===== TEORIA ARISTOTÉLICA DO CONHECIMENTO ===== Desta maneira se nos apresenta o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] como um imenso, magnífico conjunto [[lexico:s:sistematico:start|sistemático]]. O mundo está perfeitamente sistematizado; o mundo [[lexico:n:nao:start|não]] deixa nenhum resquício a [[lexico:n:nada:start|nada]] [[lexico:i:irracional:start|irracional]], a nada incompreensível. Tudo nele é explicável por [[lexico:e:essencia:start|essência]] e por [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]; [[lexico:t:todo:start|todo]] ele está jorrando [[lexico:r:razao:start|razão]]. É um magnífico conjunto sistemático de [[lexico:s:substancias:start|substâncias]], cada uma das quais tem sua essência, e nós podemos conhecer essas substâncias e essas [[lexico:e:essencias:start|essências]]. Podemos "conhecer", quer dizer, que Aristóteles tem logo após a [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] uma [[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]] que se ajusta perfeitamente a esta metafísica teleológica, finalista. A [[lexico:t:teoria:start|teoria]] do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] é de uma simplicidade extraordinária. Reflete essa mesma [[lexico:e:estrutura-da-substancia:start|estrutura da substância]]. Para Aristóteles, conhecer significa duas [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. Conhecer significa primeiramente formar [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]], quer dizer, chegar a constituir em nossa [[lexico:m:mente:start|mente]] um conjunto de notas características para cada uma das essências que se realizam na [[lexico:s:substancia:start|substância]] individual. Os processos de [[lexico:a:abstracao:start|abstração]] e de [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] que sobre o material da [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] realizamos conduzem-nos à [[lexico:f:formacao:start|formação]] de um arsenal de conceitos. [[lexico:s:saber:start|saber]] é [[lexico:t:ter:start|ter]] muitos conceitos. [[lexico:q:quem:start|quem]] mais sabe é aquele que tem mais logoi na [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]], na mente. Quanto mais tiver, mais saberá. Porém, conhecer significa, em segundo [[lexico:l:lugar:start|lugar]], isto também: aplicar esses conceitos que formamos a cada [[lexico:c:coisa:start|coisa]] individual; colocar cada coisa individual sob o [[lexico:c:conceito:start|conceito]], chegar à [[lexico:n:natureza:start|natureza]], contemplar a substância, olhá-la e voltar logo para dentro de nós mesmos para procurar no arsenal de conceitos aquele conceito que se ajusta [[lexico:b:bem:start|Bem]] a essa singularíssima substância, e formular o [[lexico:j:juizo:start|juízo]]: este é cavalo. E acabou já o saber, porque o saber não consiste, como hoje para nós, em descobrir a [[lexico:l:lei:start|lei]] da [[lexico:s:sucessao:start|sucessão]] dos fenômenos no [[lexico:t:tempo:start|tempo]]. Não consiste em [[lexico:e:explicar:start|explicar]] por [[lexico:c:causas:start|causas]] antecedentes no tempo, não; mas antes consiste em colocar cada substancia sob seu conceito correspondente: primeiro, formando o conceito, e logo, aplicando-o. Em [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] lugar, conhecer significa embaralhar entre si esses diversos juízos em [[lexico:f:forma:start|forma]] de raciocínios que nos permitam concluir, chegar à conclusão acerca de substâncias que não temos presente. Desta maneira, e em sucessão ordenada, uma formação de conceitos, uma colocação dos indivíduos sob os conceitos e [ raciocínios que nos permitam ver, determinar as substâncias que não temos na nossa experiência imediata, tal é o conhecimento em geral para Aristóteles. Como se vê, ajusta-se perfeitamente esta teoria do conhecimento a esta metafísica classificadora. O universo, para Aristóteles, é uma magnífica coleção sistemática de substâncias, ordenadamente classificadas como na história natural. Por isso quando se expõe a lógica de Aristóteles, inevitavelmente tem que se buscar os exemplos na história natural; é uma magna história natural. E todas essas substâncias magnificamente classificadas estão, ademais, hierarquizadas; umas são mais amplas do que outras; e todo esse conjunto magnífico culmina na ideia suprema de Deus, que é ao mesmo tempo causa primeira e fim último de toda a realidade do mundo e do universo. Porque Deus é causa primeira, visto que Ele é o ser necessário, fundamento de qualquer outro ser contingente, e porque Ele pensando pensamentos, é quem dá a cada ser contingente sua essência, sua forma. E então cada ser é como uma realização de ideias de Deus e todos os seres vão culminar nesse pensamento puro, nesse pensamento que é Deus. O homem é um ser entre outros muitos que constituem o universo. Mas esse ser humano tem o privilégio sobre os demais seres de possuir uma faísca de pensamento, de partilhar da inteligência divina. Portanto, a finalidade do homem no mundo é clara: é realizar sua natureza; e o que constitui sua natureza, aquilo que distingue o homem de qualquer outro ser, é o pensamento. Por conseguinte, o homem deve pensar. A atividade própria do homem é pensar; o ato do homem, o ato humano por excelência é pensar. Não pensará o homem com a plenitude e a pureza, a grandeza e a totalidade com que pensa Deus; porque o homem não é Deus, e, por conseguinte, seu pensamento é imperfeito, comparado com o de Deus. Imaginemos agora Santo Tomás esforçando-se com um afã ao mesmo tempo místico e filosófico para ter uma concepção, uma ideia de em que possa consistir a bemaventurança dos bem-aventurados. Pois não fará outra coisa senão tomar do último capítulo da Ética a Nicômaco, de Aristóteles, a descrição da teoria, a descrição da contemplação. A teoria, a contemplação das essências, o pensamento, o conhecimento das essências e de Deus é a ocupação mais própria do homem. Está nesta terra limitado, constrangido pelas necessidades naturais, por aquilo que o homem tem de não homem, de animal, de pedra, de matéria. Mas Santo Tomás, quando tenta imaginar ou ver ou intuir em que deva consistir a bem-aventurança dos santos, não encontra outra atividade senão a mesma de Aristóteles: os santos são bem-aventurados porque contemplam a verdade, porque contemplam a Deus. Como Deus é pensamento puro, contemplam o pensamento puro e vivem eternamente nas zonas do puro pensar. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}