===== TECNOCRACIA ===== (in. Technocracy; fr. Technocratie; al. Technokratie; it. Tecnocrazià). [[lexico:u:uso|uso]] da [[lexico:t:tecnica|técnica]] como [[lexico:i:instrumento|instrumento]] de poder por [[lexico:p:parte|parte]] de dirigentes econômicos, militares e políticos, em defesa de seus interesses, considerados concordantes ou unificados, com vistas ao controle da [[lexico:s:sociedade|sociedade]]. [[lexico:e:esse|esse]] é o [[lexico:c:conceito|conceito]] de tecnocracia que se encontra nos escritores mais qualificados (p. ex., C. W. Mills, The Power [[lexico:e:elite|elite]], 1956), que permite defini-la como "a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] autocrática das técnicas" (G. Simondon, Du monde d’existence des objets techniques, 1958). Assim, as críticas mais radicais feitas à sociedade contemporânea trazem à baila a tecnocracia A ela é imputada [[lexico:n:nao|não]] só a [[lexico:r:responsabilidade|responsabilidade]] por todos os males da técnica e por não poder nem querer fazer [[lexico:n:nada|nada]] para eliminá-los, como também a responsabilidade de suprimir ou bloquear a [[lexico:l:liberdade|liberdade]] de [[lexico:e:escolha|escolha]] do [[lexico:h:homem|homem]] em todos os campos de [[lexico:a:atividade|atividade]] (do [[lexico:t:trabalho|trabalho]] ao [[lexico:d:divertimento|divertimento]]), com uma [[lexico:d:determinacao|determinação]] interna que o impede de exercer sua [[lexico:r:razao|razão]] [[lexico:c:critica|crítica]] e reprime seu [[lexico:i:instinto|instinto]] vital e a livre procura da [[lexico:f:felicidade|felicidade]]. [[lexico:m:marcuse|Marcuse]] escreveu: "O aparato produtivo tende a tornar-se totalitário na [[lexico:m:medida|medida]] em que determina não só as ocupações, as habilidades e os comportamentos socialmente necessários, mas também as necessidades e as aspirações individuais. (...) A [[lexico:t:tecnologia|tecnologia]] serve para instituir novas formas de controle e coerção [[lexico:s:social|social]] mais eficazes e mais agradáveis" (One Dimensional [[lexico:m:man|Man]], 164, p. XV). Desse [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista, a tecnocracia (chamada também de "The Establishment" ou "O [[lexico:s:sistema|sistema]]" por antonomásia) exercitaria um [[lexico:d:determinismo|determinismo]] necessitante sobre todas as [[lexico:a:atividades|atividades]] humanas e impediria ou bloquearia qualquer [[lexico:f:forma|forma]] de crítica social, qualquer [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de [[lexico:t:transformacao|transformação]]. Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, porém, admite-se (como faz o [[lexico:p:proprio|próprio]] Marcuse, Ibid., p. 238) que "a [[lexico:r:racionalidade|racionalidade]] pós-tecnológica" possa transformar a técnica em [[lexico:m:meio|meio]] de pacificação e em instrumento para a [[lexico:a:arte|arte]] de [[lexico:v:viver|viver]], nesse caso, a [[lexico:f:funcao|função]] da razão — cujo uso instrumental deu [[lexico:o:origem|origem]] à tecnocracia — convergiria para a função da arte. Outras vezes, põe-se em [[lexico:d:duvida|dúvida]] o [[lexico:c:carater|caráter]] monolítico e necessitante da tecnocracia. Gal-braith [[lexico:f:fala|fala]] de tecnoestrutura para designar a [[lexico:f:formacao|formação]] pluralista e heterogênea dos grupos que dirigem a sociedade industrial, admitindo a possibilidade de minimizar a [[lexico:s:subordinacao|subordinação]] das crenças às necessidades do sistema industrial e de considerar este [[lexico:u:ultimo|último]] apenas "uma parte da [[lexico:v:vida|vida]] (uma parte em [[lexico:p:processo|processo]] de [[lexico:d:diminuicao|diminuição]])", que pode [[lexico:s:ser|ser]] subordinada aos fins estéticos que constituem a [[lexico:d:dimensao|dimensão]] da vida e possibilitam a liberdade individual ( The New Industrial State, 1964, p. 399). Às vezes também se apresenta uma [[lexico:c:conotacao|conotação]] "não pejorativa" de tecnocracia em [[lexico:c:correlacao|correlação]] com o conceito mais compósito que se tem hoje de [[lexico:c:classe-social|classe social]] (cf., p. ex., A. Tou-RAINE, La sociétépos-industrielle, 1969, cap. I).