===== TELOS ===== télos: completude, [[lexico:f:fim|fim]], [[lexico:f:finalidade|finalidade]] 1. Embora tivesse antecedentes óbvios na [[lexico:n:nocao|noção]] heraclítica do [[lexico:f:fogo|fogo]] celestial que tudo governa (frg. 64) e no [[lexico:u:uso|uso]] que [[lexico:a:anaxagoras|Anaxágoras]] faz do [[lexico:e:espirito|espírito]] ([[lexico:n:nous|noûs]] 3), [[lexico:n:nao|não]] aparece no [[lexico:p:pensamento|pensamento]] especulativo [[lexico:g:grego|grego]] até [[lexico:d:diogenes-de-apolonia|Diógenes de Apolônia]] um [[lexico:s:sentido|sentido]] claramente definido do objectivo nas operações do [[lexico:k:kosmos|kosmos]]. Neste [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista a [[lexico:a:arche|arche]] de todas as [[lexico:c:coisas|coisas]] é o [[lexico:a:aer|aer]] (frg. 4), que é [[lexico:a:alma|alma]] (quando aquecido) e [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] (noûs; frg. 5; cf. noûs 4), e que é divina e governa todas as coisas pelo melhor (frg. 3), este [[lexico:u:ultimo|último]] [[lexico:a:atributo|atributo]] aparentemente sugerido pelas renovações periódicas na [[lexico:n:natureza|natureza]]. 2. [[lexico:s:socrates|Sócrates]] estava extremamente interessado no [[lexico:m:motivo|motivo]] [[lexico:t:teleologico|teleológico]]; examinara a [[lexico:t:teoria|teoria]] do noûs de Anaxágoras deste ponto de vista ([[lexico:f:fedon|Fédon]] 97d) mas achara-a desanimadora: era a mesma velha [[lexico:e:explicacao|explicação]] mecanicista das coisas (ibid. 99a), aquilo que [[lexico:p:platao|Platão]] chamaria uma confusão da synaitia com a [[lexico:a:aitia|aitia]], e [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] ([[lexico:m:metafisica|Metafísica]] 985a) coincide com esta avaliação da [[lexico:t:teleologia|teleologia]] de Anaxágoras. Mas há bases para [[lexico:p:pensar|pensar]] que Sócrates encontrou mais alguma satisfação em Diógenes ([[lexico:v:ver|ver]] [[lexico:x:xenofonte|Xenofonte]], Mem. I, 4, 5-8). A própria abordagem de Platão é a mesma particularmente no seu [[lexico:i:interesse|interesse]] pelo [[lexico:m:mundo|mundo]] visível nos [[lexico:d:dialogos|diálogos]] tardios. No [[lexico:t:timeu|Timeu]] (47e) há um contraste [[lexico:g:geral|geral]] entre as obras produzidas pelo noûs e as que surgiram por [[lexico:n:necessidade|necessidade]] ([[lexico:a:ananke|ananke]]), e nas Leis (888e) verificamos que estas são identificadas com as obras cegas da natureza ([[lexico:p:physis|physis]]) e que aquelas são por desígnio ([[lexico:t:techne|techne]]). A [[lexico:p:psyche|psyche]] inicia o [[lexico:m:movimento|movimento]], mas é a sua ligação com o noûs que garante o resultado com finalidade deste movimento (Leis 897b). 3. Há uma [[lexico:m:mudanca|mudança]] radical em Aristóteles: para Platão o noûs era o fator dominante no [[lexico:e:esquema|esquema]] teleológico; para Aristóteles o noûs opera apenas na [[lexico:e:esfera|esfera]] humana da techne, desígnio com finalidade, e, na [[lexico:v:verdade|verdade]], tudo o que o [[lexico:a:artesao|artesão]] faz é tentar imitar a physis, que tem a sua própria finalidade (telos) ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] que é uma [[lexico:f:fonte|fonte]] de movimento ([[lexico:p:physica|Physica]] II, 198a, 199b); é, em [[lexico:s:suma|suma]], a «[[lexico:c:causa|causa]] final» descrita ibid. II, 194b. A doutrina da teleologia é básica em Aristóteles: aparece nas suas primeiras obras (ver [[lexico:p:protreptico|Protréptico]], frg. 11) e completa-se na Metafísica. Explica-se em vários [[lexico:l:lugares|lugares]] que o telos é o [[lexico:b:bem|Bem]] (Physica II, 195a; Metafísica 1013b), e na Metafísica 1072b o [[lexico:b:bem-supremo|bem supremo]], e daí a causa final de [[lexico:t:todo|todo]] o kosmos [[lexico:s:ser|ser]] o [[lexico:p:primeiro-motor|primeiro motor]], o [[lexico:n:noesis|noesis]] noeseos de 1074b (ver [[lexico:k:kinoun|kinoun]], noûs). 4. [[lexico:t:teofrasto|Teofrasto]], o discípulo de Aristóteles, teve, ao que parece, algumas dificuldades com a teleologia (Teofrasto, Metafísica IV, 14-15, 27), mas ela nunca perdeu o seu [[lexico:l:lugar|lugar]] na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]], particularmente com o sempre crescente [[lexico:t:teismo|teísmo]] das Escolas posteriores; neste contexto tornava-se a [[lexico:p:providencia|providência]] divina ([[lexico:p:pronoia|pronoia]]). Para o papel de telos na [[lexico:a:analise|análise]] aristotélica da mudança, ver [[lexico:e:ergon|ergon]], [[lexico:e:energeia|energeia]], [[lexico:e:entelecheia|entelecheia]]; nas teorias da [[lexico:e:emanacao|emanação]] neoplatônicas, [[lexico:p:proodos|proodos]].