===== TEODICEIA ===== Assim termina a [[lexico:m:metafisica|metafísica]] de [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] numa aproximação à teodiceia, ao [[lexico:o:otimismo|otimismo]]. Para Leibniz o [[lexico:m:mundo|mundo]] criado por [[lexico:d:deus|Deus]], o [[lexico:u:universo|universo]] das [[lexico:m:monadas|mônadas]], é o melhor, o mais [[lexico:p:perfeito|perfeito]] dos [[lexico:m:mundos|mundos]] possíveis. Se nos pusermos a excogitar, do perito de vista da [[lexico:l:logica|lógica]] pura, verificaremos que havia um grande [[lexico:n:numero|número]], um número [[lexico:i:infinito|infinito]] de mundos possíveis, mas Deus criou o melhor dentre eles. Este [[lexico:p:principio-do-melhor|princípio do melhor]] se pode qualificar de ótimo, e a [[lexico:t:teoria|teoria]] leibniziana de que este mundo criado por Deus é o melhor dos mundos possíveis é o otimismo. Porém esta [[lexico:t:tese|tese]] do otimismo se choca com grandes dificuldades: as dificuldades inerentes ao [[lexico:m:mal|mal]] que existe no mundo. [[lexico:c:como-se|como se]] podo dizer que este mundo é o melhor dos mundos possíveis quando a cada [[lexico:m:momento|momento]] vemos os homens assassinarem-se brutalmente uns aos outros; vemos os homens morrerem de mágoa, de nojo; vemos a in [[lexico:f:felicidade|felicidade]], a [[lexico:d:dor|dor]], o [[lexico:c:choro|choro]] reinarem no mundo? Ora, que mundo melhor [[lexico:p:possivel|possível]] é este! E então, em quinhentas páginas de um livro que se chama Teodiceia ou [[lexico:j:justificacao|justificação]] de Deus, Leibniz se esforça paru mostrar que, com [[lexico:e:efeito|efeito]], existe mal no mundo; porém que este mal é um mal [[lexico:n:necessario|necessário]]. Ou seja, que dentro da concepção e [[lexico:d:definicao|definição]] do melhor mundo possível, algum mal também entra. Qualquer [[lexico:o:outro|outro]] mundo que [[lexico:n:nao|não]] fosse este, teria mais mal do que este; porque é forçoso que em qualquer mundo haja mal, e este é o mundo em que há menos mal. Não pode haver mundo sem mal, por três razões: o mal metafísico procede de que o mundo é limitado, [[lexico:f:finito|finito]], é finito e não pode deixar de [[lexico:s:ser|ser]]; o mal [[lexico:f:fisico|físico]] procede de que o mundo em sua [[lexico:a:aparencia|aparência]] fenomênica, na [[lexico:r:realidade|realidade]] de nossa [[lexico:v:vida|vida]] [[lexico:i:intuitiva|intuitiva]], é material, e n [[lexico:m:materia|matéria]] traz consigo a [[lexico:p:privacao|privação]], o defeito, o mal; e, de outra parto, o mal [[lexico:m:moral|moral]] tem que [[lexico:e:existir|existir]] também, porque é [[lexico:c:condicao|condição]] do [[lexico:b:bem|Bem]] moral. O bem moral não é senão a vitória da [[lexico:v:vontade|vontade]] moral robusta sobre a tentação e o mal. Bem, no moral, não significa mais do que triunfo sobre o mal, e para que haja bem é mister que haja mal, e, por conseguinte, o mal é a base necessária, o fundo [[lexico:o:obscuro|obscuro]] do quadro, absolutamente indispensável para que sobre ele se destaque o bem. Neste mundo o mal existe, por conseguinte, como condição para o bem, e é precisamente por isso que este é o melhor dos mundos possíveis, porque o mal que nele existe é o mínimo necessário para um máximo de bem. Assim, a metafísica de Leibniz termina nestes cânticos de otimismo [[lexico:u:universal|universal]]. Na próxima lição faremos o balanço [[lexico:g:geral|geral]] desta [[lexico:m:metafisica-leibniziana|metafísica leibniziana]] e enunciaremos um novo [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista que o [[lexico:i:idealismo|Idealismo]] adota depois de morto Leibniz.