===== SUPÓSITO ===== A provenienda historial da [[lexico:s:sequencia|sequência]] que liga indissoluvelmente uma a outra autoposição e deposição de si, exaltação e humilhação do [[lexico:c:cogito|cogito]], [[lexico:n:nao|não]] é difícil de traçar. Ela é como que programada pela [[lexico:s:serie|série]] de equivalências colocadas por [[lexico:k:kant|Kant]] – [[lexico:i:ich|Ich]] = Er = Es (das Ding) – na caracterização [[lexico:f:formal|formal]] (vide) do Ich, als denkend, [[lexico:f:formula|fórmula]] notável, que é também a formulação propriamente [[lexico:m:moderna|moderna]] do [[lexico:a:atributivismo|atributivismo]]: *Por [[lexico:e:esse|esse]] “[[lexico:e:eu|eu]]”, ou esse “Ele”, ou esse “Aquilo” (a [[lexico:c:coisa|coisa]]) que pensa, [[lexico:n:nada|nada]] mais é representado que um [[lexico:s:sujeito|sujeito]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]] dos [[lexico:p:pensamentos|Pensamentos]] = x, que conhecemos somente pelos pensamentos que são seus [[lexico:p:predicados|predicados]] (“Durch dieses Ich, oder Er, oder Es (das Ding), welches denkt, wird [[lexico:n:nun|nun]] nichts weiter, als ein transzendentales Subjekt der Gedanken vorgestellt = x, welches nur durch die, Gedanken, die seine Prädikate sind, erkannt wird” [Cf. E. Kant, Critique de la raison pure, “Dialectique transcendentale”, livre II, “Des raisonnements dialectiques de la raison pure”, chap. 1, “Des paralogismes de la raison pure”, trad. fr. A. Tremesaygues e B. Pacaud, p. 281]).* É dessa primeira [[lexico:e:equacao|equação]] que decorre o “Es denkt in mir” que, [[lexico:b:bem|Bem]] antes de [[lexico:l:levi-strauss|Lévi-Strauss]], “a [[lexico:p:psicologia|psicologia]] e a [[lexico:e:etnologia|etnologia]]”, um G. C. Lichtenberg e sobretudo um E W. J. [[lexico:s:schelling|Schelling]] tornaram “familiar” para nós, reformatando, [[lexico:c:como-se|como se]] verá, o cogito em cogitatur. Não é um [[lexico:e:enunciado|enunciado]] do quarteto de Descombes [v. si mesmo] que não tinha feito uma entrada prévia no debate com [[lexico:r:ricoeur|Ricoeur]]. É dessas entradas que a arqueologia deve restituir os contextos de inscrições sucessivos ou alternados. Isso significa, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], traçar o [[lexico:t:termo|termo]] e a [[lexico:n:nocao|noção]] de supósito utilizados várias vezes por Descombes, glosando ou criticando Ricoeur, em asserções como: “A [[lexico:c:consciencia|consciência]] não é um supósito (um sujeito ao qual atribuir atos e operações), a consciência é uma maneira de [[lexico:s:ser|ser]]”, ou: “Vale mais renunciar aqui a qualquer [[lexico:i:ideia|ideia]] de uma [[lexico:r:referencia|referência]], entendendo-se por isso a [[lexico:d:designacao|designação]] de um sujeito para uma predicação ou um supósito para uma [[lexico:o:operacao|operação]]”, ou: “Não se trata absolutamente de introduzir um sujeito destinado a receber predicados ou a servir de supósito para operações e acontecimentos”, ou ainda: “Se recusamos, como devemos, atribuir à consciência de qualquer um a [[lexico:f:funcao|função]] de um supósito de operações, devemos recusar, pela mesma [[lexico:r:razao|razão]], atribuir esse [[lexico:e:estatuto|estatuto]] ao [[lexico:i:inconsciente|Inconsciente]]”. Em O Complemento do Sujeito, ao explicitar uma vez mais sua dívida com Tesnière, o [[lexico:p:proprio|próprio]] Descombes assinala que, para fazer isso, ele volta a dar [[lexico:v:vida|vida]] a um “velho termo”: *Tirei meu título de um comentário que faz o linguista Luden Tesnière [Cf. L. Tesnière, Éléments de syntaxe structurale] em seu tratado de [[lexico:s:sintaxe|sintaxe]] estrutural: o sujeito é um complemento como os outros [...]. O [[lexico:m:modelo|modelo]] do [[lexico:c:conceito|conceito]] [[lexico:u:util|útil]] de sujeito é aqui a noção sintática de complemento de [[lexico:a:agente|agente]] que nos fornece [...]. Entre o sujeito de uma [[lexico:f:frase|frase]] (o primeiro actante) e o [[lexico:o:objeto|objeto]] (o segundo actante) há uma [[lexico:d:diferenca|diferença]] [[lexico:s:semantica|semântica]] (agente/paciente), mas não diferença sintática. Um e [[lexico:o:outro|outro]] sáo complementos actanciais do [[lexico:v:verbo|verbo]]. [...] O alcance dessa [[lexico:o:observacao|observação]] para a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] parece-me considerável. [[lexico:a:a-se|a se]] admitir que o conceito de sujeito de que necessitamos é o do agente, entáo é preciso reconhecer também que o sujeito na frase é [[lexico:d:designado|designado]] por um complemento “como os outros”, portanto um complemento que deve significar, tanto quanto o complemento de objeto da frase que narra uma [[lexico:a:acao-transitiva|ação transitiva]], uma [[lexico:e:entidade|entidade]] que entra na [[lexico:c:categoria|categoria]] de supósitos de [[lexico:a:acao|ação]] e de [[lexico:m:mudanca|mudança]] ([[lexico:p:paixao|paixão]]). Retomo aqui o velho termo supósito para designar o [[lexico:i:individuo|indivíduo]] enquanto ele pode desempenhar um papel actancial em uma [[lexico:h:historia|história]], de [[lexico:m:modo|modo]] que se pode perguntar se ele é o sujeito do que acontece, ou se é seu objeto, ou se é seu atributário. [V. Descombes, Le Complément de sujet..., p. 14] * [LiberaAS:41-43]