===== TEORIA DO OBJETO ===== Do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista [[lexico:f:formal:start|formal]] denomina-se ‘[[lexico:o:objeto:start|objeto]]’ tudo [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] capaz de admitir um [[lexico:p:predicado:start|predicado]] qualquer, tudo o que pode [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] de um [[lexico:j:juizo:start|juízo]]. É, pois, a [[lexico:n:nocao:start|noção]] mais [[lexico:g:geral:start|geral]] [[lexico:p:possivel:start|possível]], já que [[lexico:n:nao:start|não]] importa que o pensado exista ou não exista: basta que se possa [[lexico:p:pensar:start|pensar]] e dizer [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] dele. A [[lexico:t:teoria-do-objeto:start|teoria do objeto]] pertence à [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]] e tem por [[lexico:f:fim:start|fim]] investigar os tipos de objetos. Esta acepção de ‘objeto’, própria de várias filosofias atuais nas quais a noção de ‘[[lexico:i:intencionalidade:start|intencionalidade]]’ — isto é, que afirmam que é [[lexico:p:proprio:start|próprio]] do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] "tender a", "aplicar-se a", pois a peculiaridade da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] é "ser consciência de alguma [[lexico:c:coisa:start|coisa]]" —, se deve a [[lexico:m:meinong:start|Meinong]] e [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] que, ao definirem o objeto como "o que pode ser sujeito de um juízo", transformaram-no no suporte [[lexico:l:logico:start|lógico]] expresso gramaticalmente no vocábulo ‘sujeito’, em tudo o que é susceptível de receber uma [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] e, em última [[lexico:i:instancia:start|instância]], em tudo que é ou vale de alguma [[lexico:f:forma:start|forma]]. Assim, ‘objeto’ equivale a ‘conteúdo [[lexico:i:intencional:start|intencional]]’, não sendo pois alguma coisa que tenha necessariamente uma [[lexico:e:existencia:start|existência]] [[lexico:r:real:start|real]], porquanto o objeto pode ser real ou [[lexico:i:ideal:start|ideal]], pode ser ou valer. Em [[lexico:s:suma:start|suma]]: [[lexico:t:todo:start|todo]] conteúdo intencional — ou, no vocabulário tradicional, todo conteúdo de um [[lexico:a:ato:start|ato]] [[lexico:r:representativo:start|representativo]] — é, neste caso, um objeto. Formulada a [[lexico:d:definicao:start|definição]] de ‘objeto’ como sujeito de um juízo, a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] do objeto se propõe investigar formalmente as diferentes espécies de objetos existentes e vincular a elas as correspondentes determinações gerais. Com isso, a teoria do objeto se converte numa [[lexico:p:parte:start|parte]] da ontologia, à qual corresponde a [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] do ser enquanto tal. Consequentemente, a ontologia está situada num [[lexico:p:plano:start|plano]] [[lexico:s:superior:start|superior]] à teoria do objeto; como ontologia geral responde à [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]] pelas determinações do ser e forma parte, portanto, da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] como investigação do em si; como ontologia regional verifica as determinações gerais que correspondem a um dos tipos do ser. Deste [[lexico:m:modo:start|modo]] a ontologia regional fica vinculada à teoria do objeto, não obstante tal vínculo [[lexico:t:ter:start|ter]] sido posto em [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], já que é [[lexico:p:provavel:start|provável]] que a teoria do objeto, enquanto teoria de todos os conteúdos objetivos efetivos e possíveis, coincida, em grande parte, com as notas que caracterizam as ontologias regionais do ser real e do ser ideal. De [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com as investigações realizadas até o presente na teoria do objeto, os objetos são ilimitados. Todavia, tal infinitude não impede sua agrupação consoante suas notas mais gerais, ou seja, suas determinações, entendendo-se por ‘determinação’ tudo o que se pode enunciar de um objeto. Em [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] disso, a [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] dos objetos, que corresponde à totalidade da [[lexico:r:realidade:start|realidade]], pode ser cindida nos seguintes grupos: 1. Objetos reais ou objetos que possuem realidade em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:e:estrito:start|estrito]]. Neles se acham incluídos, e convenientemente determinados por suas correspondentes notas gerais, os objetos físicos e os psíquicos. As notas dos primeiros são a espacialidade e a [[lexico:t:temporalidade:start|temporalidade]]; as dos segundos, a temporalidade e a inespacialidade. Pode-se acrescentar como [[lexico:n:nota:start|nota]] comum a de [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]], entendida como uma [[lexico:i:interacao:start|interação]]. 2. Objetos ideais. Suas notas são a inespacialidade, a intemporalidade e a [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] de interação. A este [[lexico:g:grupo:start|grupo]] pertencem os objetos matemáticos e as [[lexico:r:relacoes:start|relações]] ideais. 