===== TEMPO FENOMENOLÓGICO ===== Já no nível de uma primeira [[lexico:r:reducao|redução]], a [[lexico:e:estrutura|estrutura]] da [[lexico:s:subjetividade|subjetividade]] deixa [[lexico:a:aparecer|aparecer]] outra [[lexico:c:correlacao|correlação]] que [[lexico:n:nao|não]] aquela entre [[lexico:n:noese-e-noema|noese e noema]]: a [[lexico:r:relacao|relação]] entre [[lexico:f:forma|forma]] (morphé) e [[lexico:m:materia|matéria]] (hylé). Se a forma é efetivação da [[lexico:i:intencionalidade|intencionalidade]], a matéria corresponde a [[lexico:e:esse|esse]] «[[lexico:m:momento|momento]] [[lexico:r:real|real]]» do [[lexico:v:vivido|vivido]] naquilo em que reside o seu [[lexico:a:afeto|afeto]]; material, a [[lexico:c:consciencia|consciência]] o é como [[lexico:r:receptividade|receptividade]], e está aí uma das suas estruturas apriorísticas: pertence à [[lexico:e:essencia|essência]] da consciência [[lexico:s:ser|ser]] afetada como lhe pertence ser aberta o [[lexico:o:objetivo|objetivo]]. Ora a forma [[lexico:u:universal|universal]] desta [[lexico:a:afeccao|afecção]] é auto-afecção e ela oferece a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] apriorística de qualquer [[lexico:g:genese|gênese]]: é a do [[lexico:t:tempo|tempo]] ou, mais precisamente, pois não se trata de tempo objectivo mas de um tempo originário, da consciência pura do tempo ou da [[lexico:t:temporalidade|temporalidade]] da consciência. O afastamento do tempo nos primeiros trabalhos fenomenológicos era uma [[lexico:a:abstracao|abstração]] [[lexico:m:metodica|metódica]], não uma redução. A redução, pelo contrário, faz aparecer que a intencionalidade sempre [[lexico:a:atual|atual]] na [[lexico:e:evidencia|evidência]] é inseparável de uma consciência [[lexico:i:imanente|imanente]] ou íntima (do tempo). A consciência (reduzida) não é, com [[lexico:e:efeito|efeito]], de forma nenhuma, uma [[lexico:i:instancia|instância]] atemporal que plane, por assim dizer, acima dos vividos. Mas o tempo também não é um [[lexico:m:meio|meio]] no qual esteja implicada a consciência: o que do tempo pertence à [[lexico:t:transcendencia|transcendência]] objectiva, o tempo concebido como escoamento, constitui-se na base do tempo imanente que é, no [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:p:proprio|próprio]], [[lexico:t:todo|todo]] o tempo, com o seu desdobramento em três intencionalidades ligadas, correspondendo à construção do passado ([[lexico:r:retencao|retenção]]), do [[lexico:f:futuro|futuro]] (protenção) e do presente (presentificação), no qual ela se funda na consciência atual. A consciência é ela própria tempo originário porque não é outra [[lexico:c:coisa|coisa]] senão este «presente vivo», e não [[lexico:f:fonte|fonte]] das intencionalidades. O tempo não é outra coisa senão o [[lexico:m:modo|modo]] de [[lexico:p:presenca|presença]] a si da subjetividade constituinte. [Schérer]