===== SYNEIDESIS ===== A [[lexico:p:palavra:start|palavra]], [[lexico:c:conscientia:start|conscientia]], syn-eidenai, era originalmente [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] de si, e apenas a [[lexico:l:lingua:start|língua]] alemã tem duas [[lexico:p:palavras:start|palavras]] diferentes para a [[lexico:c:consciencia-moral:start|consciência moral]] e consciência de si (consciousness). Conscientia: conheço junto com o meu [[lexico:e:eu:start|eu]], ou, na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que eu conheço, estou ciente de que eu conheço. Syn-eidenai: em [[lexico:p:platao:start|Platão]] e [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], sempre ou principalmente comigo mesma, emauto, hautois, etc. Em [[lexico:g:grego:start|grego]], a palavra [[lexico:n:nao:start|não]] era usada de um [[lexico:m:modo:start|modo]] especificamente [[lexico:m:moral:start|moral]]. Evidentemente, também posso [[lexico:e:estar:start|estar]] [[lexico:c:consciente:start|consciente]] de atos maus, e essa consciência de si (synesis em Eurípedes) pode [[lexico:s:ser:start|ser]] muito desagradável. Essa consciência de si pode ser compreendida como [[lexico:t:testemunho:start|testemunho]] da minha [[lexico:e:existencia:start|existência]]. Na medida em que estou ciente de mim mesma, sei que sou. Se não estou ciente de mim mesma, não sei se realmente sou. Em [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]], e mais [[lexico:t:tarde:start|Tarde]] em [[lexico:d:descartes:start|Descartes]], a [[lexico:q:questao:start|questão]] da [[lexico:r:realidade:start|realidade]], inclusive a minha própria, foi proposta. A resposta de Agostinho foi que posso duvidar se [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] existe, mas não posso duvidar de que duvido. Aqui já vemos o dois-em-um, a [[lexico:d:divisao:start|divisão]]. Posso testemunhar sobre mim mesma. A primeira vez que encontramos o [[lexico:u:uso:start|uso]] terminológico de conscientia em Cícero ela tem [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:s:significado:start|significado]] (De Officiis. 3.44); quando estou sob juramento a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] de algo que está [[lexico:o:oculto:start|oculto]] de todos os homens, devo lembrar que tenho um [[lexico:d:deus:start|Deus]] como testemunha. Segundo Cícero, isso significa que “meu [[lexico:e:espirito:start|espírito]] é minha testemunha” e “o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] deus não concedeu ao [[lexico:h:homem:start|homem]] [[lexico:n:nada:start|nada]] mais [[lexico:d:divino:start|divino]]” (Nesse [[lexico:s:sentido:start|sentido]], encontramos no Egito, 1500 anos antes de Cristo, um criado [[lexico:r:real:start|real]] narrando os seus serviços e dizendo: “O meu [[lexico:c:coracao:start|coração]] me disse para fazer tudo isso. Foi uma testemunha excelente”). O [[lexico:p:ponto:start|ponto]] é o seguinte: testemunhar o que está oculto. Assim, no Novo Testamento, Rom. 2,14 e seguintes, a respeito dos “segredos do homem”, Paulo [[lexico:f:fala:start|fala]] da consciência que presta testemunho e de [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] que estão em conflito uns com os outros, deliberando no homem, “que acusam e justificam uns aos outros” como num tribunal. Syneidesis: E este é o testemunho, 2 Cor, 1,12. Em [[lexico:s:seneca:start|Sêneca]]: Um espírito (spirit) [[lexico:s:sagrado:start|sagrado]] que vigia e guarda os nossos atos bons e maus. Assim, a consciência esteve intimamente ligada durante toda a Idade Média com Deus, que conhece os segredos do coração dos homens (Mateus 6.4). [ARENDT, Hannah. Responsabilidade e julgamento. Tr. Rosaura Einchenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2004, p. 356-357] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}