "Courvoisier". Erro, pois pertencem a "famílias" distintas, eliminando-se mutuamente. O "Courvoisier" tem um "parentesco" com o salmão defumado ou a sardinha portuguesa, enquanto o "Palhinha" é "parente" da sardinha brasileira e da linguiça mineira. Em resumo: a sociedade industrial exige o consumo, que é feito em grande parte através dos "objetos". Os objetos constituem-se em famílias e à [[lexico:m:medida|medida]] em que um objeto se constitui ele determina outro (o aparecimento de fascículos sobre [[lexico:a:arte|arte]] ou [[lexico:h:historia|história]] da segunda [[lexico:g:guerra|guerra]], por exemplo, implicam em seu colecionamento em encadernações especiais). Os objetos são perecíveis e varia apenas sua [[lexico:d:duracao|duração]]. O indivíduo é condicionado [[lexico:a:a-se|a se]] relacionar de determinados modos com os objetos (desejar, prezar, habituar, manter, substituir, modificar etc.) e nesta relação se coloca em [[lexico:j:jogo|jogo]] sua função e papel sociais. O objeto não é apenas funcional, situado na [[lexico:e:esfera|esfera]] de um consumo direto, mas situa-se também na esfera [[lexico:e:estetica|estética]]. Vende-se a função mas sempre sobre-acrescentada de suas emoções. (Chaim Katz - [[lexico:d:dcc|DCC]]).