3. Objetos axiológicos, cujo ser consiste no valer. A este grupo pertencem os valores que podem ser considerados também como objetos em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] da definição geral. 4. Objetos metafísicos, cuja [[lexico:f:funcao:start|função]] consiste, provavelmente, numa unificação dos demais grupos, pois o objeto metafísico enquanto ser em si e [[lexico:p:por-si:start|por si]] ou [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] contém necessariamente, como [[lexico:e:elementos:start|elementos]] imanentes, todos os objetos tratados pelas ontologias regionais. Claro está que esta [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] não é a única possível, ainda que seja, sem dúvida, bastante adequada para uma introdução à teoria do objeto. Ao lado dessa classificação, que foi popularizada por Aloys Müller, perfila a proposta por Roman Ingarden, também de inspiração fenomenológica, na qual são consideradas as seguintes esferas de [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]]: 1. Objetos chamados ideais, existentes fora do [[lexico:t:tempo:start|tempo]] e compreendendo: a) objetos individuais, como cada um dos triângulos congruentes em sentido geométrico; b) [[lexico:i:ideias:start|ideias]] especiais e gerais, como o [[lexico:t:triangulo:start|triângulo]] ou a [[lexico:f:figura:start|figura]] geométrica em geral, a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] do [[lexico:h:homem:start|homem]] etc; c) qualidades ideais ou [[lexico:e:essencias:start|essências]], como o vermelho, a coloração etc; d) [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] ideais, como o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de homem. 2. Objetos individuais em sentido originário, isto é, objetos determinados pelo tempo e, de modo concomitante, ontologicamente autônomos, isto é, imanentes. 3. Objetividades determinadas pela temporalidade e pertencentes a uma [[lexico:o:ordem:start|ordem]] superior que, sendo ainda indivíduos, pressupõem como [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] de seu ser e de seu [[lexico:s:subsistir:start|subsistir]] objetos individuais em sentido originário e representam uma construção deles, isto é, objetividades do [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de uma [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] ou [[lexico:f:familia:start|família]] determinadas, um [[lexico:e:estado:start|Estado]] ou uma [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]] determinados etc 4. Objetos puramente intencionais, referidos a atos de consciência; portanto, objetividades ontologicamente heterônomas, tais como obras literárias, sistemas jurídicos, etc. Bertrand [[lexico:r:russell:start|Russell]] assinala, por sua vez, que todo objeto de um pensamento é essencialmente um [[lexico:t:termo:start|termo]] e que este termo pode ser ou uma coisa ou um conceito. Whitehead apresenta uma classificação dos objetos segundo a qual existem: 1. Objetos dos sentidos, ou seja, a mais [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:p:permanencia:start|permanência]] que traçamos como idêntica a si mesma em acontecimentos externos, tais como a cor, a sombra etc. 2. Objetos perceptuais ou objetos ordinários da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] comum, chamados também possibilidades permanentes de [[lexico:s:sensacao:start|sensação]]. 3. Objetos científicos, os quais surgem da determinação dos [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] dos acontecimentos ativos condicionantes, que são fatores essenciais no [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] de objetos dos sentidos (como os eléctrons). Finalmente, Martin Honecker apresenta uma classificação dos objetos baseada nas teorias de Meinong e que, de acordo com ela, há, por um lado, os objetos (por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], a mesa) e por [[lexico:o:outro:start|outro]] os fatos objetivos (por exemplo, a redondez da mesa). A [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre uns e outros consiste em que enquanto os primeiros "estão em" os segundos "pertencem a" os primeiros. Por sua vez, os objetos se dividem em objetos concretos (por exemplo, uma árvore), objetos fenomênicos (por exemplo, os fenômenos de consciência) e os objetos gerais (por exemplo, os números, os gêneros). E os fatos objetivos se dividem em fatos objetivos afirmados de um objeto e fatos objetivos afirmados de dois ou mais objetos. Estes últimos são as relações (entendidas por Honecker de um ponto de vista [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]]). Nestas classificações e doutrinas verifica-se que os objetos são sempre, e invariavelmente, conteúdos intencionais, permitindo-se assim que eles fossem chamados também "referentes", "entidades" às quais se referem os [[lexico:s:simbolos:start|símbolos]], como advertem Ogden e Richards. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}