===== TEORIA DA LINGUAGEM ===== O vocábulo ‘[[lexico:l:linguagem:start|linguagem]]’ designa [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:s:sistema:start|sistema]] de signos, [[lexico:s:simbolos:start|símbolos]] ou sinais, o mais das vezes artificiais e convencionais, e a utilização desse sistema de signos consoante determinadas regras, assim como as formas históricas e socialmente condicionadas da [[lexico:f:funcao:start|função]] do [[lexico:f:falar:start|falar]]. Dentro de toda [[lexico:l:lingua:start|língua]] é preciso distinguir: a) a [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] de signos e formas de que se pode servir aquele que [[lexico:f:fala:start|fala]] (o "falável"); b) a realização do [[lexico:a:ato:start|ato]] de falar; c) a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] produzida e ouvida (o "ralado"). Em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] originário ‘linguagem’ é a [[lexico:r:representacao:start|representação]] de [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] por [[lexico:m:meio:start|meio]] de sons e só existe ao [[lexico:s:ser:start|ser]] pronunciada. Enquanto a representação gráfica imita o [[lexico:o:objeto:start|objeto]] [[lexico:s:significado:start|significado]] em sua [[lexico:f:forma:start|forma]] [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] e é, em [[lexico:c:consequencia:start|consequência]], imediatamente compreendida por qualquer contemplador, a linguagem faz presente [[lexico:n:nao:start|não]] o objeto, mas o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] e (em sua forma desenvolvida) não copiando-o, mas mediante um [[lexico:s:signo:start|signo]], [[lexico:s:sinal:start|sinal]] ou [[lexico:s:simbolo:start|símbolo]] que o substitui. Daí, só é compreendido por [[lexico:q:quem:start|quem]] conhece a [[lexico:s:significacao:start|significação]] do signo, sinal ou símbolo. A primeira forma fonética fundamental é a sílaba; a primeira forma fundamental de signo linguístico dotado de significação é a palavra; a primeira forma fundamental da própria linguagem é a oração. Somente nesta se exprime um pensamento completo. As linguagens se dividem em naturais e artificiais. As linguagens naturais são as produzidas no curso da [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] psicológica e histórica, como, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], a grega, a portuguesa etc. As linguagens artificiais são construídas de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com certas regras formais, como, por exemplo, a linguagem [[lexico:m:matematica:start|matemática]]. As linguagens se dividem ainda em cognoscitivas e emotivas, sendo as primeiras às vezes chamadas indicativas, enunciativas, referenciais e simbólicas, enquanto as segundas foram chamadas também evocativas. As linguagens cognoscitivas são as que enunciam se [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] é ou não, se uma [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] é verdadeira ou falsa. As linguagens emotivas expressam simplesmente o acontecer [[lexico:p:psiquico:start|psíquico]] de um [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] e por isso não se pode dizer de suas proposições que sejam verdadeiras ou falsas, como, por exemplo, as linguagens das ciências. Exemplos de linguagens emotivas são as linguagens poéticas. Finalmente, as linguagens podem ser reversíveis e irreversíveis. As linguagens reversíveis são as que estão compostas de expressões cuja [[lexico:o:ordem:start|ordem]] de [[lexico:e:elementos:start|elementos]] pode ser alterada sem que se modifique a significação da [[lexico:e:expressao:start|expressão]]. As linguagens irreversíveis são as que estão compostas de expressões cuja ordem de elementos não pode ser alterada sem que se modifique a significação da expressão. Exemplo de linguagens irreversíveis são as linguagens científicas; exemplo de linguagem [[lexico:r:reversivel:start|reversível]] é a linguagem poética. Posto isto, é perfeitamente aceitável a [[lexico:d:definicao:start|definição]] de ‘linguagem’ proposta por Edward Sapir: "A linguagem é um [[lexico:m:metodo:start|método]] exclusivamente [[lexico:h:humano:start|humano]], e não instintivo, de comunicar [[lexico:i:ideias:start|ideias]], emoções e desejos por meio de um sistema de símbolos produzidos de maneira deliberada. Estes símbolos são antes de tudo auditivos, e são produzidos pelos chamados ‘órgãos da fala’". Dessa definição defluem dois problemas: a) seria [[lexico:p:possivel:start|possível]] o pensamento sem a fala? b) a fala e o pensamento não seriam duas facetas de um mesmo [[lexico:p:processo:start|processo]] psíquico? A solução desses problemas seria menos difícil se em torno deles não existissem tantos equívocos. Em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], convém observar que, independentemente de se o pensamento exige ou não o [[lexico:s:simbolismo:start|simbolismo]] (isto é, a fala), o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] caudal da linguagem nem sempre é um indicador de pensamento. O [[lexico:f:fato:start|fato]] de o [[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:t:tipico:start|típico]] linguístico servir de rótulo a um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] não quer dizer que os usos a que se destina a linguagem sejam sempre conceituais, nem que o sejam de maneira predominante. Na [[lexico:v:vida:start|vida]] ordinária não nos interessamos tanto pelos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] enquanto tais, senão antes por particularidades concretas e [[lexico:r:relacoes:start|relações]] determinadas. Por exemplo, quando se diz: "esta manhã tomei uma excelente parva", é evidente que não se sentem os esforços de um pensamento laborioso e o que se comunica a quem ouve não passa de uma lembrança agradável, traduzida simbolicamente seguindo os biná-rios de uma expressão habitual. Cada um dos elementos da [[lexico:f:frase:start|frase]] citada define um conceito separado, ou uma [[lexico:r:relacao:start|relação]] conceituai separada, ou as duas [[lexico:c:coisas:start|coisas]] juntas, mas a frase em si mesma não tem a menor significação conceituai. Assim, a única constante que existe na linguagem é sua forma externa, sendo o pensamento — do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista linguístico — o mais elevado dos conteúdos latentes ou potenciais da fala, o conteúdo ao qual podemos chegar quando nos esforçamos por cingir a cada um dos elementos do caudal linguístico seu pleno e [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] [[lexico:v:valor:start|valor]] conceituai. Disso se segue imediatamente que a linguagem e o pensamento, em sentido [[lexico:e:estrito:start|estrito]], não são coexistentes. No máximo, a linguagem pode ser apenas a faceta [[lexico:e:exterior:start|exterior]] do pensamento no nível mais elevado, mais generalizado, da expressão [[lexico:s:simbolica:start|simbólica]]. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], a linguagem é um sistema de signos que nos serve para comunicar nossas ideias, evocando na [[lexico:m:mente:start|mente]] de outrem as imagens conceituais das coisas que se formam em nossa própria mente. A palavra não nos transmite a [[lexico:c:coisa:start|coisa]], mas a [[lexico:i:imagem:start|imagem]] da coisa. Resulta daí que o signo linguístico é uma [[lexico:a:associacao:start|associação]] de duas imagens mentais, uma forma acústica significante ou [[lexico:n:nome:start|nome]], e um conceito significado ou sentido. Consoante Pierre Guiraud, "esta associação é um processo psíquico, bipolar e [[lexico:r:reciproco:start|recíproco]], já que o [[lexico:h:homem:start|homem]] evoca o sentido e o sentido evoca o homem. A associação significante é convencional, resultante que é de um acordo entre aqueles que empregam a linguagem". {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}