===== TEORIA DO SER ===== Que significa a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] "[[lexico:o:ontologia:start|ontologia]]"? A palavra "ontologia" significa "[[lexico:t:teoria-do-ser:start|teoria do ser]]". Mas esta [[lexico:s:significacao:start|significação]] [[lexico:n:nao:start|não]] é absolutamente exata em rigor. Ontologia, em rigor, não significa "[[lexico:t:teoria:start|teoria]] do [[lexico:s:ser:start|ser]]", porque está formada não pelo [[lexico:v:verbo:start|verbo]] "ser" [[lexico:g:grego:start|grego]], no [[lexico:i:infinito:start|infinito]], mas pelo particípio presente desse verbo. Está formada pelo genitivo ontos, que é o genitivo de to on; o genitivo tou ontos não significa ser, mas significa o [[lexico:e:ente:start|ente]], no particípio presente. Por conseguinte, a rigor, ontologia significa teoria do ente e não teoria do ser; e há uma [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] notável entre teoria do ser e teoria do ente. A palavra "ser", o verbo"ser" tem uma [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] muito grande de [[lexico:s:significacoes:start|significações]]. É extraordinariamente multívoca; tem uma grande variedade de sentidos; e já [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] dizia que o ser se predica de muitas maneiras. Dentre outras, acabamos de encontrar essa [[lexico:d:distincao:start|distinção]] entre o ser em [[lexico:g:geral:start|geral]] e o ente. O ser em geral será aquilo que todos os entes têm de comum, enquanto que o ente é aquele que é, aquele que tem o ser. De outra [[lexico:p:parte:start|parte]], o ser será aquilo que o ente tem e que o faz ser ente. Haverá, pois, que [[lexico:e:estar:start|estar]] predisposto a encontrar significações muito variadas dentro do [[lexico:c:conceito:start|conceito]] "ser"; não somente estas duas que já o [[lexico:s:simples:start|simples]] exame filológico da palavra nos fez descobrir, mas outras muitas e muito distintas. Ontologia será tudo isto. Será teoria do ente, tentativa de classificar os entes, tentativa de definir a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] de cada ente, de cada [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de ente; e será também teoria do ser em geral, daquilo que todos os entes têm de comum, daquilo que os classifica como entes. **Dois métodos.** Para chegar pouco a pouco e lentamente ao [[lexico:c:coracao:start|coração]] mesmo da ontologia, que métodos vamos seguir? Oferecem-se-nos dois. Oferece-se-nos, em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], o [[lexico:m:metodo:start|método]] da [[lexico:a:analise:start|análise]] [[lexico:d:dialetica:start|dialética]] da [[lexico:n:nocao:start|noção]] mesma de ser. Poderíamos tomar a [[lexico:n:nocao-de-ser:start|noção de ser]], dirigir a ela nossa [[lexico:a:atencao:start|atenção]] e ir separando, por análise dialética, as diferentes significações da noção para compará-las intuitivamente com o conjunto da [[lexico:r:realidade:start|realidade]] e [[lexico:v:ver:start|ver]] até que [[lexico:p:ponto:start|ponto]], como e em que [[lexico:s:sentido:start|sentido]], cada uma das distintas significações da noção de ser tem [[lexico:d:direito:start|direito]] legítimo e possui algum sentido e não é simplesmente uma palavra. Poderemos, pois, seguir [[lexico:e:esse:start|esse]] método da analise dialética que seguiu maravilhosamente e com [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] e mestria extraordinárias Aristóteles na sua [[lexico:m:metafisica:start|Metafísica]]. Num dos livros da Metafísica, justamente o livro que começa dizendo: "o ser se diz de muitas maneiras", Aristóteles vai assinalando com limpidez e perfeição os distintos sentidos em que se pode tomar o ser. Mas podemos seguir um segundo método, uma segunda via, que consistiria em colocar-nos diante da realidade, diante do ser pleno, diante do conjunto total dos seres, na [[lexico:s:situacao:start|situação]] em que a própria [[lexico:v:vida:start|vida]] nos coloca. Consistirá esse método em destacar-nos e partir de nossa vida [[lexico:a:atual:start|atual]], de nossa realidade como seres viventes, de nós mesmos tais como estamos rodeados de [[lexico:c:coisas:start|coisas]], vivendo no [[lexico:m:mundo:start|mundo]] Tal é o ponto de partida de [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]], o maior [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] que tem hoje a Alemanha. Este segundo [[lexico:c:caminho:start|caminho]] parece o mais [[lexico:a:adequado:start|adequado]] para ser seguido nestas lições. O primeiro caminho tem vantagens didáticas; tem vantagens de [[lexico:e:exposicao:start|exposição]], e até vantagens de [[lexico:a:abstracao:start|abstração]] [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]]. Ao invés, este [[lexico:o:outro:start|outro]] caminho que consiste em tomar o ponto de vista de nossa [[lexico:e:existencia:start|existência]] [[lexico:r:real:start|real]] tem vantagens precisamente existenciais; tem a [[lexico:v:vantagem:start|vantagem]] de nos colocar talvez de um [[lexico:m:modo:start|modo]] mais dramático e [[lexico:v:vivente:start|vivente]] em contacto direto com os problemas à [[lexico:m:medida:start|medida]] que eles mesmos vão surgindo à nossa passagem. VIDE [[lexico:e:estar-no-mundo:start|estar no mundo]] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}