===== TEORIA DA ASSIMILAÇÃO ===== A organização biológica e seu funcionamento são prolongados pelo funcionamento da [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] que, por sua vez, é uma [[lexico:a:atividade:start|atividade]] organizadora que ultrapassa qualitativamente o [[lexico:c:campo:start|campo]] biológico, pela elaboração e construção de novos esquemas, que atendam às necessidades humanas. Verifica [[lexico:p:piaget:start|Piaget]] que, se as estruturas sucessivas devidas à atividade intelectual diferem entre si qualitativamente, obedecem, no entanto, às mesmas leis funcionais. Assim como há uma inteligência sensório-motriz ao lado de uma inteligência intelectual, propriamente dita, e de uma afetiva, podem [[lexico:s:ser:start|ser]] comparadas entre si, sobretudo a sensório-motriz com a intelectual, refletida, [[lexico:r:racional:start|racional]]. Essa comparação aclara a [[lexico:a:analise:start|análise]] que se possa fazer dos dois termos extremos. O ser vivo, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], assimila o [[lexico:u:universo:start|universo]], o [[lexico:m:meio:start|meio]] e, ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]], a ele se acomoda; que são os períodos da [[lexico:a:adaptacao:start|adaptação]] biológica. Tudo quanto responde à [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] do [[lexico:o:organismo:start|organismo]] é [[lexico:m:materia:start|matéria]] de [[lexico:a:assimilacao:start|assimilação]], e a própria necessidade é [[lexico:e:expressao:start|expressão]] da atividade assimiladora. Já o inorgânico [[lexico:n:nao:start|não]] se adapta ao meio, mas se equilibra com o universo. E em nós ativa-se e revela-se através de nossas [[lexico:a:acoes:start|ações]], que buscam o equilíbrio de nossa atividade, de nossas forças. A assimilação é a incorporação de uma [[lexico:r:realidade:start|realidade]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]] qualquer a uma ou a outra [[lexico:p:parte:start|parte]] do ciclo da organização. Tudo o que responde a uma necessidade do organismo é matéria de assimilação; a própria necessidade é a atividade assimiladora como afirma Piaget. Quanto às pressões exercidas pelo meio, sem que respondam a nenhuma necessidade, não dão [[lexico:l:lugar:start|lugar]] à assimilação, enquanto o organismo não se adaptou a elas, mas como a adaptação consiste precisamente em transformar os constrangimentos em necessidade, tudo pode prestar-se a ser assimilado. Partindo dessas premissas, Piaget mostra-nos que as funções de [[lexico:r:relacao:start|relação]] são, independentemente da [[lexico:v:vida-psiquica:start|vida psíquica]] que delas procede, fontes duplas da assimilação: a) servem à assimilação [[lexico:g:geral:start|geral]] do organismo, por ser o seu exercício indispensável à [[lexico:v:vida:start|vida]]; b) mas cada uma assimilação é [[lexico:p:particular:start|particular]], pois [[lexico:e:esse:start|esse]] exercício é sempre [[lexico:r:relativo:start|relativo]] a uma [[lexico:s:serie:start|série]] de condições exteriores que lhes são especiais. E nesse contexto é que nasce a vida psicológica. O [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] da inteligência prolonga esse [[lexico:m:mecanismo:start|mecanismo]], em vez de contradize-lo. Colocado no campo da intelectualidade, na polarização da [[lexico:r:racionalidade:start|racionalidade]], a acomodação é a "[[lexico:e:experiencia:start|experiência]]" , a assimilação, o [[lexico:a:ato-do-juizo:start|ato do juízo]] enquanto une os conteúdos experimentais à [[lexico:f:forma:start|forma]] [[lexico:l:logica:start|lógica]]. Consequentemente julgar não é identificar, [[lexico:c:como-se:start|como se]] diz em geral, é assimilar; é incorporar um [[lexico:d:dado:start|dado]] novo num [[lexico:e:esquema:start|esquema]] anterior, num [[lexico:s:sistema:start|sistema]] já elaborado de implicações. Dessa forma a assimilação racional supõe sempre uma organização prévia. Mas de onde vem essa organização? Da própria assimilação, pois qualquer [[lexico:c:conceito:start|conceito]] e qualquer relação exigem um [[lexico:j:juizo:start|juízo]] para constituir-se. Se a interdependência dos juízos e dos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] demonstra assim a da assimilação e da própria organização, ela sublinha, ao mesmo tempo, a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] dessa interdependência; o juízo assimilador é o [[lexico:e:elemento:start|elemento]] ativo do [[lexico:p:processo:start|processo]], cujo conceito organizador é o resultado. Na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que o [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] novo assemelha-se ao antigo, afirma Piaget, há recognição e, na medida em que difere, há [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] do esquema e acomodação. Não se dá assim incorporação na assimilação racional como se dá na biológica. O [[lexico:p:progresso:start|progresso]] da acomodação marca a [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]] crescente dos esquemas de assimilação. Os objetos são assimilados por diversos esquemas ao mesmo tempo. Mesmo sem coordenação com outros esquemas, cada um deles dá lugar a diferenciações espontâneas, mas permanecem pouco importantes, e é a infinita variedade das combinações possíveis entre esquemas que é o grande fator de [[lexico:d:diferenciacao:start|diferenciação]]. O progresso da acomodação é correlativo ao da assimilação. E é na medida em que a coordenação dos esquemas impulsiona o [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] a interessar-se pela e na [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] do [[lexico:r:real:start|real]], que a acomodação diferencia os esquemas, e não em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] de uma [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] à acomodação. "Essa coordenação e essa diferenciação dos esquemas são eficientes para dar conta da [[lexico:o:objetivacao:start|objetivação]] crescente da assimilação, sem que seja [[lexico:n:necessario:start|necessário]] romper a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] desse processo para [[lexico:e:explicar:start|explicar]] a passagem da incorporação egocêntrica dos indícios ao juízo propriamente [[lexico:d:dito:start|dito]]". (Piaget) A experiência não é recepção simplesmente passiva; é acomodação ativa, correlativa à assimilação. Dessa forma, a inteligência é construção de [[lexico:r:relacoes:start|relações]] e não somente identificação; a elaboração dos esquemas implica tanto uma lógica de relações como uma lógica de classes. A coordenação dos esquemas de assimilação favorece o progresso da acomodação e reciprocamente. No [[lexico:p:plano:start|plano]] sensório-motriz, a inteligência supõe uma [[lexico:u:uniao:start|união]] sempre estreita da experiência e da [[lexico:d:deducao:start|dedução]], união da qual o rigor e a fecundidade da [[lexico:r:razao:start|razão]] serão um dia o duplo [[lexico:p:produto:start|produto]]. A rigor, as operações não resultam necessariamente da identificação, mas de sua [[lexico:r:reciprocidade:start|reciprocidade]] geral; a assimilação recíproca, que dá conta da coordenação dos esquemas, é o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida dessa reversibilidade das operações a qual, em todos os níveis, aparece como o [[lexico:c:criterio:start|critério]] do rigor e da [[lexico:c:coerencia:start|coerência]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}